
Niterói começa a usar IA para antecipar risco nos pés de pessoas com diabetes | Divulgação/Lucas Benevides/Prefeitura de Niterói
Niterói começou a testar, em quatro unidades da Atenção Primária, uma ferramenta de inteligência artificial que cruza fotografias dos pés com informações clínicas de pessoas com diabetes. A tecnologia ajuda profissionais de saúde a classificar o risco de feridas e outras complicações.
O projeto faz parte do Programa PASSO, iniciativa municipal voltada ao rastreamento e acompanhamento de alterações nos pés de pacientes com diabetes. Nesta primeira fase, o piloto funciona na UBS Barreto, na UBS Santa Bárbara, no Módulo do Médico de Família Maruí e no Módulo do Médico de Família Ititioca.
A tecnologia, porém, não substitui a avaliação profissional. A classificação gerada pela plataforma precisa ser interpretada pela equipe de saúde junto ao exame clínico, ao histórico do paciente e aos demais sinais avaliados no atendimento.
IA cruza fotos dos pés com dados clínicos
O funcionamento do programa não se resume a tirar uma foto. Primeiro, o profissional de saúde coleta informações clínicas do paciente. Depois, avalia os pés, registra imagens com smartphone e envia os dados para a plataforma AFoot, desenvolvida pela LookInside.
A partir disso, o sistema utiliza modelos de inteligência artificial para apoiar a classificação de risco. O resultado ajuda a equipe a definir acompanhamento, retorno e eventual encaminhamento.
Assim, a IA entra como ferramenta de apoio à decisão clínica. Ela não fecha diagnóstico sozinha, não prevê automaticamente amputações e não decide o tratamento no lugar dos profissionais.
Piloto começa em quatro unidades
A fase inicial do Programa PASSO ocorre em quatro pontos da rede municipal:
- UBS Barreto
- UBS Santa Bárbara
- Módulo do Médico de Família Maruí
- Módulo do Médico de Família Ititioca
A Prefeitura pretende levar a tecnologia depois para 100% da Atenção Primária. No entanto, o município ainda não informou prazo para a expansão, quantas unidades entrarão na próxima fase e quais critérios definirão o avanço do projeto.
Também falta saber quantos pacientes participarão do piloto, quanto tempo ele vai durar e quais indicadores serão usados para medir resultado.
Tecnologia não substitui avaliação profissional
O cuidado com os pés de pessoas com diabetes exige avaliação clínica. A equipe precisa observar sensibilidade, circulação, presença de feridas, histórico de lesões, amputações anteriores e outros sinais de risco.
Por isso, a plataforma não deve ser tratada como diagnóstico automático. A qualidade das imagens, as informações inseridas no sistema e a interpretação profissional continuam decisivas.
A Prefeitura apresenta o programa como forma de identificar pacientes com maior risco antes que lesões evoluam. Ainda assim, isso é objetivo de cuidado, não resultado clínico já comprovado em Niterói.
Programa busca antecipar risco de feridas
Pessoas com diabetes podem desenvolver perda de sensibilidade, alterações circulatórias, feridas e infecções nos pés. Em situações graves, essas complicações podem levar a internações e amputações.
O Programa PASSO atua no início dessa cadeia. A proposta é localizar sinais de risco mais cedo e organizar o acompanhamento do paciente.
Portanto, a formulação correta é: Niterói testa uma ferramenta para antecipar risco de complicações. Não há, até agora, dado local mostrando que o piloto reduziu amputações.
Lúcia passou pela avaliação no Barreto
A moradora Lúcia Nunes, de 63 anos, passou pela avaliação durante o lançamento do projeto, na região do Barreto. Ela relatou medo de amputação e considerou o procedimento rápido.
No caso dela, a equipe indicou acompanhamento mensal. Esse intervalo, porém, não deve ser generalizado para todos os pacientes.
A periodicidade depende do risco identificado, da avaliação clínica e do protocolo definido pela rede. Se a Prefeitura divulgar os níveis de risco e os intervalos de retorno, essa informação deve ser detalhada em nova atualização.
Expansão para toda a rede ainda não tem prazo
A secretária municipal de Saúde, Ilza Fellows, afirma que a ferramenta pode ajudar a detectar risco antes do surgimento de lesões e, futuramente, chegar a toda a Atenção Primária.
A tecnologia também poderá ser usada em domicílio quando houver indicação, segundo a Prefeitura. Mas isso não significa que todo paciente fará avaliação em casa.
Ainda falta detalhar quais pacientes terão visita domiciliar, quem fará a avaliação, em que fase isso começará e como a equipe vai integrar os resultados ao acompanhamento regular.
Prefeitura precisa detalhar custo e duração do piloto
O município ainda precisa informar qual instrumento jurídico permitiu o uso da plataforma AFoot em Niterói. Também falta saber se há contrato, acordo de cooperação, cessão gratuita, licença, comodato ou parceria experimental.
Esse dado importa porque a expansão para toda a rede pode envolver custo de software, suporte, treinamento, smartphones, armazenamento e manutenção.
Além disso, a Prefeitura precisa informar se eventual contratação definitiva exigirá licitação, novo acordo ou outro modelo jurídico.
Dados de saúde exigem proteção especial
O piloto trabalha com dados pessoais sensíveis, como informações clínicas e fotografias dos pés dos pacientes.
Por isso, a Prefeitura e a empresa precisam explicar quem controla os dados, quem opera a plataforma, onde as imagens ficam armazenadas, por quanto tempo são mantidas e se podem ser usadas para treinar o algoritmo.
Também falta esclarecer se há anonimização, transferência internacional de dados e relatório de impacto à proteção de dados.










