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Eleições 2026: ONS terá operação especial de energia por 55 horas

Pessoas realizam procedimentos em uma seção eleitoral, com urna eletrônica instalada ao lado da mesa dos mesários.

Eleições 2026: ONS terá operação especial de energia por 55 horas | Paulo Pinto/Agência Brasil

A operação de energia no segundo turno das Eleições 2026 começou à meia-noite deste sábado (24), com medidas especiais para reduzir o risco de interrupções durante a votação e a apuração dos resultados. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) manterá o esquema até as 7h de segunda-feira (26), totalizando 55 horas de monitoramento reforçado em todo o país.

O plano restringe manutenções programadas com potencial de interromper o fornecimento, reforça a vigilância das redes elétricas e mobiliza equipes de prontidão. Além disso, o ONS acompanhará as condições meteorológicas para antecipar riscos relacionados a tempestades, ventos fortes e descargas atmosféricas.

No Rio de Janeiro, a preocupação com o abastecimento tem um motivo concreto. Durante o primeiro turno, a Justiça Eleitoral registrou 65 ocorrências relacionadas ao fornecimento de energia, com impacto em 297 seções eleitorais. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 60 dessas ocorrências foram normalizadas ao longo do dia.

ONS suspende manutenções de risco durante as eleições

O esquema especial foi preparado para preservar a estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN), responsável pela integração de grande parte da geração e transmissão de energia elétrica do Brasil.

Durante o período eleitoral, o ONS restringirá intervenções capazes de provocar cortes de carga ou aumentar o risco de interrupções.

Além disso, as empresas deverão operar dentro de condições mais conservadoras, com redução de determinados fluxos de energia para ampliar as margens de segurança do sistema.

Na prática, o objetivo é evitar que trabalhos programados acrescentem riscos desnecessários a uma infraestrutura essencial para a realização das eleições.

Entretanto, a medida não representa uma proibição absoluta de qualquer intervenção. Serviços emergenciais e providências necessárias à segurança das instalações poderão continuar sendo realizados.

Distribuidoras terão equipes de prontidão até segunda-feira

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) determinou que geradoras, transmissoras e distribuidoras adotem planos especiais de atendimento durante os dois turnos das eleições.

Entre as medidas estão o reforço das equipes de manutenção, a suspensão de intervenções não emergenciais e a preparação de respostas rápidas a eventuais falhas.

As distribuidoras deverão oferecer atenção especial aos locais de votação, tribunais regionais eleitorais e ao TSE, sem interromper o atendimento aos demais consumidores de suas áreas de concessão.

Além disso, o ONS manterá comunicação operacional com as empresas responsáveis pela geração, transmissão e distribuição. O monitoramento permitirá identificar problemas e coordenar providências conforme as competências de cada agente.

O plano integra a preparação nacional para a votação de domingo, 25 de outubro, quando os eleitores escolherão o próximo presidente da República.

Rio teve 65 ocorrências de energia no primeiro turno

O reforço preventivo ganha importância diante dos problemas registrados na primeira votação, realizada em 4 de outubro.

Segundo balanço divulgado pelo TSE na quinta-feira (22), o Estado do Rio de Janeiro registrou 65 ocorrências relacionadas ao fornecimento de energia elétrica, que afetaram 297 seções eleitorais.

Desse total, 60 ocorrências foram normalizadas ao longo do dia. O levantamento não detalha, nessa divulgação, a localização individual de todas as seções atingidas.

Os dados mostram que interrupções localizadas podem ocorrer mesmo quando o sistema nacional de transmissão apresenta funcionamento adequado.

Essa distinção é importante porque o ONS informou que, durante o primeiro turno, não houve ocorrências na Rede de Operação do SIN que provocassem interrupção de cargas ou prejudicassem o processo eleitoral.

Portanto, os dois balanços não são contraditórios. O ONS avalia o desempenho da rede sob sua operação, enquanto a Justiça Eleitoral também acompanha problemas localizados que afetam os estabelecimentos de votação.

São Gonçalo teve dez escolas incluídas em pedido de geradores

A preocupação com a infraestrutura elétrica já havia motivado medidas específicas no Estado do Rio de Janeiro antes do primeiro turno.

O Folha do Leste revelou, em 3 de outubro, que o TRE-RJ solicitou geradores para 49 escolas estaduais utilizadas como locais de votação, após problemas relacionados ao furto de cabos de energia.

Desse total, dez escolas ficavam em São Gonçalo, município que concentrava a maior quantidade de unidades relacionadas no pedido.

Nova Iguaçu aparecia em seguida, com nove estabelecimentos. A solicitação também abrangia escolas de outros municípios fluminenses.

Na ocasião, a Secretaria de Estado de Educação aguardava manifestação da Procuradoria-Geral do Estado sobre a contratação dos equipamentos, com custo estimado em R$ 1,1 milhão por turno.

A situação foi detalhada na reportagem São Gonçalo terá 10 escolas com geradores durante as Eleições 2026.

Entretanto, o pedido de geradores não comprova, isoladamente, que todos os equipamentos tenham sido instalados. A confirmação da estrutura efetivamente disponível para o segundo turno depende de informações atualizadas das autoridades responsáveis.

Urnas eletrônicas funcionam mesmo durante falta de luz?

Sim. As urnas eletrônicas possuem baterias internas e podem continuar funcionando temporariamente durante interrupções no fornecimento de energia elétrica.

Segundo informações técnicas divulgadas pelo TSE, determinados modelos contam com bateria interna capaz de manter o equipamento em funcionamento por até dez horas. Também existe a possibilidade de utilização de bateria externa em situações de necessidade.

Isso significa que uma queda de energia não provoca, automaticamente, a interrupção da votação ou a perda dos votos registrados.

Entretanto, a autonomia das urnas não resolve todos os problemas associados à falta de eletricidade.

A iluminação das escolas, o funcionamento de elevadores, sistemas de comunicação e outras estruturas de apoio podem ser prejudicados, dependendo das condições do estabelecimento.

Por isso, a operação especial do setor elétrico busca preservar não apenas o funcionamento das urnas, mas também a infraestrutura necessária ao atendimento dos eleitores.

Monitoramento do tempo também será reforçado

O ONS acompanhará as condições meteorológicas em áreas estratégicas do Sistema Interligado Nacional durante as 55 horas de operação especial.

O objetivo é antecipar possíveis impactos de tempestades, ventos fortes e descargas atmosféricas sobre linhas de transmissão e outras instalações.

Em paralelo, o TSE manterá sua Sala Nacional de Situação Climática, criada para monitorar riscos que possam comprometer o funcionamento dos locais de votação.

A estrutura reúne informações dos tribunais regionais eleitorais e de instituições como Inmet, Cemaden, Inpe e Defesa Civil.

Além do acompanhamento meteorológico, o grupo poderá recomendar medidas de contingência, como rotas alternativas de transporte, utilização de estabelecimentos de reserva e reforço dos sistemas de comunicação.

Entretanto, monitoramento preventivo não equivale à previsão de um apagão. As medidas buscam reduzir vulnerabilidades e melhorar a capacidade de resposta caso ocorram problemas.

Primeiro turno terminou sem falhas na rede nacional que afetassem a eleição

O ONS informou que a operação especial realizada entre 3 e 5 de outubro apresentou desempenho dentro dos padrões operacionais planejados.

Segundo o balanço do operador, não foram identificadas ocorrências na Rede de Operação do SIN que provocassem interrupções de cargas ou interferissem na votação e na apuração dos resultados.

Entretanto, o próprio registro de ocorrências localizadas pela Justiça Eleitoral demonstra por que o acompanhamento das distribuidoras continua necessário.

A estrutura nacional e as redes de distribuição possuem responsabilidades distintas. Por isso, o funcionamento adequado do sistema de transmissão não elimina todos os riscos de falhas nos estabelecimentos eleitorais.

O plano para este domingo busca repetir o desempenho da rede nacional no primeiro turno e reduzir as consequências de eventuais interrupções localizadas.

Operação especial termina às 7h de segunda-feira

O regime reforçado de operação do sistema elétrico começou às 0h de sábado (24) e continuará até as 7h de segunda-feira (26), pelo horário de Brasília.

O período de 55 horas abrange a preparação dos locais de votação, o funcionamento das seções eleitorais e a apuração dos votos.

Após a operação, o ONS deverá divulgar um relatório técnico sobre o desempenho do Sistema Interligado Nacional, com informações relevantes registradas durante o segundo turno.

A finalidade do planejamento é preservar a continuidade do fornecimento e permitir respostas mais rápidas a situações de emergência, sem apresentar a adoção dessas medidas como garantia absoluta contra interrupções.

Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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