
Itaboraí tem programa para quem quer parar de fumar; saiba como buscar ajuda | Divulgação/Prefeitura de Itaboraí
Moradores de Itaboraí que desejam parar de fumar podem procurar a rede municipal de saúde para receber atendimento gratuito pelo SUS. O município mantém um programa de controle do tabagismo com acompanhamento profissional, encontros, orientação e possibilidade de uso de medicamentos quando houver indicação clínica.
A Prefeitura voltou a tratar do tema nesta segunda-feira (24), durante uma ação no Complexo Boaventura, às vésperas do Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto. Entretanto, o serviço não se limita à data: o atendimento para quem quer abandonar o cigarro funciona ao longo do ano.
Ainda assim, a divulgação municipal deixou lacunas importantes. O material não informa quais unidades realizam o tratamento estruturado, se todas as unidades da Atenção Primária atendem diretamente ou se parte delas apenas orienta e encaminha o morador.
Como buscar tratamento pelo SUS
O primeiro passo indicado pela Prefeitura é procurar uma unidade da Atenção Primária à Saúde. Na unidade, o morador pode pedir informações sobre o programa de combate ao tabagismo e o encaminhamento para acompanhamento.
No entanto, o comunicado não detalha se o atendimento depende de agendamento prévio, se há fila, quais documentos são exigidos ou se o paciente precisa apresentar cartão do SUS, comprovante de residência ou encaminhamento médico.
Por isso, a orientação mais segura é: procure a unidade de saúde mais próxima e pergunte como entrar no programa. A Prefeitura ainda precisa informar a lista atual de unidades que realizam grupos, consultas e fornecimento de medicamentos.
Como funciona o acompanhamento
A Prefeitura já informou, em divulgação anterior, que o programa municipal oferece encontros, acompanhamento profissional, orientação e suporte medicamentoso quando necessário.
Esses encontros ajudam o paciente a entender a dependência, reconhecer gatilhos, mudar hábitos associados ao cigarro e lidar com recaídas. Além disso, o acompanhamento permite avaliar sintomas de abstinência e necessidade de apoio medicamentoso.
O município, porém, não informou no material atual a frequência dos encontros, o tempo total de acompanhamento, se o atendimento ocorre em grupo, individualmente ou nos dois formatos.
Medicamentos dependem de avaliação profissional
O uso de medicamento não é automático. Ele depende de avaliação clínica e da conduta definida pela equipe de saúde.
No SUS, o tratamento contra o tabagismo pode envolver recursos como terapia de reposição de nicotina, adesivos, gomas, pastilhas e bupropiona, conforme protocolo e indicação profissional.
Mas Itaboraí ainda precisa detalhar quais itens estão disponíveis atualmente, se há estoque regular, quem prescreve e em quais unidades o paciente retira os medicamentos.
Também é importante separar as coisas: nicotina terapêutica não é cigarro eletrônico. Adesivos, gomas ou pastilhas usados dentro de tratamento profissional não devem ser confundidos com cigarro, vape ou outro produto de consumo.
Tabagismo não é falta de vontade
O tabagismo é reconhecido como uma doença crônica associada à dependência de nicotina. Portanto, parar de fumar não depende apenas de força de vontade.
A nicotina tem papel central na dependência. Já o cigarro expõe o organismo à fumaça e a diversas substâncias tóxicas, associadas ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, doenças respiratórias e diferentes tipos de câncer.
Por isso, o tratamento combina orientação, acompanhamento e, quando necessário, medicamento. A recaída também não deve ser tratada como fracasso. Em muitos casos, novas tentativas fazem parte do processo de cuidado.
Vape não deve ser usado como alternativa
O cigarro eletrônico não deve ser apresentado como método seguro para abandonar o cigarro convencional.
Usuários de vape também podem desenvolver dependência de nicotina. Além disso, esses dispositivos não equivalem à reposição de nicotina usada em tratamento profissional.
A Prefeitura ainda não informou se o programa municipal recebe usuários de cigarro eletrônico, se há procura de jovens por esse tipo de atendimento ou se existe protocolo específico para adolescentes.
Adolescentes precisam de regra própria
O material atual não esclarece se menores de 18 anos podem entrar no programa de tabagismo de Itaboraí.
Esse ponto precisa de confirmação porque adolescentes não devem receber abordagem idêntica à de adultos. A Secretaria precisa informar se há idade mínima, necessidade de responsável, autorização familiar e quais recursos podem ser usados nessa faixa etária.
Até essa resposta, não é possível afirmar que adolescentes têm acesso ao mesmo tratamento medicamentoso destinado aos adultos.
Cigarro também pesa no orçamento
Além dos efeitos na saúde, o cigarro também pesa no orçamento familiar.
Estudo baseado na Pesquisa Nacional de Saúde de 2019 apontou que fumantes brasileiros destinavam, em média, cerca de 8% da renda domiciliar per capita mensal à compra de cigarros industrializados. O dado não representa todos os fumantes individualmente nem mede a realidade específica de Itaboraí.
Ainda assim, ele ajuda a dimensionar o impacto econômico do tabagismo, principalmente em famílias de menor renda.
Ação no Complexo Boaventura antecedeu o dia 29
A atividade realizada nesta segunda-feira (24), no Complexo Boaventura, teve como tema “Atividade física e saúde: treinar não combina com fumar”.
A ação relacionou os efeitos do tabagismo à prática de exercícios e à qualidade de vida. No entanto, o balanço divulgado não informa quantas pessoas participaram.
A Prefeitura também não detalhou se haverá programação específica no próprio 29 de agosto, em quais unidades, com quais horários ou se alguma ação permitirá entrada direta no programa.










