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Michelle Bolsonaro: informações inéditas sobre pretensões políticas da ex-primeira-dama do Brasil

Michelle Bolsonaro: informações inéditas de pretensões políticas

Michelle Bolsonaro: informações inéditas de pretensões políticas

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro teria dito, meses atrás, à uma pessoa aliada muito íntima e próxima, que suas pretensões políticas para 2026 ficariam restritas à disputa por uma cadeira no Senado Federal pelo PL. Uma vez conquistada a cadeira — que lhe daria um mandato de 8 anos — Michelle seria candidata ao Planalto em 2030.

Obtive a informação em maio, quando apurava um outro fato e, por essa razão, manterei em sigilo a fonte. Na época, o país vivia o epicentro do rebuliço referente a divulgação da troca de mensagens entre o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência da República, e o empresário Daniel Vorcaro, dono do falido banco Master.

O teor das mensagens: cobrança de parcelas milionárias que estariam em atraso para financiamento do filmeDark Horse“, que narra a saga do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Detalhes da apuração

A virada de chave de minha conversa com a fonte ocorreu de modo natural. Vale destacar que a maior parte dos analistas políticos do país dava como insustentável a manutençã0 da pré-candidatura de Flávio. Consequentemente, o único nome Bolsonaro que sobrava para substituí-lo seria justamente o de Michelle.

Então, de forma descontraída, indaguei a fonte quanto à expectativa para, eventualmente assumir um ministério no futuro governo de Michelle em janeiro de 27. Deixei claro que sua proximidade com a então presidente do PL Mulher lhe credenciava a tanto.

Em resposta, ouvi, que “a intenção de Michelle, embora magoada, permanecia sendo a disputa ao Senado pelo DF”.

Insisti se o escândalo envolvendo Flávio não teria potencial de fazer Michelle retomar a luta pela candidatura ao Planalto. Novamente, a fonte negou. Mas disse que os planos presidenciáveis da esposa de Jair Bolsonaro miravam o Planalto em 2030, caso Lula vencesse as eleições.

Paranoia de Flavio

Até então, Michelle Bolsonaro se portou da exata maneira com que minha fonte descreveu. Não criou, a meu ver, nenhuma situação que pudesse atrapalhar Flávio Bolsonaro externa ou internamente. Contudo, qualquer pensante que deseje ou vislumbre algum sucesso da direita via PL nessas eleições sabe que a ex-primeira-dama passou a ter maior viabilidade após o escândalo.

Em qualquer disputa política normal, ela já teria substituído o candidato Flávio não fosse ele seu enteado. E não estivesse ela, também, submetida à vontade política do marido, dono da última palavra neste caso.

Os acontecimentos recentes revelam isso. Desde a divulgação do vídeo com seu desabafo até o afastamento da liderança do PL mulher, acertada nesta terça-feira (30), o que se vê, por parte dela, é desapego de poder. Além disso, discurso em defesa de uma vida que ela construiu ao lado de Jair Bolsonaro.

Já o senador Flávio Bolsonaro segue sem entender que o maior fantasma que assombra sua campanha é ele próprio. Mentiu para aliados, do mesmo modo que omitiu situações de potencial gerenciamento de crise para membros de sua pré-campanha.

O andarilho errante (e falante)

Por outro lado, Michelle aponta o dedo acertadamente para Ciro Gomes, que circulou por todos os espectros da política — do PDS de Maluf ao PSB de Miguel Arras e ao PDT de Leonel Brizola. Um homem público que sempre cuspiu em todos os pratos onde comeu.

Na época em que Jair Bolsonaro estava na presidência da República, Ciro Gomes se referia ao marido de Michelle como “ladrão de gasolina” em seus tempos como deputado federal. A referência tem relação com despesas do mandato parlamentar pagas pela Câmara Federal. Gastos com combustível se trata de uma delas.

Discurso fulminante

O ápice público da revolta de Michelle com Ciro Gomes aconteceu em 30 de novembro de 2025, na cidade de Fortaleza, capital do Ceará. Ela não só compareceu ao evento de lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao Governo do Ceará, como discursou contra Ciro Gomes.

Na ocasião, Michelle Bolsonaro criticou a articulação do PL cearense para se aproximar de Ciro Gomes. Acima de tudo, pelas ofensas dirigidas a Jair. Desde então, afirmou que ele não teria seu apoio.

Consequências e mágoas

Na mesma ocasião, levou um “pito” dos enteados. Em suma, para que não se envolvesse nas questões partidárias e deixasse isso por conta dos “homens”. Paralelamente, Bolsonaro estava preso há 5 dias.

Logo, o cargo de “comandante” estava vago. Mas em 5 de dezembro, Flávio Bolsonaro anunciou sua pré-candidatura à Presidência da República em 5 de dezembro de 2025. Ele disse ter recebido de seu pai, Jair Bolsonaro,  a “missão” de disputar o Planalto pelo PL em 2026.

Podada e humilhada desde então, Michelle ainda suportou e se submeteu, por muito tempo, às insinuações e situações embaraçosas. Diversas delas soavam a chantagem para manter oculto algo que ela não gostaria que se tornasse público sobre sua intimidade.

Mesmo que tenha aspirado alto, Michelle Bolsonaro jogou o tempo todo na bola. Já seus enteados, pelo contrário, tentaram escanteá-la a todo custo, já que não há como dar “cartão vermelho” em quem joga limpo.

Com Jesus e sem Bolsonaro

Por fim, me atrevo a dizer que Michelle sequer pode vir a precisar do sobrenome Bolsonaro para se consolidar na política. Até mesmo esse “passado” de que tanto falam de sua intimidade, que constantemente é usado para intimidá-la, pode se virar a seu favor.

Por mais que o feminismo passe longe do conservadorismo, já há sororidade por parte de algumas lideranças políticas solidárias e leais à Michelle. A principal delas, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF). Não menos importante, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP-DF); e também a deputada federal Bia Kicis (PL-DF).

Encerro com uma ponderação feita com fundamento em Cristo. Certa vez, Jesus estava diante de uma multidão preparada para apedrejar uma mulher. Ele interviu, argumentando que a primeira pedra deveria ser atirada por quem jamais tivesse pecado. Pelo visto, há muitas pessoas nessa história que jamais pecaram. Ou que falam muito em Jesus da boca para fora.

 

André Freitas
André Freitas é diretor-executivo e repórter do Folha do Leste e da Brasil 21 Comunicação. Jornalista e radialista desde a década de 1990, é narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, com 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Possui ampla experiência na cobertura da editoria de política, em razão de funções exercidas nos poderes Legislativo e Executivo, com atuação nas Câmaras Municipais de Niterói, São Gonçalo e Campos dos Goytacazes, além da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e da Prefeitura de Niterói. Dirigiu por 15 anos a Rádio Absoluta, onde apresentou programas noticiosos diários e conduziu coberturas esportivas, incluindo mais de uma década acompanhando a seleção brasileira de futebol. Nesse período, esteve presente em duas Copas do Mundo e em uma edição dos Jogos Olímpicos. Trabalhou também nas rádios Campos Difusora (Campos/RJ) e Litorânea (ES). Exerceu o cargo de editor-chefe nos jornais Olho Vivo (Niterói/RJ) e A Tribuna (Niterói/RJ), além de atuar como colunista do jornal O Diário (Campos dos Goytacazes/RJ).

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