Nova resina permite fabricar peças de silicone com moldes impressos em 3D | Folha do Leste/Imagem ilustrativa gerada por IA
A fabricante australiana Asiga apresentou a SilCAST, uma resina para impressão 3D que permite produzir moldes descartáveis destinados à fabricação de peças de silicone. Anunciada em 22 de outubro, a novidade atende à produção de componentes personalizados, com possíveis aplicações em aparelhos auditivos, próteses e diferentes setores industriais.
A tecnologia combina impressão 3D com moldagem de silicone, mas apresenta uma diferença importante em relação à impressão direta de materiais flexíveis. Nesse processo, a impressora fabrica o molde com a resina SilCAST. Depois, o fabricante preenche a estrutura com silicone líquido e aguarda a cura do material antes de retirar a peça.
O diferencial está justamente na remoção do molde. Segundo a Asiga, a tecnologia SilCAST dispensa agentes desmoldantes e facilita a fabricação de componentes com formatos complexos. Assim, a empresa pretende simplificar etapas que normalmente exigem ferramentas específicas ou procedimentos adicionais de separação dos materiais.
Como funciona a impressão 3D de moldes para silicone?
O processo começa com a criação de um modelo digital, que define as características e dimensões do componente desejado. Em seguida, uma impressora 3D compatível utiliza a resina SilCAST para produzir o molde que receberá o silicone.
Depois da impressão e das etapas de preparação necessárias, o profissional introduz silicone líquido no interior do molde. O material passa pelo processo de cura e adquire as características previstas para a peça final. Somente então ocorre a retirada da estrutura que serviu de suporte à fabricação.
Para facilitar essa etapa, a Asiga desenvolveu um sistema denominado PeelAway. Segundo a fabricante, a tecnologia permite remover o molde sem recorrer a agentes desmoldantes, preservando as características do componente produzido.
Na prática, essa proposta oferece uma alternativa para peças que apresentam cavidades, curvas acentuadas ou geometrias difíceis de reproduzir com moldes convencionais. Afinal, quanto mais complexo o formato, maiores podem ser as dificuldades para retirar o silicone sem comprometer seus detalhes.
Entretanto, a SilCAST não elimina a necessidade de avaliar cada projeto individualmente. A qualidade final ainda depende das características do silicone, da geometria da peça, das condições de cura e da execução do processo.
Aparelhos auditivos e próteses estão entre as aplicações
A Asiga destaca a fabricação de moldes auriculares personalizados para aparelhos auditivos entre as aplicações da SilCAST. Esses componentes precisam acompanhar a anatomia de cada usuário e, por isso, exigem dimensões e formatos específicos.
Com a fabricação digital, laboratórios podem desenvolver moldes a partir de projetos individuais, sem depender necessariamente de ferramentas permanentes para cada configuração. Dessa forma, a tecnologia pode favorecer processos que exigem personalização e mudanças frequentes de geometria.
A fabricante também menciona aplicações em dispositivos para o sono, componentes protéticos, órteses e outras peças de silicone. Contudo, a utilização médica exige cuidados adicionais, especialmente quando o produto mantém contato direto com o corpo humano.
A possibilidade de fabricar uma peça não significa que ela tenha autorização automática para uso clínico. Para isso, fabricantes e laboratórios precisam considerar as propriedades do silicone escolhido, a finalidade do componente e as exigências regulatórias correspondentes.
Fora da área médica, o processo também pode atender empresas que desenvolvem componentes flexíveis para equipamentos e produtos industriais. Nesses casos, a personalização e a produção de pequenas quantidades podem representar vantagens em relação à fabricação de ferramentas convencionais.
SilCAST exige impressoras compatíveis com 385 nanômetros
A documentação da Asiga informa que a resina SilCAST utiliza tecnologia de fotopolimerização com luz de 385 nanômetros. Portanto, antes de adotar o material, o usuário precisa verificar se sua impressora trabalha com esse comprimento de onda e oferece as condições necessárias ao processamento.
Esse detalhe merece atenção porque nem todas as impressoras 3D de resina operam com as mesmas fontes de luz. Assim, a compatibilidade não depende apenas da aparência ou da categoria do equipamento, mas também de suas características técnicas.
A SilCAST apresenta coloração amarela transparente e atende especificamente à fabricação de moldes removíveis. Por isso, o material não deve ser confundido com resinas convencionais destinadas à produção de objetos rígidos permanentes.
A Asiga também associa sua fabricação a sistemas de gestão da qualidade relacionados às normas ISO 13485:2016 e EN ISO 13485:2016. Essas referências tratam da gestão da qualidade para dispositivos médicos, mas não representam, isoladamente, uma aprovação clínica para qualquer componente produzido com o material.
Além da compatibilidade técnica, o profissional deve observar as orientações de segurança para resinas fotopoliméricas. O manuseio, a limpeza e as etapas posteriores à impressão exigem procedimentos adequados às recomendações da fabricante.
Qual é a vantagem dos moldes descartáveis?
A impressão 3D já participa da fabricação de moldes para silicone, portanto a SilCAST não inaugura esse processo. A novidade está na proposta de utilizar uma resina desenvolvida especificamente para facilitar a retirada do molde depois da cura.
Nos métodos tradicionais, a fabricação de componentes complexos pode exigir moldes divididos em várias partes, ferramentas especiais ou agentes desmoldantes. Em determinadas aplicações, essas exigências aumentam o número de etapas e dificultam a produção de peças personalizadas.
Com a SilCAST, a Asiga pretende oferecer um caminho diferente: o molde cumpre sua função durante a fabricação e não precisa permanecer intacto para utilizações posteriores. Dessa maneira, o fabricante pode priorizar a geometria do componente final, em vez de projetar uma estrutura necessariamente reutilizável.
Entretanto, a solução também apresenta uma questão econômica. Como o processo utiliza moldes descartáveis, cada nova fabricação pode exigir consumo adicional de resina, tempo de impressão e preparação.
Por essa razão, a vantagem tende a depender do tipo de componente e do volume de produção. Um molde removível pode facilitar a fabricação de uma peça exclusiva, mas não será necessariamente a alternativa mais econômica para milhares de unidades idênticas.
Além disso, a fabricante ainda precisa demonstrar, por meio de resultados comparáveis, como sua tecnologia se comporta diante de diferentes materiais e métodos de moldagem.
Quanto custa a SilCAST no Brasil?
O material de referência da Asiga apresenta as características e possibilidades de aplicação da SilCAST, porém não informa um preço específico para o mercado brasileiro. Também não oferece dados suficientes para estabelecer o custo de fabricação de cada componente.
Sem essas informações, ainda não é possível calcular uma economia concreta em relação aos moldes convencionais. Afinal, o custo depende do consumo de resina, do silicone escolhido, do tempo de impressão e da quantidade de peças que o fabricante pretende produzir.
Mesmo assim, a proposta chama atenção pela possibilidade de combinar personalização digital com a fabricação de componentes flexíveis. Para laboratórios e empresas que trabalham com pequenas séries, essa integração pode reduzir dificuldades associadas à produção de moldes complexos.
O principal avanço apresentado pela Asiga SilCAST, portanto, não está em imprimir silicone diretamente. A tecnologia procura tornar a fabricação de moldes descartáveis uma alternativa mais prática para produzir peças de silicone com formatos personalizados.







