Sismógrafos detectaram dois tremores de terra no litoral do Rio, a cerca de 60 quilômetros de Maricá, no sábado (04). O primeiro abalo alcançou magnitude 3.0, às 17h59. Quatro minutos depois, a mesma área registrou uma réplica de magnitude 2.0.
A Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) captou os sinais e encaminhou os dados para análise do Centro de Sismologia da USP. Apesar da sequência, a rede não recebeu relatos de moradores que tenham sentido os abalos.
O episódio reforça uma atividade que voltou a chamar atenção na costa fluminense nos últimos meses. Em maio, outra série de tremores ocorreu perto de Maricá. Depois, no fim de junho, sismógrafos identificaram novos eventos próximos a Saquarema, na Região dos Lagos.
Costa sudeste concentra pequenos abalos no mar
O sismólogo do Observatório Nacional, Gilberto Leite, explica que pequenos terremotos surgem com frequência na costa sudeste por causa das tensões tectônicas que atuam na crosta terrestre.
Segundo ele, a margem sudeste concentra a principal zona sísmica em mar aberto do país. Por isso, os equipamentos detectam eventos de baixa magnitude mesmo quando eles não provocam percepção em cidades do litoral.
“O Brasil registra pequenos tremores de terra com certa frequência, especialmente devido às tensões tectônicas que atuam na crosta terrestre”, afirmou o especialista.
Na maioria dos casos, os abalos acontecem longe da costa e liberam pouca energia. Assim, a população não sente os tremores, embora as estações sísmicas registrem cada movimentação.
Maricá e Saquarema tiveram outras sequências
Entre os dias 21 e 22 de maio, equipamentos identificaram uma sequência de tremores na altura de Maricá. Na ocasião, o maior evento atingiu magnitude 3.3.
Depois, entre 26 e 30 de junho, a RSBR detectou nove abalos perto de Saquarema. O mais forte chegou a magnitude 2.5.
O tremor de sábado, portanto, ficou abaixo do maior evento de maio. No entanto, superou a intensidade máxima observada na sequência de junho.
| Período | Área aproximada | Maior magnitude |
|---|---|---|
| 21 e 22 de maio | Litoral próximo a Maricá | 3.3 |
| 26 a 30 de junho | Costa próxima a Saquarema | 2.5 |
| 4 de julho | Cerca de 60 km de Maricá | 3.0 |
Especialistas não conseguem prever novos tremores
O Observatório Nacional coordena a RSBR com apoio do Serviço Geológico do Brasil. A estrutura acompanha a atividade sísmica em terra e no oceano, além de reunir dados para estudos técnicos.
No entanto, os especialistas não conseguem apontar quando ocorrerá um novo abalo, nem estimar sua magnitude. Por isso, o monitoramento continua, mas a evolução da atividade sísmica na região permanece incerta.








