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O combate à obesidade deve começar desde a infância

Batata frita é um alimento que pode fazer a criança desenvolver obesidade. Foto: Reprodução/internet.

Batata frita é um alimento que pode fazer a criança desenvolver obesidade. Foto: Reprodução/internet.

A obesidade é um problema mundial E o combate a ela deve começar desde cedo. Principalmente nos casos de criança com sobrepeso. Isso porque o problema atinge 15% da população brasileira com idade entre 5 a 19 anos. É o que informou uma pesquisa da Unicef, em 2022, sobre o assunto.

O cenário reforça a necessidade de olhar para uma alimentação saudável desde os primeiros anos de vida. Por isso, o  médico pediatra Antonio Carlos Turner, explica por quê mães, pais e responsáveis devem se preocupar em combater a obesidade infantil.

Uma criança obesa tem uma chance muito maior de ser um adulto obeso, elevando o risco de, ainda na infância, desenvolver doenças crônicas típicas de adultos, como diabetes tipo 2, pressão alta (hipertensão arterial), colesterol e triglicerídeos altos, problemas do coração e até alguns tipos de câncer. Queremos que as crianças tenham uma vida longa e saudável, então é preciso prevenir essa doença que é a obesidade”, diz o especialista.

Pensando em um crescimento saudável, a moradora de Icaraí, Carolina Loureira conversou com o portal Folha do Leste sobre os hábitos que o filho Caíque, de 12 anos, tem desde que passou a comer alimentos mastigáveis. Além disso, ela explica que certos itens são proibidos em casa.

A alimentação do meu filho é bem tranquila. O café da manhã de hoje (quinta, dia 5) foi melancia picada com suco de laranja. Refrigerante é algo que não deixo entrar em casa. Então ninguém bebe. E até aqueles sucos prontos eu evito dar. Prefiro fazer diretamente da fruta”, comentou.

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Carolina Loureiro ao lado do filho Caíque, de 12 anos. Foto: acervo pessoal.

Carolina acrescentou que costuma também dar três tipos de legumes para o adolescente comer, embora “nem sempre consiga fazer isso todos os dias por causa da vida corrida”. Mas ela admite que, “de vez em quando”, deixa ele comer um biscoito recheado.

Como sou separada, às vezes ele fica com o pai. Nessas visitas, de um tempo pra cá eu deixo ele comer um biscoito. Dou essa permissão porque também não quero causar um conflito com o pai dele. Às vezes, consome alguns salgados industrializados. Mas, de forma geral, ele come bem, inclusive no lanche da escola. Hoje, por exemplo, ele vai levar morango para o recreio”, acrescenta.

Problema na tireóide potencializou ganho de peso

Já Fernanda Paes, moradora do Grajaú, na Zona Norte do Rio, conta que percebeu o problema de sobrepeso do filhe Matheus ainda nos primeiros meses de vida. Atualmente, com 10 anos, o menino tem uma condição que dificulta a perda de peso. O hipotiroidismo.

Quando ele tinha menos de dois meses de idade, recebi uma bronca da pediatra, que me advertiu que eu dava comida demais para ele. Só que argumentei que eu dava a quantidade necessária. Daí resolvemos fazer uns exames e descobrimos que ele tem hipotiroidismo. Embora ele nasceu com um peso normal, por volta de 3,3 quilos, notei que a partir dos dois meses ele começou a engordar”, relembra.

Fernanda recorda que pouco depois que Matheus completou 2 anos, se separou e, por isso, precisou morar uma época com a mãe. Nesse período, ela reconhece que os hábitos alimentares contribuíram para ele ganhar peso.

Assim que ele completou dois anos, eu me separei e precisei morar uma época com minha mãe. Infelizmente, os hábitos lá não foram saudáveis para nós. Muitos menos para ele. E nessa época, por causa do trabalho, não consegui ser tão presente para mudar isso. Apesar disso, ele gosta muito de frutas, legumes e verduras. Um exemplo disso é a couve, que ele come super de boa”, explica.

Fernanda ao lado do filho Matheus. Foto: acervo pessoal.

Fernanda ao lado do filho Matheus. Foto: acervo pessoal.

Uma luta que ela revela ter é o gosto que Matheus tem por hambúrguer e bacon. Por isso, ela faz, de forma artesanal, sem ser o indutrializado, como forma de dar a saciedade. Além disso, ela não inclui bacon e outros componentes, como o cheddar, para deixar esse tipo de lanche o mais natural possível.

Dicas para hábitos saudáveis começa na gestação

O pediatra Antônio Carlos Turner afirma que os hábitos saudáveis devem começar já na gravidez. Isso significa que a mulher grávida pode seguir dicas com a obstetra sobre exercícios físicos na gestação. Ele também recomendou que a mulher faça consultas regulares com um profissional de nutrição. Além disso, ele passa outras recomendações.

O leite materno é um fator protetor comprovado contra a obesidade infantil. Assim que a criança nascer, esse deve ser o alimento exclusivo do bebê até os 6 meses de vida. A partir disso, a alimentação pode ter o complemento de frutas, legumes, verduras, feijão, arroz, carnes. Coisas minimamento processadas. Também é bom ter variedade de cores e sabores; repita o alimento várias vezes, se a criança recusar. É fundamental também que mães, pais e responsáveis façam as refeições à mesa, em família, em ambiente tranquilo e longe das telas, salientou Turner.

Políticas para alimentação saudável na escola

Apesar da importância de se ter tais hábitos em casa, também há a discussão sobre a necessidade das escolas atuarem como aliadas nessa causa. Por isso, o Instituto Desiderata, organização da sociedade civil que atua na promoção de saúde de crianças e adolescentes, defende que haja a aplicação de políticas públicas mais robustas no Brasil para reverter essa tendência.

Citando Niterói como exemplo de boa prática a respeito, por meio Lei nº 3.766/2023, que estabelece restrições semelhantes à comercialização, oferta, distribuição e publicidade de ultraprocessados no ambiente escolar, a instituição afirma que é necessário mudar o crescimento da obesidade infantil no Brasil. Por isso, com base no relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), defende quais medidas as escolas devem tomar a respeito.

Entre as recomendações estão uma ampliação da política pública que regula a oferta de alimentação saudável nos ambientes escolares. Além disso, o instituto defende a restrição à publicidade de ultraprocessados voltada a crianças. Também há a defesa de implementação de rótulos frontais em embalagens, subsídios e incentivos fiscais para alimentos saudáveis e in natura, entre outros.

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