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Greve dos rodoviários: nova audiência acaba sem acordo

Rodoviários e representantes das empresas participam de audiência sobre a greve de ônibus no Rio

Greve dos rodoviários: nova audiência acaba sem acordo | Fernando Frazão/Agência Brasil

A greve dos rodoviários no Rio continua sob risco após uma nova audiência terminar sem acordo nesta quarta-feira (15). A categoria manteve o estado de greve, embora os ônibus circulem normalmente na capital.

Representantes dos trabalhadores e das empresas participaram da sessão no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ). Como o impasse permaneceu, o tribunal marcou uma nova audiência para quarta-feira, 22 de julho.

Empresas oferecem reajuste de 5%

Durante a negociação, o Rio Ônibus aumentou de 4,5% para 5% a proposta de reajuste salarial.

Entretanto, o Sindicato dos Rodoviários considerou o percentual insuficiente. A categoria reivindica aumento de 12%, dividido em duas parcelas de 6%.

A primeira parcela seria paga imediatamente. Já a segunda entraria nos salários em novembro.

Inicialmente, os trabalhadores pediam reajuste de 17%. Contudo, reduziram o índice durante uma assembleia realizada em 7 de julho para tentar destravar as negociações.

Segundo um representante do Rio Ônibus, as empresas chegaram ao limite financeiro da proposta.

“Fizemos o nosso máximo para chegarmos ao valor de 5% de aumento da remuneração dos rodoviários”, declarou durante a audiência.

Cesta básica permanece entre os impasses

O valor da cesta básica também impede o fechamento do acordo coletivo.

Os rodoviários reivindicam que o benefício alcance R$ 1 mil. Por outro lado, o Rio Ônibus propôs um reajuste de 5% sobre o valor atual.

Segundo o sindicato, a proposta patronal não acompanha o aumento do custo da alimentação. Além disso, a entidade considera insuficiente a recomposição oferecida aos salários.

A categoria já incluía o benefício de R$ 1 mil na pauta aprovada antes do início da paralisação.

Intervalo de 30 minutos gera divergência

Outro ponto central envolve o intervalo durante a jornada dos motoristas.

Os trabalhadores cobram pelo menos 30 minutos contínuos de descanso. Segundo o sindicato, muitos profissionais recebem pausas de aproximadamente cinco minutos nos pontos finais.

Além disso, a categoria quer o pagamento do período quando as empresas não concederem o intervalo integral.

O Rio Ônibus argumenta que a legislação permite dividir o descanso em períodos menores. Portanto, as empresas defendem a manutenção do modelo atualmente utilizado.

Durante a audiência, uma magistrada classificou a reivindicação dos trabalhadores como razoável e legítima. Mesmo assim, as partes não chegaram a um entendimento.

Sindicato cobra melhores condições de trabalho

Além das questões financeiras, os rodoviários mantêm reivindicações relacionadas à estrutura oferecida durante a jornada.

A categoria relata falta de banheiros, água potável e locais adequados para alimentação em terminais e pontos finais.

Os trabalhadores também pedem ampliação da assistência médica. Além disso, defendem mudanças na jornada para reduzir o desgaste físico e emocional.

Segundo o sindicato, as condições atuais prejudicam principalmente os profissionais que cumprem longos trajetos e enfrentam congestionamentos diariamente.

Contratos temporários no BRT provocam críticas

A situação dos trabalhadores do sistema BRT também integra as negociações.

O sindicato critica a utilização de contratos temporários e defende que motoristas e demais funcionários sejam contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Segundo a categoria, o modelo garantiria maior estabilidade, direitos trabalhistas e proteção social.

A reivindicação já aparecia na pauta apresentada antes da paralisação iniciada em junho.

Ônibus seguem circulando normalmente

Apesar da falta de acordo, os ônibus municipais continuam circulando normalmente nesta quarta-feira.

O estado de greve, entretanto, permite que os trabalhadores retomem a paralisação caso as negociações não avancem.

Até o momento, o sindicato não anunciou uma nova data para interromper o serviço. Portanto, passageiros devem acompanhar as próximas decisões da categoria.

O Rio Ônibus afirmou que as negociações apresentaram avanços e manifestou expectativa de evitar outra greve.

“Esperamos que a situação seja resolvida, afastando de vez a possibilidade de nova greve dos rodoviários”, informou a entidade.

Negociação continuará em 22 de julho

O TRT-RJ marcou a próxima tentativa de conciliação para quarta-feira (22).

Até lá, as partes poderão apresentar novas propostas sobre salários, cesta básica, intervalo e demais condições de trabalho.

A audiência desta quarta-feira representou a quarta rodada de negociações mediadas pela Justiça do Trabalho. Porém, nenhuma delas produziu um acordo definitivo.

Rodoviários suspenderam paralisação após três dias

A greve começou à meia-noite de 29 de junho e afetou o transporte público da capital durante três dias.

A Justiça determinou a manutenção de 80% da frota. Entretanto, o número de ônibus em circulação ficou abaixo do esperado durante o primeiro dia.

Posteriormente, os trabalhadores suspenderam a paralisação após uma assembleia realizada em 1º de julho, em Rocha Miranda.

Contudo, a categoria decidiu manter o estado de greve enquanto o sindicato negociava com as empresas.

Desde então, o Rio Ônibus aumentou sua proposta salarial de 4,39% para 4,5% e, agora, para 5%. Mesmo assim, o percentual permanece abaixo dos 12% reivindicados.

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Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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