
Google leva cadernos de pesquisa ao Gemini e amplia comandos por IA | Folha do Leste/Imagem ilustrativa gerada por IA
O Google integrou o Gemini Notebook diretamente às conversas do Gemini, permitindo criar cadernos de pesquisa, consultar documentos e organizar fontes usando comandos em linguagem natural. Anunciada na sexta-feira (23/10), a novidade transforma o sistema de cadernos em um aplicativo conectado. Além disso, permite recuperar informações de projetos anteriores sem precisar abrir separadamente cada ambiente de pesquisa.
A ferramenta funciona com o Gemini Notebook, antigo NotebookLM, serviço desenvolvido pelo Google para analisar documentos e organizar conhecimento. Agora, o usuário pode mencionar @Gemini Notebook durante uma conversa e solicitar ações específicas. O assistente também pode reconhecer automaticamente quando uma pergunta exige informações de um caderno conectado.
Entretanto, a integração não representa o lançamento de um serviço inteiramente novo. Os cadernos já existiam no ecossistema Google. A mudança anunciada em outubro amplia as possibilidades de administrá-los diretamente pelo chatbot.
O que mudou no Gemini Notebook?
Anteriormente, o Gemini já oferecia espaços dedicados à organização de projetos. Os usuários podiam reunir fontes, manter instruções e continuar conversas relacionadas a determinado assunto.
Além disso, esses cadernos compartilhavam informações com o Gemini Notebook, permitindo continuar trabalhos entre os dois ambientes.
Agora, o Google acrescentou uma integração mais direta por meio dos Connected Apps, ou aplicativos conectados.
Na prática, o usuário pode conversar com o Gemini e pedir que ele execute operações no sistema de cadernos.
Entre as funções anunciadas estão:
- Criar cadernos: abrir espaços de pesquisa para novos assuntos.
- Editar ou excluir projetos: administrar cadernos existentes.
- Adicionar e atualizar fontes: organizar os materiais utilizados em uma pesquisa.
- Salvar informações: registrar notas relevantes para consultas posteriores.
- Consultar fontes: recuperar a relação de documentos associados a um projeto.
- Responder perguntas: utilizar o conteúdo dos cadernos como contexto.
Assim, o assistente deixa de funcionar apenas como uma interface para responder perguntas e passa a oferecer comandos de gerenciamento.
Entretanto, algumas operações ainda apresentam limitações, conforme a plataforma e as configurações da conta.
Como usar o Gemini Notebook nas conversas?
O Google desenvolveu uma forma de acesso que utiliza a identificação @Gemini Notebook.
Ao inserir essa expressão em uma conversa, o usuário indica que deseja utilizar o aplicativo conectado.
Por exemplo, é possível escrever:
- “@Gemini Notebook, crie um caderno sobre inteligência artificial na educação.”
- “@Gemini Notebook, mostre as fontes do meu projeto sobre energia solar.”
- “@Gemini Notebook, organize um caderno para pesquisar mudanças climáticas.”
- “@Gemini Notebook, o que meus documentos dizem sobre a migração de borboletas?”
Além disso, o Gemini pode identificar situações em que a integração é relevante, sem exigir a identificação manual em todas as perguntas.
Entretanto, essa automação depende da disponibilidade do recurso e das permissões concedidas à conta.
O Google também informa que o usuário pode administrar a conexão na seção de aplicativos conectados.
Como ativar a integração no Brasil?
Segundo o Google, o Gemini Notebook conectado fica ativado por padrão na maior parte dos países, incluindo o Brasil.
Entretanto, a ferramenta pode não aparecer imediatamente para todos os usuários, pois o Google mantém processos de disponibilização gradual.
Para verificar o acesso, o procedimento recomendado é:
- Abrir o Gemini pelo endereço oficial gemini.google.com.
- Entrar com uma Conta do Google.
- Acessar as configurações de aplicativos conectados.
- Verificar se o Gemini Notebook está habilitado.
- Retornar à conversa e utilizar @Gemini Notebook.
- Solicitar a criação de um caderno ou uma consulta às fontes existentes.
Além disso, o usuário pode encontrar a seção de cadernos no menu lateral do Gemini.
Se a ferramenta não estiver disponível, vale conferir a elegibilidade da conta e as configurações utilizadas.
Em ambientes corporativos, o acesso também depende das permissões estabelecidas pelo administrador.
Gemini Notebook pode organizar pesquisas acadêmicas
Uma das aplicações mais evidentes envolve a organização de materiais de estudo.
Um estudante pode criar um caderno para determinada disciplina e reunir documentos relacionados às aulas.
Depois, poderá consultar informações, revisar conceitos e comparar diferentes explicações.
Além disso, o Gemini Notebook possui ferramentas próprias para produzir resumos, apresentações, questionários e materiais de aprendizagem.
Por exemplo, um aluno que estuda história pode reunir documentos sobre determinado período e fazer perguntas sobre os acontecimentos registrados.
Entretanto, essas respostas dependem das fontes utilizadas. Documentos incompletos ou incorretos podem comprometer a qualidade das conclusões.
Por isso, o recurso deve funcionar como apoio à pesquisa, não como substituto da leitura e da conferência do material original.
Ferramenta também pode auxiliar jornalistas e pesquisadores
A integração apresenta possibilidades para profissionais que trabalham diariamente com grandes volumes de informação.
Um jornalista pode organizar um caderno sobre determinada investigação, reunindo relatórios, comunicados e documentos públicos.
Depois, poderá solicitar ao Gemini que identifique informações existentes nas fontes selecionadas.
Além disso, o sistema pode ajudar a localizar divergências entre documentos, organizar cronologias e identificar assuntos que merecem investigação adicional.
Um exemplo seria criar um caderno com relatórios orçamentários publicados por diferentes órgãos públicos.
Em seguida, o profissional poderia perguntar quais documentos mencionam determinado programa ou despesa.
Entretanto, uma resposta gerada por inteligência artificial não representa prova documental independente.
O jornalista ainda precisa conferir os arquivos originais, verificar números e distinguir informações oficiais de interpretações produzidas pelo sistema.
Também é importante evitar o envio indiscriminado de documentos sigilosos, informações pessoais e materiais protegidos por compromissos de confidencialidade.
Cadernos existentes continuam disponíveis
O Google informa que os cadernos podem ser utilizados tanto no Gemini quanto no ambiente independente do Gemini Notebook.
Além disso, as alterações realizadas nesses espaços podem ser sincronizadas entre os serviços.
Isso permite iniciar uma pesquisa em uma interface e continuar o trabalho em outra.
Entretanto, o sistema não reúne automaticamente todos os documentos da conta em um único projeto.
O usuário precisa organizar suas fontes e selecionar os materiais relevantes para cada assunto.
Os cadernos também possuem limites de utilização que variam conforme o plano contratado.
Portanto, contas gratuitas e assinaturas pagas podem apresentar capacidades diferentes de armazenamento, processamento e quantidade de fontes.
Google reconhece restrições para adicionar conversas antigas
Uma diferença importante aparece entre o anúncio comercial e a documentação de suporte.
No comunicado de 23 de outubro, o Google apresenta a possibilidade de adicionar uma cópia da conversa a um caderno como exemplo de utilização.
Entretanto, a central de ajuda informa que o aplicativo conectado ainda não permite adicionar conversas existentes por esse mecanismo.
Além disso, determinadas funções dependem da configuração Keep Activity, responsável pelo armazenamento de atividades da conta.
Quando essa opção está desativada, o sistema restringe funcionalidades como salvamento automático de conversas e utilização de determinados históricos.
Portanto, não é possível presumir que todos os exemplos do anúncio estejam disponíveis em qualquer conta.
O usuário deve conferir as funções efetivamente oferecidas antes de transferir um projeto ou reorganizar materiais importantes.
Gemini Notebook também funciona em contas gratuitas?
Sim. O Google anunciou a integração para usuários com contas pessoais, clientes Google Workspace e assinantes Workspace Individual.
Entretanto, o acesso básico não significa que todas as funções avançadas estejam disponíveis sem pagamento.
O serviço possui limites de uso associados ao consumo de recursos computacionais.
Além disso, esses limites podem variar conforme a complexidade das solicitações, os modelos utilizados e as funcionalidades escolhidas.
O Google também oferece planos pagos com capacidades ampliadas.
Portanto, não seria correto anunciar que todas as ferramentas do Gemini Notebook passaram a ser gratuitas ou ilimitadas.
A empresa também não divulgou uma cobrança adicional obrigatória especificamente para habilitar o aplicativo conectado.
Empresas podem controlar o acesso aos cadernos
Nas contas corporativas e educacionais, o Google permite que administradores controlem o acesso à integração.
Para utilizar o aplicativo conectado, o usuário precisa ter os serviços Gemini e Gemini Notebook habilitados em sua organização.
Além disso, empresas podem administrar permissões conforme grupos ou unidades organizacionais.
Isso significa que dois funcionários de uma mesma organização podem encontrar configurações diferentes.
Portanto, a disponibilidade anunciada para o Google Workspace não representa ativação irrestrita em todas as instituições.
Na Área Econômica Europeia, o Google também adota uma configuração diferente: o aplicativo conectado permanece desativado por padrão e exige habilitação.
Nos demais mercados contemplados, incluindo o Brasil, a configuração inicial anunciada é de ativação automática.
Como o Google utiliza os documentos e dados enviados?
A ampliação da integração também levanta questões relacionadas à privacidade.
Segundo o Google, o conteúdo armazenado no Gemini Notebook não é utilizado diretamente para treinar seus modelos fundamentais de inteligência artificial, exceto nas situações previstas para o envio de feedback.
Entretanto, informações compartilhadas com outros serviços, como o aplicativo Gemini, também ficam sujeitas às políticas específicas dessas plataformas.
Além disso, o Google informa que avaliações voluntárias enviadas pelos usuários podem incluir comandos, documentos e respostas associadas ao problema relatado.
Em contas pessoais, esses materiais podem passar por revisão humana, conforme as condições da política de privacidade.
Já usuários do Google Workspace e Workspace for Education possuem proteções específicas. Segundo a empresa, seus documentos, comandos e respostas no Gemini Notebook não são utilizados para treinar modelos de IA.
O Google também informa que esses dados corporativos não passam por revisão humana, inclusive quando o usuário envia avaliações.
Portanto, as condições de privacidade não devem ser consideradas idênticas para todos os tipos de conta.
Antes de adicionar contratos, informações de clientes ou documentos profissionais, o usuário deve verificar as políticas aplicáveis ao serviço.
Gemini Notebook não substitui a verificação das fontes
Embora a integração facilite o acesso aos documentos, a inteligência artificial continua sujeita a interpretações incorretas.
O Gemini Notebook utiliza materiais selecionados para fundamentar suas respostas, mas isso não garante a ausência de erros.
Por exemplo, uma pergunta sobre determinado relatório pode produzir uma explicação que não represente integralmente seu contexto.
Além disso, documentos contraditórios podem exigir uma avaliação humana antes de qualquer conclusão.
Por isso, pesquisadores, jornalistas e estudantes devem conferir as informações nas fontes originais.
Outro cuidado envolve a exclusão de materiais. O usuário precisa verificar exatamente quais informações serão removidas ao solicitar a exclusão de um caderno ou de suas fontes.
Com a integração anunciada em 23 de outubro, o Google amplia o papel do Gemini na organização de informações.
A novidade permite administrar pesquisas usando comandos de texto, mas não elimina a responsabilidade do usuário sobre documentos, privacidade e precisão das respostas.







