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Reajuste de 4,5% não fecha acordo, e rodoviários decidem rumo da greve nesta terça

Ônibus urbanos circulam em avenida do Rio de Janeiro durante negociação entre rodoviários e empresas

Reajuste de 4,5% não fecha acordo, e rodoviários decidem rumo da greve nesta terça | Reprodução

A greve dos rodoviários no Rio pode ganhar novos rumos nesta terça-feira (07). A categoria vai discutir a proposta apresentada pelas empresas de ônibus, que prevê reajuste salarial de 4,5%, mas o sindicato afirma que não colocará o acordo em votação sem avanços em pontos ligados à alimentação, saúde, segurança e condições básicas de trabalho.

O Rio Ônibus apresentou o novo percentual durante audiência no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1), nesta segunda-feira (6). A oferta aumentou em apenas 0,11 ponto percentual a proposta anterior, de 4,39%.

Por enquanto, os ônibus circulam normalmente na cidade do Rio. No entanto, os trabalhadores seguem em estado de greve desde a suspensão da paralisação iniciada no fim de junho.

Sindicato cobra condições além do reajuste

Para o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, a negociação não pode se limitar ao percentual de aumento salarial.

Ele afirma que motoristas enfrentam problemas como falta de água potável, ausência de banheiros nos pontos finais e dificuldade para fazer refeições durante a jornada.

“Imagina o rodoviário ter que sair de casa com uma garrafa de dois litros de água na bolsa. Isso é inadmissível”, disse.

Segundo o dirigente, a categoria quer salário maior, mas também cobra respeito às condições de trabalho. Por isso, o sindicato condiciona qualquer votação à revisão de cláusulas que tratam de benefícios e punições.

Cesta básica virou um dos principais impasses

O sindicato também questiona regras que podem retirar a cesta básica de trabalhadores por faltas. Sebastião José afirmou que a categoria considera o benefício essencial e não aceita descontos ou cortes que comprometam a alimentação dos rodoviários.

“Sem boa-fé não tem negociação”, declarou.

Ele acrescentou que a proposta atual pode aumentar a revolta da categoria e elevar o risco de uma nova paralisação. Ainda assim, afirmou que os trabalhadores não querem repetir os transtornos registrados na semana passada.

TRT sugere reajuste de 5%

Durante a audiência, o desembargador Gustavo Tadeu Alkmim, que presidiu a sessão, sugeriu um reajuste de 5%.

O magistrado demonstrou preocupação com uma possível retomada da greve e lembrou que, na reunião anterior, as empresas sinalizaram uma contraproposta mais robusta.

“Me preocupa muito retomarmos o estado de coisas da semana passada, um estado de embate que ninguém sai ganhando”, afirmou.

Já o presidente do Rio Ônibus, João Gouveia, disse que a situação financeira das empresas limita a margem de negociação. Segundo ele, 11 viações estão em recuperação judicial.

Assembleia decide próximos passos

O sindicato vai apresentar a proposta à categoria nesta terça-feira. Os rodoviários poderão manter a pressão por uma nova rodada de negociação, aceitar os termos ou deliberar pela retomada da greve.

A decisão terá impacto direto no transporte público do Rio, já que a paralisação anterior provocou redução da frota e dificuldades para passageiros em diferentes regiões da cidade.

Greve durou três dias no fim de junho

Os rodoviários iniciaram a última greve à meia-noite de 29 de junho. A Justiça determinou que pelo menos 80% da frota circulasse durante o movimento.

No primeiro dia, porém, menos de 1.000 ônibus teriam operado na cidade. A mobilização também provocou manifestações no Centro, com interrupção de viagens e veículos parados em vias importantes.

O Rio Ônibus afirmou que cerca de 50 coletivos sofreram atos de vandalismo durante a paralisação.

Em 1º de julho, uma reunião com aproximadamente 1.500 trabalhadores decidiu suspender a greve. Entretanto, a categoria manteve o estado de greve enquanto esperava uma nova proposta patronal.

Reivindicações dos rodoviários

A pauta apresentada pela categoria inclui:

  • R$ 5 mil para motoristas de ônibus articulados;
  • R$ 4 mil para os demais motoristas;
  • fim dos contratos temporários e contratação pela CLT para profissionais do BRT;
  • tíquete-alimentação de R$ 1 mil;
  • jornada de trabalho no modelo 5×2;
  • manutenção do passe livre para a categoria;
  • indenização pelos 30 minutos de intervalo para almoço;
  • plano de saúde e odontológico.
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Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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