A greve dos rodoviários no RJ começou à meia-noite desta segunda-feira (29) com frota reduzida, longas esperas em pontos da cidade e troca de acusações entre trabalhadores e empresas.
O Rio Ônibus, sindicato patronal, afirmou que mais de 40 coletivos foram vandalizados durante piquetes na madrugada. A entidade também informou que cerca de 870 ônibus saíram das garagens no início da manhã, número abaixo dos 1.800 veículos que, segundo as empresas, deveriam circular para cumprir a decisão judicial.
Enquanto isso, o Sindicato dos Rodoviários afirma que as empresas não enviaram as escalas de trabalho necessárias para organizar a operação mínima exigida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região.
A paralisação ocorre por tempo indeterminado e atinge as linhas municipais da capital.
Justiça determinou circulação mínima de 50% da frota
Antes do início da greve, o TRT-1 determinou que as empresas e os trabalhadores mantenham ao menos 50% da frota operacional ativa, por linha e itinerário.
A decisão também fixou multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento. A penalidade pode atingir separadamente o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Rodoviário de Passageiros do Município do Rio de Janeiro, o Sintrucad-Rio, e o Rio Ônibus.
Mesmo com a ordem judicial, passageiros relataram dificuldades para encontrar ônibus em bairros da Zona Oeste durante as primeiras horas da manhã.
Passageiros relatam espera de até duas horas
Moradores de regiões como Realengo, Campo Grande e Guaratiba relataram demora e ausência de linhas nos pontos.
Daniel Monteiro, de Realengo, afirmou que esperou duas horas sem conseguir embarcar.
“A situação está muito difícil para quem depende do transporte público para trabalhar e estudar. Muitos moradores da região estão enfrentando o mesmo problema e sem qualquer previsão de normalização”, relatou.
Em Campo Grande, Ester Santos disse que precisou recorrer a transporte por aplicativo.
“Tive que chamar Uber pro trabalho. Não passa ônibus nenhum em Campo Grande”, afirmou.
Já Eliane Cardoso, moradora de Guaratiba, relatou dificuldades com a linha 857, que liga Pingo D’Água a Campo Grande.
Rio Ônibus atribui frota menor a piquetes e vandalismo
Em nota, o Rio Ônibus afirmou que as garagens permaneceram abertas desde a meia-noite para permitir a saída dos coletivos.
Segundo a entidade, os atos registrados durante a madrugada prejudicaram a circulação e impediram o cumprimento integral da determinação judicial.
A empresa também informou que uma pessoa ficou ferida em uma das ocorrências. Até a última atualização, porém, não havia confirmação sobre a identidade da vítima, seu estado de saúde ou as circunstâncias do caso.
As informações sobre vandalismo foram divulgadas pelo sindicato patronal e ainda não tiveram confirmação independente de órgãos policiais.
Sindicato culpa empresas por falta de escala
O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, responsabilizou o Rio Ônibus pela frota abaixo do percentual determinado pela Justiça.
Segundo ele, o sindicato solicitou formalmente as escalas dos trabalhadores antes da assembleia que decidiu pela greve. No entanto, a entidade afirma que não recebeu o documento.
“Nós tínhamos que colocar 50% da frota, mas não nos forneceram a escala. Então, quem está dificultando o cumprimento da decisão judicial é o sindicato patronal”, declarou.
A divergência entre as duas partes ocorre no primeiro dia da paralisação e ainda não há previsão de acordo.
BRT opera com frota reduzida
A MOBI-Rio informou, às 7h10, que o BRT operava com 68% da frota planejada. Segundo a empresa, 278 veículos circulavam nos quatro corredores e todas as estações permaneciam abertas.
A Prefeitura do Rio informou que metrô, trens e barcas funcionam normalmente e podem servir como alternativas para quem precisa se deslocar pela cidade.
O prefeito Eduardo Cavaliere afirmou que equipes municipais viraram a madrugada no Centro de Operações e em diferentes pontos da capital para reduzir os impactos da paralisação.
Greve coincide com ponto facultativo e jogo do Brasil
A greve acontece em um dia de ponto facultativo nas repartições públicas municipais por causa do jogo entre Brasil e Japão, pela segunda fase da Copa do Mundo.
Com menos pessoas indo ao trabalho em horário comercial, a Prefeitura trabalha com uma escala reduzida de transporte. Ainda assim, a paralisação afeta passageiros que dependem de ônibus para trabalhar, estudar ou buscar atendimento médico.
Rodoviários exigem reajuste e mudanças na jornada
Entre as reivindicações da categoria estão:
- mudança da data-base para 1º de março;
- salário de R$ 5 mil para motoristas de ônibus articulados;
- salário de R$ 4 mil para os demais motoristas;
- fim dos contratos temporários e contratação pela CLT para profissionais do BRT;
- tíquete-alimentação de R$ 1 mil;
- jornada de trabalho em escala 5×2;
- manutenção do passe livre para trabalhadores;
- pagamento dos 30 minutos do intervalo de almoço;
- plano de saúde e odontológico.
Segundo o sindicato, a proposta patronal elevaria o salário do motorista de ônibus convencional de R$ 3.420,16 para R$ 3.570,31. Para condutores de articulados na categoria E, o valor subiria de R$ 4.104,18 para R$ 4.284,35.
O auxílio-alimentação passaria de R$ 660 para R$ 689, conforme os cálculos divulgados pela entidade.









