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PF pede mais 90 dias para investigar repasses de Vorcaro ao filme Dark Horse, sobre Bolsonaro

Cartaz do filme Dark Horse apresenta personagem com faixa presidencial brasileira diante de edifício oficial, sob céu nublado.

PF pede mais 90 dias para investigar repasses de Vorcaro ao filme Dark Horse, sobre Bolsonaro | Divulgação

A Polícia Federal (PF) pediu mais 90 dias para investigar o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 16 de outubro. A investigação examina pagamentos atribuídos ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na negociação dos recursos.

Segundo relatórios policiais divulgados em setembro, Flávio teria solicitado R$ 131 milhões a Vorcaro para financiar a produção. Desse montante, aproximadamente R$ 60 milhões teriam sido pagos. Entretanto, a Polícia Federal ainda busca esclarecer a origem, a movimentação e a destinação dos valores.

Além disso, os investigadores identificaram US$ 12,33 milhões em remessas financeiras para um fundo nos Estados Unidos. Por isso, a corporação solicitou cooperação internacional para obter documentos e concluir a análise das operações. O senador nega irregularidades e sustenta que os recursos destinados ao filme tinham origem privada.

Polícia Federal pede mais 90 dias para concluir investigação

O pedido de prorrogação foi apresentado pelo delegado Anderson Rodrigo Andrade de Lima, responsável pela investigação dos repasses relacionados ao filme.

Segundo a Agência Brasil, a Polícia Federal informou ao STF que ainda precisa concluir perícias contábeis. Além disso, aguarda documentos financeiros solicitados às autoridades dos Estados Unidos.

Os registros internacionais são necessários para esclarecer as operações realizadas por empresas e fundos que teriam recebido recursos destinados à produção.

Por sua vez, os investigadores também analisam documentos apresentados pelo empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, colaborador do caso Banco Master.

Parte desse material trata de transferências para o fundo norte-americano Havengate Development Fund. A Polícia Federal busca estabelecer como os recursos circularam e quais foram seus destinatários finais.

Entretanto, o pedido de prorrogação não significa que a Justiça tenha automaticamente concedido os 90 dias adicionais. A informação consultada confirma a solicitação, mas não apresenta decisão posterior específica sobre seu deferimento.

Flávio Bolsonaro teria solicitado R$ 131 milhões a Daniel Vorcaro

A investigação começou após a divulgação de conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, relacionadas ao financiamento de Dark Horse.

Segundo relatórios da Polícia Federal, o senador participou das negociações para obter recursos destinados à produção cinematográfica sobre seu pai.

O valor solicitado teria alcançado R$ 131 milhões, enquanto aproximadamente R$ 60 milhões teriam sido efetivamente pagos.

Os documentos também apresentam mensagens sobre o andamento do projeto e a necessidade de regularizar parcelas financeiras.

Em setembro de 2025, Flávio procurou Vorcaro para tratar de pagamentos atrasados. Na ocasião, mencionou preocupações com compromissos assumidos com profissionais internacionais envolvidos no filme.

Entre os nomes citados estava o ator Jim Caviezel, escalado para interpretar Jair Bolsonaro na cinebiografia.

Além disso, os relatórios registram conversas entre o senador e o empresário em novembro de 2025, pouco antes da deflagração da Operação Compliance Zero.

Entretanto, a existência dessas mensagens não demonstra, isoladamente, que Flávio Bolsonaro tenha recebido pessoalmente os valores. A investigação examina a negociação e o destino do financiamento.

Dinheiro relacionado ao filme passou por fundo nos Estados Unidos

O rastreamento internacional constitui uma das principais frentes da investigação conduzida pela Polícia Federal.

Segundo relatório de inteligência financeira citado pelos investigadores, a empresa Entre Investimentos realizou pelo menos sete transferências para o Havengate Development Fund LP.

As remessas somaram US$ 12,33 milhões e tiveram como destino uma estrutura financeira sediada nos Estados Unidos.

De acordo com a Polícia Federal, o fundo permaneceu sem atividade pública identificada durante quase quatro anos. Entretanto, voltou a receber movimentações em fevereiro de 2025.

A primeira transferência mencionada no relatório ocorreu em 13 de fevereiro daquele ano, no valor de US$ 2 milhões.

O Havengate é administrado pelo advogado de imigração Paulo Calixto, identificado na investigação como pessoa próxima ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

Além disso, a Polícia Federal examina se parte dos recursos enviados poderia ter financiado despesas relacionadas à permanência de Eduardo nos Estados Unidos.

Essa hipótese permanece sob investigação. Portanto, as remessas identificadas não comprovam, por si só, que o dinheiro tenha recebido destinação irregular.

Valores investigados não podem ser somados como operações diferentes

Os relatórios apresentam cifras que correspondem a etapas distintas do financiamento de Dark Horse.

O valor de R$ 131 milhões representa o montante que Flávio teria solicitado a Daniel Vorcaro, segundo a Polícia Federal.

Já os aproximadamente R$ 60 milhões correspondem aos pagamentos informados na investigação. Reportagens anteriores também mencionaram estimativas próximas de R$ 61 milhões.

Por outro lado, os US$ 12,33 milhões representam transferências internacionais identificadas em registros financeiros.

Essas quantias não devem ser simplesmente somadas. Afinal, podem representar movimentações relacionadas a uma mesma cadeia de financiamento, registradas em momentos e moedas diferentes.

Além disso, a ligação de Daniel Vorcaro com o Banco Master não comprova que os pagamentos tenham saído diretamente das contas da instituição bancária.

A identificação da origem patrimonial e dos beneficiários finais integra os objetivos da investigação em andamento.

André Mendonça autorizou investigação contra Flávio Bolsonaro

Em 22 de julho de 2026, o ministro André Mendonça autorizou a abertura de investigação sobre os repasses atribuídos a Daniel Vorcaro.

A decisão atendeu a um pedido da Polícia Federal e contou com manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

O procedimento também teve origem em questionamentos apresentados pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), que solicitou a apuração das negociações envolvendo o senador.

Assim, Flávio Bolsonaro passou a integrar formalmente a investigação, relacionada a suspeitas de irregularidades na movimentação dos recursos.

Posteriormente, em setembro, a Justiça tornou públicos documentos que detalham mensagens e operações financeiras examinadas pelos investigadores.

Entretanto, a divulgação de parte dos relatórios não elimina a necessidade de preservar diligências que ainda dependam de sigilo.

Além disso, a abertura de um inquérito não corresponde ao oferecimento de denúncia criminal nem constitui reconhecimento de culpa.

Eduardo Bolsonaro também aparece na investigação do financiamento

Os relatórios da Polícia Federal também examinam a participação de Eduardo Bolsonaro na organização financeira do projeto.

Segundo a investigação, mensagens encaminhadas ao empresário Daniel Vorcaro discutiam procedimentos para transferir recursos aos Estados Unidos.

Uma das conversas mencionava dificuldades operacionais que poderiam surgir caso a empresa responsável não tivesse capacidade financeira compatível com os valores enviados.

Por isso, os investigadores buscam compreender a estrutura utilizada para receber os pagamentos e realizar despesas relacionadas ao filme.

Além disso, avaliam a possibilidade de utilização dos recursos para outras finalidades.

Entretanto, não há conclusão judicial definitiva sobre a participação individual de Eduardo Bolsonaro em eventuais irregularidades financeiras.

Outra investigação apura possível desvio de emendas para o filme

Paralelamente ao inquérito sobre Daniel Vorcaro, a Polícia Federal conduz outra investigação relacionada à produção de Dark Horse.

Essa segunda frente tramita sob a relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, e examina suspeitas de desvio de recursos públicos.

Em 10 de setembro de 2026, a Polícia Federal deflagrou a Operação Make Up, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU).

A operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.

Entre os investigados estão o deputado federal Mário Frias (PL-SP), produtor executivo do filme, e a empresária Karina Ferreira da Gama.

Segundo o STF, as investigações examinam recursos destinados ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura, entidades relacionadas à empresária.

A Controladoria-Geral da União identificou R$ 2 milhões em recursos federais destinados ao Instituto Conhecer Brasil por meio de duas emendas parlamentares.

Conforme a Polícia Federal, há suspeitas de que parte dos recursos tenha sido desviada para finalidades diferentes daquelas previstas nos projetos.

Entre os possíveis destinos investigados está a produção de Dark Horse. Entretanto, a suspeita de desvio ainda depende de comprovação e responsabilização individual.

PF investiga transferências de Mário Frias à produtora do filme

A investigação autorizada por Flávio Dino também examina movimentações financeiras envolvendo o deputado Mário Frias.

Segundo documento divulgado pelo Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal identificou R$ 645 mil enviados pelo parlamentar à Go Up Entertainment durante aproximadamente 60 dias.

A corporação considerou os valores incompatíveis com os rendimentos mensais identificados do deputado.

Além disso, os investigadores analisam despesas relacionadas a hotéis, restaurantes e serviços contratados durante a produção.

O filme teve gravações em São Paulo entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025, período também examinado nos relatórios financeiros.

Entretanto, a existência de transferências e despesas não comprova automaticamente desvio de dinheiro público.

Por isso, a investigação procura estabelecer a origem dos recursos e verificar se houve utilização irregular das emendas parlamentares.

Investigações de Mendonça e Dino possuem objetos diferentes

Embora envolvam a mesma produção cinematográfica, os dois procedimentos judiciais examinam conjuntos diferentes de fatos.

O inquérito relacionado a Daniel Vorcaro investiga pagamentos atribuídos ao ex-controlador do Banco Master e movimentações financeiras internacionais.

Já a Operação Make Up analisa suspeitas de desvio de recursos públicos por meio de emendas parlamentares e entidades privadas.

Além disso, os procedimentos possuem relatores distintos no Supremo Tribunal Federal e alcançam diferentes pessoas e operações.

Portanto, não é correto apresentar os R$ 2 milhões em emendas como parte comprovada dos pagamentos atribuídos a Daniel Vorcaro.

Da mesma forma, os fatos investigados em uma frente não demonstram automaticamente a participação dos envolvidos na outra.

Flávio Bolsonaro nega irregularidades no financiamento

Desde a divulgação das primeiras informações sobre o financiamento, Flávio Bolsonaro nega ter negociado vantagens indevidas com Daniel Vorcaro.

O senador reconheceu a existência de contatos relacionados à produção de Dark Horse. Entretanto, sustentou que os recursos eram privados e que a captação de investimentos não constituía irregularidade.

A defesa apresentada publicamente distingue a obtenção de financiamento para uma produção audiovisual de eventual recebimento pessoal de valores.

Por outro lado, a Polícia Federal continua investigando a origem e a destinação dos recursos. Também busca esclarecer o papel de cada participante nas operações examinadas.

O Folha do Leste já acompanhou os desdobramentos institucionais do caso Banco Master, incluindo o julgamento no STF sobre as controvérsias relacionadas à condução das investigações.

Entretanto, as controvérsias processuais envolvendo o banco não substituem a análise específica das provas reunidas no inquérito sobre Dark Horse.

Investigação ainda precisa esclarecer destino final do dinheiro

O pedido de prorrogação apresentado em 16 de outubro demonstra que a Polícia Federal ainda busca elementos para concluir a investigação financeira.

As diligências incluem perícias contábeis, análise de documentos e obtenção de registros de instituições sediadas nos Estados Unidos.

Além disso, os investigadores pretendem confrontar as movimentações financeiras com os contratos e as despesas relacionadas à produção cinematográfica.

Até a conclusão da apuração consultada, não havia confirmação pública de decisão definitiva sobre a responsabilidade criminal dos investigados.

Assim, permanecem sob exame três questões centrais: a origem dos recursos, o percurso das transferências internacionais e a identificação dos beneficiários finais dos pagamentos.

Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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