Eduardo Bolsonaro defendeu a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil caso o irmão perdesse a eleição presidencial. A declaração ocorreu na sexta-feira (23), durante entrevista ao programa norte-americano Louder with Crowder, apresentado pelo comentarista Steven Crowder. Três dias depois, o senador negou qualquer intenção de deixar o país, após receber uma ordem judicial que restringiu suas viagens internacionais.
Entretanto, nesta terça-feira (27), a agência Reuters informou que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está nos Estados Unidos. Um aliado próximo do parlamentar e uma fonte do governo norte-americano confirmaram a informação à agência. Até a divulgação da reportagem, porém, as autoridades brasileiras não haviam esclarecido oficialmente as circunstâncias da saída.
O episódio ganhou novos desdobramentos após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibir o senador de deixar o Brasil. A decisão ocorreu na segunda-feira (26), um dia depois da derrota de Flávio para o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Eduardo Bolsonaro defendeu saída do irmão em entrevista nos EUA
Na sexta-feira (23), Eduardo Bolsonaro participou de uma transmissão do programa Louder with Crowder, nos Estados Unidos. Na ocasião, discutiu a eleição brasileira e as consequências de uma eventual derrota de Flávio.
Durante o programa, um espectador perguntou sobre os planos da família para ajudar o ex-presidente Jair Bolsonaro, caso o senador não conquistasse a Presidência.
Inicialmente, Eduardo respondeu, em tom de brincadeira, que seria necessário enviar fuzileiros navais norte-americanos. Em seguida, passou a abordar a situação política e judicial do irmão.
O ex-deputado afirmou que seria favorável à saída de Flávio do Brasil caso Lula vencesse a eleição. Além disso, relacionou sua posição à possibilidade de novas investigações contra o senador após o encerramento de seu mandato.
Eduardo também declarou que considerava ameaçadoras algumas manifestações do presidente Lula durante a campanha. Essa avaliação, entretanto, corresponde à interpretação política apresentada pelo ex-deputado.
A entrevista ocorreu dois dias antes do segundo turno presidencial. Naquele momento, ainda não havia resultado eleitoral definitivo nem informação pública sobre uma viagem internacional de Flávio após a votação.
Ex-deputado também questionou urnas eletrônicas
Durante a entrevista, Eduardo Bolsonaro voltou a questionar a confiabilidade do sistema eletrônico de votação utilizado no Brasil.
O ex-parlamentar criticou a ausência de cédulas físicas e de contagem manual pública dos votos. Além disso, defendeu a adoção do voto impresso como mecanismo de fiscalização eleitoral.
Entretanto, Eduardo não apresentou provas de fraude nas urnas eletrônicas brasileiras durante a manifestação.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mantém procedimentos de fiscalização, auditoria e testes de integridade dos equipamentos. Nas Eleições 2026, o Tribunal de Contas da União também acompanhou testes realizados nas 27 unidades da Federação.
Portanto, as declarações do ex-deputado representam questionamentos ao sistema eleitoral, não a constatação de fraude.
Flávio Bolsonaro negou intenção de deixar o Brasil na segunda-feira
Após perder a eleição presidencial no domingo (25), Flávio Bolsonaro recebeu uma intimação da Polícia Federal na manhã de segunda-feira (26).
O ministro Alexandre de Moraes havia determinado a entrega dos passaportes comum e diplomático no prazo de 24 horas. Além disso, proibiu o senador de deixar o território brasileiro.
Em manifestação divulgada nas redes sociais, Flávio confirmou a intimação e questionou os fundamentos da decisão judicial.
O senador afirmou que não pretendia deixar o Brasil. Também declarou que permaneceria no país para organizar a oposição ao novo mandato do presidente Lula.
Na mesma manifestação, Flávio relacionou a decisão de Moraes às declarações feitas anteriormente por Eduardo Bolsonaro.
Entretanto, essa relação foi apresentada pelo próprio senador. A íntegra da decisão judicial permanece sob segredo de Justiça, o que limita a verificação independente de seus fundamentos específicos.
Polícia Federal cancelou os passaportes após descumprimento
O prazo determinado pelo Supremo Tribunal Federal terminou na manhã desta terça-feira (27), sem que Flávio Bolsonaro apresentasse seus passaportes à Polícia Federal.
Diante do descumprimento, a corporação cancelou os documentos. Além disso, anunciou que comunicaria formalmente a ocorrência ao ministro Alexandre de Moraes.
A proibição de saída do Brasil integra uma investigação criminal sobre suspeitas de lavagem de dinheiro. O procedimento também envolve o advogado Willer Tomaz.
O senador nega irregularidades e questiona as medidas determinadas pelo ministro.
O Folha do Leste acompanhou o cancelamento dos documentos na reportagem sobre a decisão da Polícia Federal após o descumprimento da ordem judicial.
Entretanto, o cancelamento dos passaportes constitui um fato distinto da declaração feita por Eduardo Bolsonaro. A manifestação do ex-deputado ocorreu antes da eleição e da intimação judicial.
Reuters informa que Flávio Bolsonaro está nos Estados Unidos
Na tarde desta terça-feira (27), a Reuters divulgou informações sobre o paradeiro do senador.
Segundo a agência internacional, um aliado próximo de Flávio Bolsonaro e uma fonte do governo dos Estados Unidos confirmaram sua presença no país.
Entretanto, a reportagem não apresentou documentos que esclarecessem o momento da saída do Brasil. Também não identificou oficialmente o meio de transporte ou o percurso utilizado.
Anteriormente, uma publicação argentina havia informado sobre uma possível passagem do senador por Puerto Iguazú, na fronteira com Foz do Iguaçu.
Contudo, o governo argentino declarou não ter encontrado registro migratório que confirmasse a entrada do parlamentar.
A Polícia Federal brasileira também não havia identificado passagem de Flávio por postos regulares de controle migratório, conforme as informações divulgadas até então.
O Folha do Leste detalhou esse desdobramento na reportagem sobre as informações da Reuters e a ausência de esclarecimento oficial da rota.
Declaração de Eduardo não comprova participação na viagem
A proximidade entre a declaração de Eduardo Bolsonaro e as notícias sobre a viagem do irmão apresenta uma sequência temporal documentada.
Entretanto, não há informação pública comprovando que Eduardo tenha organizado, financiado ou participado do deslocamento de Flávio Bolsonaro.
O conselho apresentado na entrevista de sexta-feira foi uma manifestação pública. Isso não comprova que os irmãos tenham combinado previamente uma viagem.
Da mesma forma, a presença de Eduardo nos Estados Unidos não demonstra participação nas circunstâncias investigadas pelas autoridades brasileiras.
Para estabelecer uma eventual ligação operacional entre os acontecimentos, seriam necessários documentos, comunicações ou outros elementos verificáveis.
Portanto, a cronologia permite relacionar publicamente as declarações e os fatos posteriores, mas não comprova uma atuação conjunta.
Eduardo Bolsonaro tem mandado de prisão expedido pelo STF
Eduardo Bolsonaro reside nos Estados Unidos desde 2025 e possui uma situação judicial própria no Brasil.
Em 8 de outubro de 2026, o ministro Alexandre de Moraes determinou a expedição de um mandado de prisão contra o ex-deputado federal.
A medida ocorreu após o trânsito em julgado de sua condenação a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo.
Segundo o Supremo Tribunal Federal, Eduardo atuou para articular sanções norte-americanas contra o Brasil e autoridades nacionais. A Corte relacionou essas ações à tentativa de interferir no processo criminal envolvendo Jair Bolsonaro.
Além disso, Moraes determinou o cancelamento dos passaportes do ex-parlamentar.
Eduardo também perdeu seu mandato na Câmara dos Deputados em 18 de dezembro de 2025. A Mesa Diretora declarou a perda em razão de ausências às sessões deliberativas, conforme o artigo 55 da Constituição Federal.
Entretanto, a condenação de Eduardo e as investigações contra Flávio correspondem a procedimentos judiciais distintos. A situação de um irmão não representa prova de responsabilidade criminal do outro.
Mandato de Flávio no Senado termina em janeiro de 2027
Durante a entrevista nos Estados Unidos, Eduardo também mencionou as consequências do encerramento do mandato parlamentar de Flávio Bolsonaro.
Conforme os registros do Senado Federal, o mandato do senador pelo Rio de Janeiro terminará em 31 de janeiro de 2027.
Flávio não disputou a reeleição ao Senado em 2026. Em vez disso, concorreu à Presidência da República pelo Partido Liberal.
Entretanto, a derrota presidencial não encerrou antecipadamente seu mandato parlamentar. O senador mantém sua condição institucional enquanto estiver no exercício regular do cargo.
As imunidades previstas no artigo 53 da Constituição possuem regras específicas. Portanto, seu encerramento não significa responsabilização criminal automática.
Eventuais medidas judiciais dependerão dos requisitos legais e das circunstâncias de cada processo.
Entrevista antecedeu derrota, decisão de Moraes e notícia sobre viagem
A sequência dos acontecimentos começou na sexta-feira, 23 de outubro, quando Eduardo Bolsonaro defendeu publicamente a saída do irmão do Brasil em caso de derrota.
Dois dias depois, no domingo (25), o presidente Lula venceu o segundo turno e conquistou a reeleição.
Na segunda-feira (26), Flávio Bolsonaro recebeu a ordem de entregar seus passaportes e permanecer no território nacional. O senador questionou a decisão e negou intenção de viajar.
Já nesta terça-feira (27), a Polícia Federal confirmou o cancelamento dos documentos por descumprimento do prazo judicial. Posteriormente, a Reuters informou que o parlamentar estava nos Estados Unidos.
Assim, a declaração de Eduardo Bolsonaro está documentada e antecedeu os demais acontecimentos. Entretanto, permanecem sem esclarecimento oficial o trajeto de Flávio e as circunstâncias de sua saída do Brasil.









