Manoel Carlos morre aos 92 anos e deixa legado eterno na teledramaturgia brasileira

Manoel Carlos morre aos 92 anos e deixa legado eterno na teledramaturgia brasileira | Reprodução/Instagram
A morte de Manoel Carlos encerra um dos capítulos mais emblemáticos da teledramaturgia brasileira. O autor morreu neste sábado (10), aos 92 anos, no Rio de Janeiro, deixando um legado que atravessou gerações e transformou o cotidiano familiar em dramaturgia universal.
A informação foi confirmada pela família. A causa da morte não foi divulgada.
Um autor que transformou o cotidiano em obra universal
Conhecido como Maneco, Manoel Carlos construiu uma trajetória singular ao retratar conflitos familiares, afetos interrompidos, sacrifícios silenciosos e relações humanas complexas, sempre com olhar atento para os detalhes da vida comum.
Suas novelas falaram de amor, ciúme, culpa e perdão sem recorrer a excessos, apostando na identificação direta do público com personagens profundamente humanos.
Doença marcou os últimos anos
O autor estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, onde fazia tratamento contra a Doença de Parkinson, condição que, no último ano, comprometeu de forma significativa suas funções motoras e cognitivas.
O velório será realizado de forma reservada, restrito a familiares e amigos próximos.
As Helenas como assinatura autoral
As Helenas se tornaram o traço mais reconhecível da obra de Manoel Carlos. De Baila Comigo a Em Família, essas personagens simbolizavam mulheres fortes, contraditórias, afetivas e capazes de transgredir limites morais em nome dos filhos.
O nome, segundo o próprio autor, nasceu de sua paixão pela mitologia grega, onde Helena representa força, paixão e capacidade de enfrentar guerras pessoais.
O Rio de Janeiro como personagem permanente
Manoel Carlos transformou o Rio de Janeiro, especialmente o Leblon, em parte essencial de sua narrativa. A cidade não servia apenas como pano de fundo, mas como elemento dramático que contrastava beleza, luz e paisagem com conflitos densos e emocionais.
Sol intenso, céu azul e dramas profundos coexistiam, criando uma estética que suavizava tragédias sem reduzir sua força dramática.
Trajetória consolidada na televisão brasileira
Maneco estreou na TV Globo em 1972 como diretor-geral do Fantástico. A partir de 1978, passou a se dedicar às novelas, assinando uma sequência de sucessos que marcaram época.
Entre eles estão Baila Comigo, Felicidade, História de Amor, Por Amor, Laços de Família, Mulheres Apaixonadas, Páginas da Vida e Viver a Vida, além de minisséries como Presença de Anita e Maysa – Quando Fala o Coração.
Reconhecimento e impacto social
Além da audiência expressiva, suas obras impulsionaram debates sociais relevantes, abordando temas como doação de medula óssea, alcoolismo, violência contra a mulher, preconceito e inclusão social.
O autor recebeu prêmios importantes, como Troféu Imprensa e Prêmio Extra de Televisão, consolidando seu nome como referência da dramaturgia nacional.
Família e perdas pessoais
Manoel Carlos deixa duas filhas, a atriz Júlia Almeida e a roteirista Maria Carolina, que colaborou com ele em diversas produções.
Outros três filhos faleceram ao longo de sua vida, perdas que marcaram profundamente sua trajetória pessoal e emocional.
Um olhar sobre a vida como ela é
Maneco rejeitava rótulos como realismo ou naturalismo. Preferia definir sua obra como verossímil, baseada na observação cotidiana das relações humanas.
Para ele, sentimentos como amor, inveja, ódio e ciúme atravessam todas as famílias, em qualquer lugar do mundo, e por isso suas histórias permanecem atuais.










































