O Botafogo não conseguiu apresentar a resposta que precisava depois da goleada histórica sofrida no Peru e voltou a perder neste domingo (16). Com gol de Matheuzinho em cobrança de pênalti, o Vitória venceu por 1 a 0 no Barradão, pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro, deixando a equipe de Franclim Carvalho ainda mais pressionada às vésperas da tentativa de uma improvável reação contra o Cienciano pela Copa Sul-Americana.
O Alvinegro permaneceu com 30 pontos e terminou o domingo na 11ª colocação, enquanto o Vitória chegou a 29 e encostou na tabela. Mais preocupante do que a classificação, porém, é o momento da equipe: em quatro dias, o Botafogo sofreu o 6 a 1 para o Cienciano e perdeu um jogo no qual precisava recuperar confiança antes de voltar ao cenário continental.
A noite ainda terminou em confusão. Depois do apito final, Arthur Cabral discutiu com Jair Ventura, colocou a mão sobre a boca durante o desentendimento e recebeu cartão vermelho, o que também transforma o centroavante em desfalque para a próxima rodada do Brasileirão.
Botafogo começa melhor e para em Lucas Arcanjo
Apesar do momento delicado, o Botafogo apresentou uma postura mais agressiva nos minutos iniciais e teve a primeira grande oportunidade da partida. Aos 14 minutos, Matheus Martins cobrou falta para a área, Arthur Cabral ganhou a disputa pelo alto e cabeceou com perigo, mas Lucas Arcanjo reagiu rapidamente e fez uma defesa importante.
O Vitória demorou um pouco mais para encontrar espaços, embora tenha começado a equilibrar as ações conforme o primeiro tempo avançava. Emmanuel Martínez arriscou de fora da área e levou perigo, enquanto a equipe de Jair Ventura passou a explorar principalmente os espaços deixados pelo lado direito da defesa alvinegra.
A partida ainda não apresentava domínio claro de nenhuma das equipes quando um lance individual mudou o cenário.
Huguinho derruba Erick, e Matheuzinho abre o placar
Aos 23 minutos, Erick partiu para cima da marcação, conseguiu superar o primeiro adversário e entrou na área, onde acabou derrubado por Huguinho. Paulo Cesar Zanovelli da Silva marcou o pênalti, e Matheuzinho assumiu a cobrança três minutos depois para colocar o Vitória em vantagem.
O gol teve consequência imediata também na estratégia de Franclim Carvalho. Como Huguinho já havia recebido cartão amarelo, o treinador preferiu não correr o risco de ficar com um jogador a menos e promoveu sua substituição por Júnior Santos ainda durante o primeiro tempo.
A mudança tornou o Botafogo mais ofensivo no papel, mas não resolveu a dificuldade para construir jogadas próximas da área. Ao mesmo tempo, o Vitória cresceu com a vantagem, passou a atacar com mais confiança e chegou a balançar novamente a rede.
Vitória tem segundo gol anulado
Matheuzinho apareceu outra vez depois de uma saída errada do Botafogo. Erick recuperou a jogada e levantou a bola para o camisa 10, que cabeceou para marcar, mas a arbitragem apontou impedimento e anulou o lance.
O Botafogo conseguiu escapar do segundo gol, porém não aproveitou o aviso para recuperar o controle da partida. Mesmo com jogadores ofensivos em campo, a equipe apresentava dificuldades para acelerar a circulação da bola e fazer Lucas Arcanjo trabalhar novamente.
Antes do intervalo, Danilo Pereira também recebeu uma entrada forte de Ramon em uma disputa, mas o lance não resultou em expulsão. Assim, o Vitória levou a vantagem mínima para o vestiário e deixou para Franclim a necessidade de encontrar uma resposta durante o intervalo.
Botafogo volta sem conseguir mudar o jogo
A reação esperada não apareceu no segundo tempo. O Botafogo manteve mais jogadores no campo ofensivo, mas encontrou dificuldades para desmontar a organização do Vitória, que passou a controlar melhor os espaços e escolheu os momentos para acelerar em busca do segundo gol.
Quando o Alvinegro conseguiu chegar pelo alto, Lucas Arcanjo apareceu novamente. O goleiro, um dos destaques da vitória baiana, manteve segurança nas bolas lançadas na área e fez defesas importantes nos momentos em que o Botafogo ameaçou empatar.
Do outro lado, o Vitória teve a melhor oportunidade para ampliar aos 14 minutos da segunda etapa. Tarzia chegou à linha de fundo e cruzou para trás; Warleson tentou cortar, mas a bola sobrou para Renê diante do gol praticamente aberto. Vitinho conseguiu se recuperar e salvou praticamente sobre a linha.
O lance mostrou a dificuldade do Botafogo para manter equilíbrio enquanto tentava atacar. A necessidade de buscar o empate abriu espaços, e o Vitória passou a encontrar situações mais claras do que o próprio Alvinegro.
Júnior Santos quase empata no fim
Franclim realizou novas alterações e tentou aumentar a presença ofensiva, mas o Botafogo continuou dependendo principalmente de bolas levantadas na área.
A melhor oportunidade para empatar surgiu aos 37 minutos, quando Ferraresi fez o lançamento pelo lado direito e Júnior Santos apareceu mergulhando para cabecear. Lucas Arcanjo, porém, voltou a responder bem e impediu o empate.
O Vitória conseguiu administrar os minutos finais sem permitir uma pressão contínua e confirmou uma vitória importante depois de quatro partidas sem vencer no Campeonato Brasileiro. Para o Botafogo, entretanto, o apito final não encerrou os problemas da noite.
Arthur Cabral discute com Jair Ventura e acaba expulso
Depois do fim da partida, Arthur Cabral foi até Jair Ventura e iniciou uma discussão com o treinador do Vitória. Durante o desentendimento, o atacante colocou a mão sobre a boca enquanto falava e recebeu cartão vermelho.
A expulsão ocorreu depois de um atrito que já havia começado nos minutos finais. O episódio desencadeou uma confusão entre jogadores e integrantes das duas equipes antes de a situação ser controlada.
Arthur Cabral, portanto, fica suspenso para o próximo compromisso do Botafogo pelo Campeonato Brasileiro, contra o Athletico-PR.
O episódio pode render uma pauta própria, sobretudo porque o cartão vermelho foi aplicado com base na nova interpretação disciplinar para situações em que jogadores cobrem a boca durante confrontos verbais em campo.
Segunda derrota em quatro dias aumenta pressão sobre Franclim
O resultado ganha dimensão maior quando colocado ao lado do que ocorreu na quinta-feira (13).
Em Cusco, o Botafogo sofreu 6 a 1 para o Cienciano, a maior vitória de uma equipe peruana sobre um clube brasileiro na história das competições organizadas pela Conmebol. Matías Succar marcou três vezes, Neri Bandiera anotou duas e Marcos Martinich completou a goleada, enquanto Matheus Martins fez o único gol alvinegro.
Antes daquela partida, o Botafogo atravessava a retomada do calendário sem derrotas no Campeonato Brasileiro. O resultado no Peru rompeu essa sequência e aumentou a pressão sobre Franclim Carvalho, que chegou a Salvador já necessitando de uma resposta da equipe.
Ela não veio.
Embora o 1 a 0 no Barradão tenha sido muito diferente do colapso apresentado em Cusco, o Botafogo voltou a mostrar dificuldades ofensivas e terminou mais uma partida sem conseguir reagir depois de ficar em desvantagem.
Por isso, a derrota naturalmente aumenta o peso da avaliação sobre Franclim. Até o momento, porém, o Botafogo não tornou pública qualquer decisão sobre o futuro do treinador, e seria precipitado tratar uma demissão como fato consumado.
Danilo Pereira entra, mas não consegue mudar ataque
Danilo Pereira, que havia virado dúvida depois de sofrer um ferimento no pé antes da partida contra o Cienciano, conseguiu entrar no segundo tempo diante do Vitória.
O atacante havia levado três pontos no local após um pisão durante treinamento realizado antes da viagem ao Peru. Mesmo machucado, seguiu com a delegação para Cusco, mas permaneceu no banco durante a goleada por 6 a 1.
No Barradão, Franclim colocou Danilo na vaga de Matheus Martins durante a segunda etapa, tentando aumentar a presença física no ataque. Entretanto, o reforço ainda não conseguiu ter participação suficiente para alterar o desempenho ofensivo da equipe.
Botafogo fica em 11º e vê Vitória encostar
A derrota manteve o Botafogo com 30 pontos e tirou a equipe das dez primeiras posições do Campeonato Brasileiro. O Alvinegro terminou o domingo em 11º lugar, enquanto o Vitória chegou a 29 pontos e ficou imediatamente próximo na classificação.
O resultado também interrompeu a invencibilidade que o Botafogo mantinha no Brasileirão desde a retomada do calendário após a Copa do Mundo. Antes do confronto no Barradão, a equipe havia vencido Santos e Cruzeiro, além de empatar com Vitória e Fluminense.
Agora, porém, a classificação nacional ficará temporariamente em segundo plano porque o clube enfrenta uma missão muito mais complicada na Sul-Americana.
Botafogo precisa de goleada histórica contra o Cienciano
Na próxima quinta-feira (20), às 21h30, Botafogo e Cienciano voltam a se enfrentar no Estádio Nilton Santos pelo jogo de volta das oitavas de final da Copa Sul-Americana.
Depois da derrota por 6 a 1 no Peru, o Alvinegro precisa vencer por cinco gols de diferença para levar a decisão aos pênaltis. Uma vitória por seis ou mais gols garante a classificação direta para as quartas de final.
O desafio já seria enorme em qualquer circunstância. Agora, tornou-se ainda mais pesado porque o Botafogo chega à decisão depois de duas derrotas consecutivas, sete gols sofridos e apenas um marcado em quatro dias.
Franclim Carvalho terá, portanto, pouco tempo para tentar recuperar uma equipe que saiu de Cusco abalada, não conseguiu reagir em Salvador e terá de produzir no Nilton Santos uma atuação completamente diferente para continuar viva na competição continental.








