A greve dos rodoviários no Rio continua sob risco após uma nova audiência terminar sem acordo nesta quarta-feira (15). A categoria manteve o estado de greve, embora os ônibus circulem normalmente na capital.
Representantes dos trabalhadores e das empresas participaram da sessão no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ). Como o impasse permaneceu, o tribunal marcou uma nova audiência para quarta-feira, 22 de julho.
Empresas oferecem reajuste de 5%
Durante a negociação, o Rio Ônibus aumentou de 4,5% para 5% a proposta de reajuste salarial.
Entretanto, o Sindicato dos Rodoviários considerou o percentual insuficiente. A categoria reivindica aumento de 12%, dividido em duas parcelas de 6%.
A primeira parcela seria paga imediatamente. Já a segunda entraria nos salários em novembro.
Inicialmente, os trabalhadores pediam reajuste de 17%. Contudo, reduziram o índice durante uma assembleia realizada em 7 de julho para tentar destravar as negociações.
Segundo um representante do Rio Ônibus, as empresas chegaram ao limite financeiro da proposta.
“Fizemos o nosso máximo para chegarmos ao valor de 5% de aumento da remuneração dos rodoviários”, declarou durante a audiência.
Cesta básica permanece entre os impasses
O valor da cesta básica também impede o fechamento do acordo coletivo.
Os rodoviários reivindicam que o benefício alcance R$ 1 mil. Por outro lado, o Rio Ônibus propôs um reajuste de 5% sobre o valor atual.
Segundo o sindicato, a proposta patronal não acompanha o aumento do custo da alimentação. Além disso, a entidade considera insuficiente a recomposição oferecida aos salários.
A categoria já incluía o benefício de R$ 1 mil na pauta aprovada antes do início da paralisação.
Intervalo de 30 minutos gera divergência
Outro ponto central envolve o intervalo durante a jornada dos motoristas.
Os trabalhadores cobram pelo menos 30 minutos contínuos de descanso. Segundo o sindicato, muitos profissionais recebem pausas de aproximadamente cinco minutos nos pontos finais.
Além disso, a categoria quer o pagamento do período quando as empresas não concederem o intervalo integral.
O Rio Ônibus argumenta que a legislação permite dividir o descanso em períodos menores. Portanto, as empresas defendem a manutenção do modelo atualmente utilizado.
Durante a audiência, uma magistrada classificou a reivindicação dos trabalhadores como razoável e legítima. Mesmo assim, as partes não chegaram a um entendimento.
Sindicato cobra melhores condições de trabalho
Além das questões financeiras, os rodoviários mantêm reivindicações relacionadas à estrutura oferecida durante a jornada.
A categoria relata falta de banheiros, água potável e locais adequados para alimentação em terminais e pontos finais.
Os trabalhadores também pedem ampliação da assistência médica. Além disso, defendem mudanças na jornada para reduzir o desgaste físico e emocional.
Segundo o sindicato, as condições atuais prejudicam principalmente os profissionais que cumprem longos trajetos e enfrentam congestionamentos diariamente.
Contratos temporários no BRT provocam críticas
A situação dos trabalhadores do sistema BRT também integra as negociações.
O sindicato critica a utilização de contratos temporários e defende que motoristas e demais funcionários sejam contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Segundo a categoria, o modelo garantiria maior estabilidade, direitos trabalhistas e proteção social.
A reivindicação já aparecia na pauta apresentada antes da paralisação iniciada em junho.
Ônibus seguem circulando normalmente
Apesar da falta de acordo, os ônibus municipais continuam circulando normalmente nesta quarta-feira.
O estado de greve, entretanto, permite que os trabalhadores retomem a paralisação caso as negociações não avancem.
Até o momento, o sindicato não anunciou uma nova data para interromper o serviço. Portanto, passageiros devem acompanhar as próximas decisões da categoria.
O Rio Ônibus afirmou que as negociações apresentaram avanços e manifestou expectativa de evitar outra greve.
“Esperamos que a situação seja resolvida, afastando de vez a possibilidade de nova greve dos rodoviários”, informou a entidade.
Negociação continuará em 22 de julho
O TRT-RJ marcou a próxima tentativa de conciliação para quarta-feira (22).
Até lá, as partes poderão apresentar novas propostas sobre salários, cesta básica, intervalo e demais condições de trabalho.
A audiência desta quarta-feira representou a quarta rodada de negociações mediadas pela Justiça do Trabalho. Porém, nenhuma delas produziu um acordo definitivo.
Rodoviários suspenderam paralisação após três dias
A greve começou à meia-noite de 29 de junho e afetou o transporte público da capital durante três dias.
A Justiça determinou a manutenção de 80% da frota. Entretanto, o número de ônibus em circulação ficou abaixo do esperado durante o primeiro dia.
Posteriormente, os trabalhadores suspenderam a paralisação após uma assembleia realizada em 1º de julho, em Rocha Miranda.
Contudo, a categoria decidiu manter o estado de greve enquanto o sindicato negociava com as empresas.
Desde então, o Rio Ônibus aumentou sua proposta salarial de 4,39% para 4,5% e, agora, para 5%. Mesmo assim, o percentual permanece abaixo dos 12% reivindicados.








