Desfile em homenagem ao Mestre Ciça faz Viradouro campeã do Carnaval 2026

Desfile em homenagem ao Mestre Ciça faz Viradouro campeã do Carnaval 2026 | Alexandre Macieira/Riotur
![]() | Por André Freitas Diretor-executivo e repórter do Folha do Leste, desde os anos 1990 cobrindo carnaval direto da Marquês de Sapucaí Do Rio de Janeiro • EM TEMPO REAL |
A Unidos do Viradouro é campeã do Carnaval 2026 após a apuração das notas atribuídas pelos jurados da Liesa. A agremiação dominou a apuração do início ao fim, confirmando a força do enredo “Pra Cima, Ciça!”, em homenagem ao Mestre de Bateria. Além disso, a vitória consagra uma apresentação que uniu o rigor dos jurados à explosão popular nas arquibancadas do Sambódromo.

Viradouro entrega flores em vida ao Mestre Ciça e realiza desfile memorável na Sapucaí | Luiza Monteiro/Riotur
O desfile histórico feito pela Viradouro — que não esperou a saudade para cantar — combinou um personagem vivo e muito carismático do samba carioca. Esses dois fatores deram à escola de Niterói uma larga vantagem sobre as demais. Isso mesmo antes da abertura dos envelopes, quesito por quesito.

Comissão de Frente assinada pelos coreógrafos Priscilla Mota e Rodrigo Negri, com bailarinos representando os bambas do Estácio como berço do samba urbano. Em meio a eles, desfilou o Ciça menino e próprio Mestre | Alex Ferro/Riotur
Vale destacar, ainda, que estamos nos referindo a um desfile que está no mesmo patamar de outros antológicos. Não se trata de mais um carnaval daqueles que ninguém se lembrará. Com essa vitória confirmada, ela passa a ter o mesmo tamanho na memória do samba quanto o carro preto de Joãozinho Trinta no título de 1997 junto com a “Paradinha Funk”.

Mestre Ciça, no alto do 6º carro, juntamente com sua rainha Juliana Paes | João Salles/Riotur
O resultado mostrou os motivos pelos quais a Viradouro lidera o ranking da Liesa. Simplesmente, porque a escola de samba acerta mais do que erra, defendendo quesito por quesito.

Julinho e Rute representaram pioneirismo da Deixa Falar, a primeira a se autodenominar “escola de samba” e berço do ritmo “pra cima” de Mestre Ciça | Alex Ferro
Ciça, um homem do povo que tem a cara do carnaval do Rio

Ciça no alto do elemento alegórico na Comissão de Frente | João Salles/Riotur
Ciça é uma personalidade do carnaval, mas ao mesmo tempo um cidadão comum, do povo. Está em atividade e economicamente depende dela para sobreviver, assim como muitos outros artistas do carnaval. Por isso, sua humildade. Daí, sua simplicidade. Ele ama o samba, mas esse também é o seu pão de cada dia.

Tripé “Lá… Onde o Samba Fez Berço”, resgata a musicalidade ancestral do Estácio, berço do samba urbano e das escolas de samba, herança cultural que inspirou o menino Moacyr, representado aqui como um pequeno leão em meio ao lirismo dos antigos carnavais | Rafael Catarcione/Riotur
A consagração de Mestre Ciça na Sapucaí
O desfile da Viradouro representou uma experiência de imersão rítmica, tendo o próprio homenageado como protagonista ativo da narrativa. Dessa forma, a escola evitou o formato biográfico estático e apostou na força dos seus quesitos.

Carnavalesco Paulo Barros, que desfilou como destaque na Viradouro e que, em 2007 comprou a ideia de Ciça virando o jogo no carnaval colocando a bateria em um carro alegórico sobre a bateria pela primeira vez | Alex Ferro/Riotur
Sobretudo, na energia da bateria Furacão Vermelho e Branco para guiar a evolução e sustentar o samba-enredo. Nesse sentido, o momento em que o mestre foi elevado pela comunidade simbolizou a ascensão da escola rumo ao topo do pódio.

Diretor Marquinhos (de branco), grande amigo de Ciça no samba e, acima de tudo, na vida | Alexandre Macieira/Riotur
A performance de Wander Pires no microfone oficial garantiu que a harmonia se mantivesse inabalável durante toda a travessia. Ademais, a clareza narrativa proposta por Tarcísio Zanon permitiu que cada ala fizesse uma leitura técnica precisa do enredo. Consequentemente, o resultado de dez em todos os quesitos reflete um trabalho de barracão e pista que beirou a perfeição absoluta.

Baianas com a fantasia Arte Negra na Legendária São Carlos, enquanto ao fundo se vê o abre-alas da Viradouro | Alex Ferro/Riotur
O impacto do “Ciça pra cima” e a nota máxima
O ponto de virada emocional que selou o destino da competição ainda na madrugada de terça-feira esteve presente na abertura e encerramento do desfile.

Apoteose da Viradouro, a grande campeã do carnaval 2026 homenageando o Mestre Ciça vivo | Alexandre Macieira
Enquanto a Comissão de Frente cruzava a linha final, com o Mestre Ciça nela, o público entoava o grito de campeã em uníssono, reconhecendo a superioridade plástica das alegorias. Certamente, a estratégia de colocar o homenageado em posição de destaque absoluto — o “Ciça pra cima” — foi o diferencial para garantir a nota máxima em Enredo.

Alegoria Trem do Caipira, em referência ao desfile campeão de 1992 da Estácio de Sá, primeiro título de Ciça. No alto do carro, estão o Mestre-Sala Claudinho e a Porta-Bandeira Seminha Sorriso | Alex Ferro/Riotur
Outro patamar
Historicamente, a Unidos do Viradouro vem consolidando um modelo de gestão técnica que torna mínimos os erros até mesmo em em quesitos de julgamento subjetivo. De fato, ao atingir o gabarito em todas as notas, a escola de Niterói estabelece um novo patamar de exigência para o Grupo Especial. Portanto, a conquista de 2026 entra para a história como um dos campeonatos mais incontestáveis da era moderna do samba.

Ala dos 7 Pecados Capitais | Alex Ferro/Riotur











































