
Ancelotti rebate críticas e aposta em jovens: “Afeta zero o que penso do futuro” | Rafael Ribeiro/CBF
Carlo Ancelotti afirmou que as críticas neste início de novo ciclo da Seleção Brasileira não alteram seus planos para a Copa do Mundo de 2030. O treinador italiano defendeu a renovação do elenco, elogiou jogadores convocados pela primeira vez e reforçou que pretende usar os próximos anos para construir uma nova geração.
A Seleção iniciou o período pós-Copa de 2026 com empate por 1 a 1 diante da Austrália, na sexta-feira (25). O desempenho aumentou a cobrança sobre o trabalho, mas Ancelotti tratou o cenário com naturalidade.
“A crítica sempre existiu e vai existir. Não afeta a ideia que tenho para o futuro dessa seleção. A crítica afeta zero o que penso do futuro.”
O treinador também destacou nomes que conheceu mais de perto nesta Data Fifa e sinalizou que a renovação terá espaço durante o ciclo.
Ancelotti destaca jovens que surpreenderam
A primeira convocação depois da eliminação brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo abriu espaço para vários jogadores com pouca ou nenhuma experiência na Seleção principal.
Ancelotti citou especificamente Arthur Dias, Pedro Morisco, Otávio, Breno Bidon, Gabriel Bontempo e Jair.
“Gostei muito dos jovens que estão aqui. Do Arthur Dias, que não conhecia, dos goleiros (Pedro Morisco e Otávio), que também não conhecia. Do Bidon, do Bontempo, do Jair. São todas surpresas positivas. Temos futuro, apesar das críticas.”
A declaração mostra que a comissão técnica não pretende restringir as próximas convocações a jogadores já consolidados.
Ao contrário, Ancelotti quer ampliar o acompanhamento de atletas que possam chegar em melhores condições ao próximo grande ciclo internacional.
Copa América e Mundial de 2030 entram no planejamento
O treinador deixou claro que os amistosos atuais fazem parte de um projeto mais longo.
A próxima Copa do Mundo ainda está distante, mas Ancelotti pretende utilizar o período até 2030 para identificar jogadores capazes de permanecer no grupo durante todo o ciclo.
“A prioridade é buscar construir uma geração que possa nos acompanhar na Copa América e na Copa do Mundo. Temos que acompanhar os jovens que possam representar o futuro. Se pensamos que é bom para o futuro, vamos chamar.”
A mensagem ajuda a explicar a quantidade de testes realizados nos treinamentos desta Data Fifa.
Ancelotti já experimentou diferentes formações e também alterou boa parte da equipe que iniciou o primeiro amistoso diante da Austrália.
Cobrança pelo título continua
Mesmo defendendo tempo para construir uma nova geração, Ancelotti reconheceu que a Seleção Brasileira não terá um ciclo de baixa expectativa.
O italiano afirmou que a obrigação de competir pelo título mundial faz parte do ambiente que encontrou no Brasil.
“Estamos trabalhando para a Seleção ser protagonista. A expectativa de ser treinador da Seleção é muito alta, aqui tem que ganhar a Copa do Mundo. Não lembro um ano em que a expectativa não fosse alta na minha carreira. Tem que ser sempre alta e dar o máximo para nosso trabalho.”
A pressão não representa uma novidade na trajetória do técnico.
Antes da Seleção, Ancelotti comandou clubes como Milan, Real Madrid, Chelsea, Paris Saint-Germain e Bayern de Munique, sempre em ambientes de forte cobrança por resultados.
Na equipe brasileira, porém, o objetivo está diretamente associado a uma espera que chegará a 28 anos caso o país não conquiste o Mundial antes de 2030.
Amistosos também têm peso para Ancelotti
O Brasil ainda terá dois compromissos nesta Data Fifa.
O primeiro acontece nesta terça-feira (29), às 7h, novamente diante da Austrália, desta vez em Brisbane.
Depois, a delegação segue para Calcutá, onde enfrentará a Índia no sábado (3), às 11h.
Mesmo diante de adversários em partidas amistosas, Ancelotti afirmou que não admite uma abordagem diferente daquela utilizada em jogos oficiais.
“Ninguém na comissão técnica, dos jogadores, pensa que vamos jogar apenas um amistoso. Pensamos que vamos representar um país enorme, uma camisa enorme. Para nós, é igual a uma partida de Copa do Mundo. Representamos a maior Seleção da história do futebol.”
Brasil deve ter mudanças contra Austrália
O segundo confronto com os australianos deverá servir novamente para as avaliações mencionadas pelo treinador.
Ancelotti já testou uma formação com várias alterações em relação ao time que empatou na sexta-feira.
Entre as novidades aparecem jogadores como Vanderson, Jair, Gabriel Bontempo e Rayan, enquanto Raphinha foi experimentado centralizado no ataque.
A tendência de renovação, portanto, não ficou limitada ao discurso.
Os treinamentos mostram que Ancelotti pretende efetivamente distribuir oportunidades durante o início do novo ciclo.
O resultado imediato continuará gerando cobrança. O treinador, entretanto, deixa claro qual será sua resposta: seguir testando jogadores e construir a equipe que imagina levar às principais competições até 2030.








