Sob gritos de “é campeã”, Viradouro vai pra cima com Mestre Ciça rumo ao título do Carnaval 2026

Carnaval 2026: Desfile da Viradouro começa e termina com Ciça pra Cima aos gritos de é campeã do público | João Salles/Riotur
A Unidos do Viradouro levantou a Marquês de Sapucaí na madrugada desta terça-feira (17) e chegou ao fim de seu desfile forte para disputar o título do Carnaval 2026 com o enredo “Pra Cima Ciça”, aos gritos de é campeã no Setor 1 e na Praça da Apoteose.
![]() | Por André Freitas Diretor-executivo e repórter do Folha do Leste, desde os anos 1990 cobrindo carnaval direto da Marquês de Sapucaí Do Rio de Janeiro • EM TEMPO REAL |

Baianas da Viradouro com a fantasia Arte Negra na Legendária São Carlos | Alex Ferro
A vermelho e branco de Niterói realizou um feito inédito na Marquês de Sapucaí. Homenageou em vida seu Mestre de Bateria em atividade. Ou seja, um personagem que, ao mesmo tempo, estava na avenida, em plena atividade, trabalhando para ela. Dessa vez, ele não defendeu pontos apenas para o importantíssimo quesito Bateria. Mas também para comissão de frente e enredo, como personagem de ambos.

Guardiões do segundo casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira | Alex Ferro/Riotur
Em contrapartida, Ciça e a Viradouro tiveram uma comunidade cantando com força e evoluindo com perfeição. Visualmente, um desfile perfeito, sem imperfeições.
Com muito orgulho e amor, Ciça faz o povo delirar e chorar de emoção
Neste desfile épico, Ciça foi o Enredo do começo ao fim. Primeiro, deu a largada da bateria mas logo depois entregou o comando ao diretor Marquinhos. Em seguida, embarcou na Comissão de Frente, onde desfilou, literalmente, apresentando a escola e representando ele próprio. Ciça interagiu com um menino, Gabriel, representando o Mestre na infância, ainda criança.

Entre eles, sob a coreografia de Priscilla Mota e Rodrigo Negri, bailarinos representaram bambas do Estácio como berço do samba urbano. Igualmente, ambiente do surgimento das escolas de samba e reduto de bambas. Por exemplo, Ismael Silva, Bide, Gonzaguinha, Luiz Melodia…
Abertura volta ao tempo da Deixa Falar, primeira escola de samba

Tripé “Lá… Onde o Samba Fez Berço”, resgata a musicalidade ancestral do Estácio, berço do samba urbano e das escolas de samba, herança cultural que inspirou o menino Moacyr, representado aqui como um pequeno leão em meio ao lirismo dos antigos carnavais | Rafael Catarcione/Riotur
Em síntese, a ideia consistia no resgate da musicalidade ancestral que despertou a paixão que inspirou Moacyr. Até um leão lhe despertar em meio ao lirismo dos antigos carnavais.

O velho Leão desperta o menino Moacyr, que depois se tornaria o Mestre Ciça | Alex Ferro/Riotur
Nesse instante, o elemento alegórico ” Quando o Apito Ressoa” se transformou no símbolo arquitetônico da Praça da Apoteose. Posteriormente, já no alto, novamente o Mestre Ciça aparece saudando o público do alto. Simplesmente, levando a plateia ao êxtase.

Ciça ainda complementa o primeiro ato de sua participaçã0 descendo do tripé para apresentar tanto a escola quanto o casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira ao público e jurados.

Julinho e Rute representaram pioneirismo da Deixa Falar, a primeira a se autodenominar “escola de samba” e berço do ritmo “pra cima” de Mestre Ciça | Alex Ferro
O Casal Rute Alves e Julinho Nascimento exaltou a linhagem de feras como Bicho Novo (Acelino dos Santos), o primeiro mestre-sala da história. A apresentação deles uniu técnica e emoção para reverenciar o pavilhão e o homenageado em vida. A coreografia buscou o equilíbrio entre a sutileza clássica e a expressividade contemporânea. Com intensa cumplicidade e sincronia nos gestos, saudaram o símbolo maior da Viradouro.
Passou um furacão
Mas os instantes de emoção estavam apenas começando, pois o mundo do samba se rendeu a Ciça de todos os modos. Paulo Barros, por exemplo, desfilou como destaque muito emocionado, chorando muito, no tripé Jogada de Mestre.

Carnavalesco Paulo Barros | Alex Ferro/Riotur
De igual forma, Claudinho e Selminha Sorriso — que tinham acabado de desfilar na Beija-Flor, correram para a concentração da Viradouro. Desfilaram na terceira alegoria “Lá vem o Trem do Caipira”, pois juntos com Ciça foram campeões pela Estácio em 1992 com o figurino de Mestre-Sala e Porta-Bandeira recriado pelo carnavalesco da época Chiquinho Spinoza.

Alegoria Trem do Caipira, em referência ao desfile campeão de 1992 da Estácio de Sá, primeiro título de Ciça. No alto do carro, estão o Mestre-Sala Claudinho e a Porta-Bandeira Seminha Sorriso | Alex Ferro/Riotur
Representando Luma de Oliveira, primeira rainha de Ciça na Viradouro, a musa Jennifer Setti desfilou usando uma coleira escrita Ciça. Ela veio à frente da Ala 12, A Rainha dos Sete Pecados Capitais.

Ala dos 7 Pecados Capitais | Alex Ferro/Riotur
Outra rainha de Ciça, a atriz Erika Januza, do campeonato de 2024, retornou à escola como destaque do 4º carro alegórico “Atabaque Mandou te Chamar”, para homenagear Mestre Ciça. Essa alegoria se refere aos campeonatos de 2020, Ganhadeiras de Itapuã; e de 2024, “Arroboiboi, Dangbé!“.
A quinta alegoria — Bonde do Mestre Caveira — trouxe várias personalidades do carnaval. Primordialmente, artistas como ele, orgulhosos do tributo prestado em vida ao Ciça.

Bonde do Caveira trouxe artistas do carnaval com quem Ciça quis dividir a homenagem recebida | Alex Ferro/Riotur
Como homenageado, o Mestre também ousou em generosidade, fez questão de dividir a homenagem recebida com outros mestres de bateria. Eles terminaram o desfile muito emocionados e gratificados com a consagração de alguém como eles.
Final apoteótico da Viradouro aos gritos de campeã
Dentre tantos pontos altos de um desfile literalmente pra cima, o momento de ápice, de extrema catarse, consistiu em remontar uma cena que aconteceu há 18 anos. Naquela época, a intenção era a Viradouro “virar o jogo”. Agora, Ciça subiu novamente as escadas de um carro alegórico — o sexto, especificamente.

Mestre Ciça, no alto do 6º carro, juntamente com sua rainha Juliana Paes | João Salles
Nesse momento, Ciça reassumiu a regência de seus ritmistas, após um longo abraço ao fiel amigo e diretor Marquinhos, que momentaneamente ficou em seu lugar. Então, voltando a seu ofício, ao lado da Rainha Juliana Paes, todos os ficaram a seus pés. Pela primeira vez, Ciça passaria duas vezes no mesmo desfile, na mesma noite, na Marquês de Sapucaí. Novamente, ele recebeu a ovação do público, numa merecidíssima ode.
Mesmo diante de todos os riscos com a bateria permanecendo no 1º recuo ao longo de boa parte da passagem da escola, tudo deu certo. Isso porque, geralmente, a bateria ocupa a avenida com pouco mais de um terço dos componentes na avenida até ocupar o segundo recuo de bateria, entre os setores 9 e 11.
Enquanto ficou por mais tempo no primeiro box e deixou de entrar no segundo, componentes e jurados ficaram restritos ao som distribuído pelo sistema de som. Por fim, deu tudo certo e a ousadia venceu o risco. Como resultado, tivemos mais um momento apoteótico de Ciça com a Viradouro para não sair da memória. Acima de tudo, e pra cima de









































