Um tamanduá apareceu no quintal de uma residência em Itacoatiara, na Região Oceânica de Niterói, nesta quarta-feira (19). O Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp) acionou a Guarda Ambiental, que retirou o animal da propriedade e depois o levou para uma área de mata no Caminho de Darwin, no Engenho do Mato.
A Prefeitura não informou a espécie do tamanduá, nem sexo, idade, peso ou como ele entrou no imóvel. Também não relatou ferimentos. Segundo o município, as condições do animal permitiram a soltura após o resgate.
O episódio chama atenção para uma situação recorrente em Niterói: o encontro entre animais silvestres e áreas urbanizadas. Na Região Oceânica, essa proximidade ganha ainda mais relevância porque bairros residenciais convivem lado a lado com fragmentos de Mata Atlântica e unidades de conservação.
Por isso, quando um animal silvestre aparece em casa, a principal orientação não é tentar retirá-lo. O morador deve manter distância, afastar crianças e animais domésticos e ligar para o 153.
Tamanduá foi levado para área de mata no Engenho do Mato
Depois que o Cisp recebeu a ocorrência, agentes da Coordenadoria de Meio Ambiente da Guarda Municipal foram até Itacoatiara.
A equipe realizou o manejo do tamanduá e o retirou do quintal. Em seguida, levou o animal ao Caminho de Darwin, no Engenho do Mato, onde ocorreu a soltura.
A reportagem evita, porém, afirmar que aquele local era o habitat original do mesmo indivíduo. Não há informação sobre a origem exata do animal ou sobre o caminho que ele percorreu até chegar à residência.
O Caminho de Darwin atravessa uma área do Parque Estadual da Serra da Tiririca, entre o Engenho do Mato, em Niterói, e Itaocaia, em Maricá. O plano de manejo do parque também identifica Itacoatiara e o próprio Caminho de Darwin entre as áreas relacionadas à unidade de conservação.
Essa proximidade ajuda a contextualizar os encontros entre moradores e fauna silvestre. No entanto, ela não permite determinar por que especificamente esse tamanduá entrou no quintal.
Fauna e casas dividem espaço na Região Oceânica
O caso desta semana não representa uma situação isolada.
Em dezembro de 2025, o Folha do Leste mostrou o resgate de uma jiboia de cerca de dois metros no telhado de uma casa em Itacoatiara. Na ocasião, os próprios moradores ligaram para o 153 e aguardaram a equipe especializada.
Meses antes, o portal também registrou uma jiboia encontrada dentro de uma máquina de lavar no Engenho do Mato. O episódio ocorreu na mesma Região Oceânica.
Além disso, a Guarda Ambiental já atendeu ocorrências envolvendo animais em piscinas, telhados, varandas, cozinhas, muros e outras partes de imóveis.
Esses casos não significam, por si só, que a fauna esteja avançando sobre a cidade ou que determinado problema ambiental tenha provocado os encontros. Para estabelecer causas como perda de habitat, queimadas ou expansão urbana, seria necessário analisar dados específicos.
Niterói registra milhares de resgates de animais silvestres
Os números municipais mostram a dimensão do trabalho de resgate.
A Guarda Ambiental contabilizou 2.647 animais silvestres resgatados em 2023. No ano seguinte, foram 2.670. Já em 2025, o total chegou a 3.179 animais.
Esses números abrangem toda Niterói e diferentes espécies. Portanto, não correspondem apenas à Região Oceânica, nem exclusivamente a mamíferos.
Entre os animais atendidos com frequência estão aves, répteis e mamíferos. A própria Prefeitura cita gambás, corujas, morcegos, lagartos, capivaras, gaviões, pássaros e serpentes entre as ocorrências registradas.
O crescimento do número de resgates entre 2024 e 2025 também exige cautela.
A estatística, sozinha, não permite concluir que mais animais passaram a entrar em áreas urbanas. Um aumento pode refletir, por exemplo, mais chamados da população, maior conhecimento do serviço ou mudanças no registro dos atendimentos.
Não há, no material consultado, um balanço exclusivo de janeiro a agosto de 2026.
Encontrou um animal silvestre? Não tente capturá-lo
A orientação mais importante começa por não interagir com o animal.
O morador não deve tocar, perseguir, pegar, alimentar ou tentar expulsá-lo com objetos. Além disso, deve evitar cercá-lo ou bloquear uma possível rota de afastamento.
Cães e gatos também precisam ficar longe. Dessa forma, diminui o risco de confronto e de ferimentos tanto para o animal doméstico quanto para a fauna silvestre.
A Guarda Ambiental orienta a população a manter distância e chamar uma equipe capacitada. O procedimento de manejo muda conforme a espécie, o local e as condições do animal.
Essa cautela protege também o morador. Um animal acuado pode reagir ao se sentir ameaçado, mesmo quando normalmente não procura contato com pessoas.
Por isso, a orientação não depende de o animal parecer dócil, pequeno ou aparentemente ferido.
Moradores podem acionar a Guarda pelo 153
Em Niterói, o morador deve ligar para o 153, número do Centro Integrado de Segurança Pública.
A partir do chamado, o Cisp aciona a equipe responsável pelo atendimento. A Coordenadoria de Meio Ambiente da Guarda Municipal atua em ocorrências com fauna silvestre dentro de residências, vias e outras áreas urbanizadas.
Quando encontra um animal em condições adequadas, a equipe pode encaminhá-lo para soltura em área natural. Já casos que exigem cuidados podem seguir para instituições especializadas, conforme avaliação feita durante o atendimento.
No caso do tamanduá encontrado em Itacoatiara, a Prefeitura informou apenas que o resgate ocorreu com segurança e que o animal seguiu para soltura no Caminho de Darwin.
Assim, o episódio terminou sem relato de ferimentos. Mas também deixa um serviço útil para quem mora perto de áreas verdes: encontrar um animal silvestre dentro de casa não é sinal para improvisar uma captura — é hora de manter distância e chamar quem sabe fazer o manejo.
Serviço
Encontrou um animal silvestre em Niterói?
Não tente capturar ou tocar no animal.
Mantenha distância.
Não persiga, alimente ou tente expulsá-lo com objetos.
Afaste crianças, cães e gatos.
Evite cercar ou acuá-lo.
Ligue para o 153 e informe a ocorrência ao Cisp.
Aguarde a equipe especializada.








