
Banco Central decreta liquidação do Banco Pleno após crise financeira | Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O banco pleno entrou oficialmente em liquidação extrajudicial nesta quarta-feira após decisão do Banco Central. A medida atinge o Banco Pleno e a Pleno DTVM, que apresentaram grave deterioração financeira e descumprimento de normas regulatórias.
Por que o Banco Central interveio
Segundo o Banco Central, a liquidação ocorreu devido ao comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, agravado pela perda de liquidez e pela inobservância de determinações formais do órgão regulador.
O BC já acompanhava o caso há meses e havia enviado notificações exigindo aportes imediatos de capital. Apesar das advertências, a situação se agravou, levando à incapacidade de honrar compromissos financeiros.
Crise de liquidez e herança do Banco Master
O banco herdou cerca de R$ 6 bilhões em CDBs oriundos do Banco Master. A estratégia previa a formação gradual de uma carteira de crédito, mas o plano fracassou.
A instituição não conseguiu captar novos recursos nem vender ativos em volume suficiente. Como consequência, passou a enfrentar problemas severos de caixa, ficando sem recursos para pagar investidores e credores.
Dificuldades estruturais e restrições do BC
No plano de negócios aprovado pelo Banco Central, o banco pleno tinha restrições para crescer por meio de plataformas de distribuição de títulos. Esse modelo foi justamente o motor da expansão acelerada do antigo Master, sob proteção do Fundo Garantidor de Créditos.
Além disso, o pequeno porte e problemas reputacionais afastaram investidores institucionais e dificultaram novas captações.
Ativos e operações do Banco Pleno
Entre os principais ativos estavam contratos do Fundo de Compensação das Variações Salariais (FCVS) e a operação CredCresta, cartão de crédito consignado para servidores públicos e trabalhadores do setor privado.
Essa operação foi levada ao Banco Master por Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, quando ambos integravam o mesmo grupo financeiro.
O que diz o Banco Central
Em nota oficial, o Banco Central informou que continuará apurando responsabilidades administrativas e legais.
Segundo o órgão, ficam indisponíveis os bens dos controladores e administradores da instituição. O conglomerado do banco pleno é classificado como S4, de pequeno porte, com apenas 0,04% dos ativos e 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional.
Histórico de mudanças e investigações
A instituição passou por diversas reestruturações e trocas de nome — Indusval, Voiter e, por fim, Pleno. A venda para Augusto Lima foi aprovada em julho de 2025, pouco antes das investigações envolvendo o Banco Master ganharem repercussão pública.
Apesar disso, o banco havia registrado lucro de R$ 133 milhões em 2024, segundo os últimos dados disponíveis.
Outras liquidações do conglomerado Master
Desde novembro de 2025, o Banco Central vem desmontando o grupo liderado por Daniel Vorcaro. Já foram liquidados:
Banco Master S/A
Banco Master de Investimento
Letsbank (atual BlueBank)
CBSF DTVM
Will Bank
O caso levou ao maior acionamento da história do FGC, com cerca de R$ 41 bilhões reservados para ressarcimento de investidores.







