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Grande Rio e a estreia de Virgínia Fonseca na Sapucaí como rainha bateria: faltou aprender a sambar

Grande Rio e a estreia de Virgínia Fonseca na Sapucaí como rainha bateria: faltou aprender a sambar

Grande Rio e a estreia de Virgínia Fonseca na Sapucaí como rainha bateria: faltou aprender a sambar

A estreia de Virgínia Fonseca na Sapucaí como a nova rainha de bateria da Grande Rio, ficou marcada pela falta de samba no pé e foco excessivo em repercussão virtual na última terça-feira (17/02). A influenciadora, que ocupou o posto deixado pela atriz Paolla Oliveira, demonstrou indiferença quanto à técnica rítmica. Enquanto celebrava recordes digitais sequer se importou com o fato de não ter aprendido a sambar. Isso ficou claro na sua apresentação.

André Freitas
Por André Freitas
Diretor-executivo e repórter do Folha do Leste, desde os anos 1990 cobrindo carnaval direto da Marquês de Sapucaí
Do Rio de Janeiro EM TEMPO REAL

Como resultado, esse episódio reforça o distanciamento entre as celebridades de rede social e a essência das escolas de samba.

O brilho do LED contra a técnica do samba

A influenciadora cruzou a avenida com uma fantasia vermelha “toda trabalhada no LED“, que possuía um sistema de iluminação intermitente. Embora o recurso visual tenha garantido fotos impactantes para as redes sociais, o desempenho na pista deixou claro que o objetivo principal nunca foi a dança. Ao declarar que estava pronta, apesar do nervosismo, Virgínia ignorou que o posto exige um domínio mínimo da arte do samba.

Além do figurino, chamou a atenção uma homenagem inusitada ao jogador Vini Jr. A rainha decorou um de seus dentes com pedrinhas brilhantes formando o número 7, referência à camisa do craque no Real Madrid. Entretanto, esses detalhes periféricos parecem ter servido apenas para alimentar o marketing de influência, enquanto a bateria Invocada precisava de uma regente com mais conexão rítmica.

Virgínia Fonseca na Sapucaí: LED, polêmica e falta de samba

Além do figurino, chamou a atenção uma homenagem inusitada ao jogador Vini Jr.

O impacto social: O banimento das mulheres da comunidade

A escolha de figuras midiáticas para cargos de honra nas agremiações gera um efeito colateral grave na representatividade feminina. Ocupar esse espaço sem a devida preparação resulta, na prática, no banimento de mulheres da comunidade que dominam o samba e buscam visibilidade. Sobretudo, essas passistas locais enxergam no posto uma forma de esperançar outras jovens da periferia através da ascensão cultural.

Do ponto de vista econômico e social, a “negociação” desses espaços para quem possui maior alcance digital desvaloriza o samba como patrimônio imaterial do Rio de Janeiro. Dessa forma, a Grande Rio novamente sacrificou parte de sua identidade em troca de cliques. Por consequência, ignora o impacto de longo prazo na economia criativa das comunidades.

Assim sendo, a substituição da técnica pelo lucro das métricas digitais sinaliza um futuro incerto para a autenticidade dos desfiles. Até mesmo para as raízes negras dessa festa. Afinal, não se pode esquecer que o samba, como ritmo, chegou a ser considerado crime.

Contexto histórico e o legado de Paolla Oliveira

Historicamente, as rainhas de bateria serviam como o elo entre a batida do tambor e a evolução da escola. Paolla Oliveira, embora também celebridade, investia em meses de ensaios e preparação técnica rigorosa. Por outro lado, a postura de Virgínia de ignorar o básico do samba revela uma nova era onde a passarela da Sapucaí é tratada apenas como um cenário para produção de conteúdo efêmero.

A repercussão negativa entre os puristas do samba não parece afetar a estratégia da influenciadora. Basta olhar o quanto ela comemorou os números alcançados. Todavia, para as agremiações que dependem do subsídio e do apoio popular, o custo de ignorar a comunidade pode ser a perda do apoio daqueles que realmente sustentam a festa o ano inteiro. Certamente, o desfile de 2026 será lembrado como o ano em que o LED brilhou mais que o gingado.

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André Freitas
André Freitas é diretor-executivo e repórter do Folha do Leste e da Brasil 21 Comunicação. Jornalista e radialista desde a década de 1990, é narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, com 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Possui ampla experiência na cobertura da editoria de política, em razão de funções exercidas nos poderes Legislativo e Executivo, com atuação nas Câmaras Municipais de Niterói, São Gonçalo e Campos dos Goytacazes, além da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e da Prefeitura de Niterói. Dirigiu por 15 anos a Rádio Absoluta, onde apresentou programas noticiosos diários e conduziu coberturas esportivas, incluindo mais de uma década acompanhando a seleção brasileira de futebol. Nesse período, esteve presente em duas Copas do Mundo e em uma edição dos Jogos Olímpicos. Trabalhou também nas rádios Campos Difusora (Campos/RJ) e Litorânea (ES). Exerceu o cargo de editor-chefe nos jornais Olho Vivo (Niterói/RJ) e A Tribuna (Niterói/RJ), além de atuar como colunista do jornal O Diário (Campos dos Goytacazes/RJ).

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