O Ministério da Defesa mobilizará 24,1 mil militares no segundo turno das Eleições de 2026, marcado para domingo (25). As Forças Armadas reforçarão a segurança da votação e o transporte de urnas em diferentes regiões do país. No Estado do Rio de Janeiro, a operação alcançará 15 municípios, incluindo Niterói, São Gonçalo e Itaboraí.
A operação envolve integrantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. Segundo o planejamento divulgado pelo Ministério da Defesa, as ações de Garantia da Votação e da Apuração (GVA) acontecerão em 306 municípios de 11 estados. Outros serviços de apoio logístico estão previstos em 39 municípios, distribuídos por oito estados.
Além disso, os militares transportarão urnas eletrônicas, equipamentos e equipes da Justiça Eleitoral. O trabalho utilizará aeronaves, helicópteros, embarcações e veículos terrestres, especialmente em localidades de difícil acesso.
Niterói, São Gonçalo e Itaboraí terão reforço militar
No Rio de Janeiro, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) solicitou novamente o emprego de forças federais para garantir a segurança da votação. O pedido foi aprovado por unanimidade pelo colegiado regional em 15 de outubro.
O presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, justificou a medida pela permanência de problemas relacionados ao controle territorial de organizações criminosas e milícias na Região Metropolitana.
Segundo o magistrado, essas condições representam riscos à liberdade dos eleitores e à segurança de mesários, servidores e integrantes da Justiça Eleitoral.
O planejamento prevê patrulhamento de vias expressas e apoio à distribuição de urnas em 15 cidades fluminenses:
- Niterói;
- São Gonçalo;
- Itaboraí;
- Rio de Janeiro;
- Itaguaí;
- Magé;
- Belford Roxo;
- Duque de Caxias;
- Japeri;
- Mesquita;
- Nova Iguaçu;
- Nilópolis;
- Queimados;
- São João de Meriti;
- Seropédica.
Esses municípios constam da relação oficial divulgada pelo TRE-RJ. Maricá não aparece na lista de 15 cidades contempladas pelo reforço de Garantia da Votação e da Apuração.
Entretanto, o Ministério da Defesa também prevê apoio logístico em quatro municípios fluminenses, sem identificá-los individualmente no comunicado nacional. Por isso, não é possível concluir, apenas com a lista de patrulhamento, que Maricá esteja excluída de toda atividade logística militar.
Militares vão reforçar a segurança em 306 municípios
A Garantia da Votação e da Apuração permitirá o emprego das Forças Armadas nas localidades indicadas pela Justiça Eleitoral. O objetivo é assegurar o livre exercício do voto e a normalidade da apuração.
Segundo o Ministério da Defesa, a distribuição das operações de segurança ocorrerá nos seguintes estados:
- Piauí: 81 municípios;
- Ceará: 46 municípios;
- Pará: 38 municípios;
- Amazonas: 34 municípios;
- Mato Grosso: 30 municípios;
- Maranhão: 21 municípios;
- Acre: 20 municípios;
- Rio de Janeiro: 15 municípios;
- Alagoas: oito municípios;
- Rio Grande do Norte: sete municípios;
- Tocantins: seis municípios.
O Piauí concentra o maior número de municípios com previsão de reforço federal, seguido por Ceará e Pará. Juntos, os três estados representam 165 dos 306 municípios, aproximadamente 54% do total nacional.
Entretanto, a quantidade de cidades atendidas não permite determinar quantos militares atuarão em cada estado. O Ministério da Defesa não divulgou essa distribuição individual no balanço consultado.
Efetivo militar diminui em relação ao primeiro turno
O planejamento também revela uma redução na estrutura nacional em comparação com a votação de 4 de outubro.
No primeiro turno, as Forças Armadas mobilizaram aproximadamente 26,5 mil militares. A atuação de Garantia da Votação e da Apuração alcançou 482 municípios de 12 estados.
Agora, o efetivo previsto caiu para 24,1 mil militares, uma diferença de 2,4 mil profissionais, equivalente a aproximadamente 9,1%.
Da mesma forma, o número de municípios abrangidos pelas operações de GVA passou de 482 para 306. Isso representa 176 cidades a menos, uma redução aproximada de 36,5%.
Os números demonstram a diferença de escala entre as duas etapas eleitorais. Entretanto, não indicam, isoladamente, diminuição dos riscos de segurança pública nas localidades atendidas.
Forças Armadas também transportarão urnas eletrônicas
O apoio logístico ocorrerá em 39 municípios de oito estados. Nesse grupo, a atuação militar terá como prioridade o transporte de equipamentos, materiais e profissionais necessários à votação.
As equipes poderão utilizar aeronaves, helicópteros, embarcações e viaturas militares para alcançar comunidades ribeirinhas, territórios indígenas e regiões rurais.
O Amazonas terá o maior número de municípios contemplados pelo apoio logístico, com 16. Em seguida aparecem Acre e Roraima, com cinco cada, e Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul, com quatro cada.
Maranhão e Mato Grosso terão dois municípios atendidos por estado. O Amapá terá um.
Vale destacar que os 39 municípios de apoio logístico não devem ser automaticamente somados aos 306 da GVA como se fossem localidades necessariamente diferentes. As duas modalidades podem ocorrer em uma mesma região.
Militares podem entrar nos locais de votação?
A presença das Forças Armadas não significa autorização irrestrita para circulação de militares armados dentro das seções eleitorais.
O calendário eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabelece restrições específicas para o período do segundo turno, até 26 de outubro.
Como regra, integrantes da força armada devem permanecer a 100 metros das seções eleitorais. A aproximação ou entrada depende de ordem judicial ou do presidente da mesa receptora, observadas as exceções legais para estabelecimentos penais e unidades de internação de adolescentes.
A medida busca preservar a liberdade do voto e evitar interferências indevidas no funcionamento das seções.
Portanto, o reforço militar representa uma ação de apoio à Justiça Eleitoral, não uma substituição da autoridade dos mesários ou da organização civil da votação.
Quem autoriza o emprego das Forças Armadas nas eleições?
A atuação militar está prevista no Código Eleitoral e foi autorizada para as eleições de 2026 pelo Decreto federal nº 13.073, de 20 de julho, publicado no Diário Oficial da União no dia seguinte.
Pelo procedimento estabelecido, os tribunais regionais eleitorais identificam as localidades que necessitam de reforço e submetem os pedidos ao TSE.
Após a aprovação, o Ministério da Defesa organiza a mobilização das três Forças Armadas, conforme as requisições e as condições operacionais.
A coordenação nacional funciona no Centro de Operações Conjuntas, em Brasília, com apoio dos comandos militares responsáveis pelas diferentes regiões.
No Rio de Janeiro, a participação federal complementará o trabalho dos órgãos estaduais de segurança pública. O planejamento inclui atuação integrada para proteção das urnas, patrulhamento e atendimento de ocorrências.
O Folha do Leste já acompanhava o tema desde agosto, quando noticiou a autorização inicial do TSE para o emprego de forças federais nas eleições de 2026.
Agora, com o segundo turno marcado para domingo, a operação busca assegurar que a população consiga comparecer às urnas e votar sem interferências. No Estado do Rio, os eleitores escolherão apenas o próximo presidente da República.









