
Niterói avalia alunos do 2º ao 9º ano para ajustar ensino | Divulgação/Leonardo Fonseca/Prefeitura de Niterói
Estudantes do 2º ao 9º ano da rede municipal de Niterói fazem nesta semana o Avaliar para Conhecer, avaliação diagnóstica usada pela Secretaria Municipal de Educação para mapear a aprendizagem. Depois, escolas e professores deverão usar os resultados para ajustar o planejamento pedagógico e acompanhar dificuldades identificadas nas turmas.
A abrangência representa uma ampliação em relação ao ciclo aplicado em março de 2025, quando o município avaliou estudantes dos 5º e 9º anos. Naquela etapa, cada teste tinha 18 questões de Língua Portuguesa e 18 de Matemática.
Agora, porém, esses números não podem ser automaticamente repetidos para 2026. O comunicado divulgado nesta quarta-feira (2) não informa quantas questões cada ano responderá, a duração das avaliações nem o calendário específico de aplicação por turma.
A contratação atual da Fundação Municipal de Educação para a política de avaliação envolve a Fundação Cesgranrio e a Universidade Federal de Juiz de Fora, por meio do CAEd/UFJF. O contrato, assinado em 11 de agosto, tem prazo de dois anos e abrange serviços técnicos ligados às avaliações educacionais. O escopo da contratação contempla Língua Portuguesa e Matemática, além do processamento dos resultados e das devolutivas pedagógicas.
O município, contudo, ainda não divulgou publicamente quantos estudantes participam desta aplicação nem quantas escolas e turmas receberam os instrumentos nesta semana.
Avaliação não deve ser confundida com prova bimestral
O Avaliar para Conhecer faz parte do Sistema de Avaliação da Educação de Niterói (SAEN). O município criou o sistema pela Lei Municipal nº 3.067/2013. A proposta combina informações sobre aprendizagem com indicadores do contexto educacional da rede.
Na prática, uma avaliação diagnóstica busca produzir evidências sobre determinadas habilidades. Ela ajuda a mostrar, por exemplo, conteúdos que uma turma já domina e pontos que ainda exigem trabalho pedagógico.
Por isso, o instrumento não deve ser confundido com uma prova escolar tradicional nem com uma avaliação que, sozinha, determine tudo o que um estudante sabe.
Há, entretanto, uma informação de serviço que a Secretaria não esclareceu na divulgação desta quarta-feira: se os resultados desta aplicação entram na média, no boletim ou em algum componente da avaliação individual da escola. Portanto, não há base pública suficiente para afirmar simplesmente que o teste “não vale nota”.
Também não foram divulgadas regras para estudantes que faltarem, eventual segunda aplicação ou consequência da ausência.
O Folha do Leste acompanhou a aplicação anterior do Avaliar para Conhecer
Resultado deverá voltar para a escola
O ponto mais importante vem depois da aplicação.
A Casa da Avaliação coordena o SAEN e tem entre suas atribuições produzir indicadores, elaborar relatórios e devolutivas para as unidades e ajudar as equipes pedagógicas a interpretar os resultados.
Assim, a avaliação não termina quando o estudante entrega as respostas. A rede pretende transformar os dados em informação sobre estudantes, turmas, escolas e conjunto da rede, permitindo localizar habilidades que exigem maior atenção.
Depois, professores e equipes pedagógicas podem replanejar práticas, acompanhar os resultados das intervenções e revisar estratégias durante o ano. A própria Casa da Avaliação define esse suporte à interpretação dos dados como uma de suas funções.
Esse modelo não começou em 2026. Documentos anteriores do programa já previam relatórios por escola, turma e estudante, além de materiais pedagógicos construídos a partir das dificuldades encontradas.
Por outro lado, a Secretaria ainda não informou quando entregará os resultados desta rodada. Também não explicou se haverá relatório individual acessível aos responsáveis ou se as devolutivas ficarão restritas aos profissionais e às unidades escolares.
Avaliação de 2026 ainda deixa lacunas de serviço
A divulgação atual confirma a participação do 2º ao 9º ano, mas não apresenta uma ficha técnica completa da aplicação.
Além do total de alunos e escolas, ficaram sem detalhamento público o número de questões por ano, o tempo de realização, a distribuição das turmas pelos dias da semana e uma eventual segunda chamada.
O mesmo ocorre com os recursos de acessibilidade.
Na aplicação de março de 2025, a rede informou que adaptaria as avaliações dos estudantes com deficiência de acordo com cada necessidade.
Entretanto, o comunicado desta quarta não especifica os recursos previstos para a rodada atual. Por isso, não é possível afirmar quais estudantes receberão prova ampliada, ledor, Libras, tempo adicional ou outra adaptação específica.
Casa da Avaliação é uma estrutura técnica da Educação
Apesar do nome, a Casa da Avaliação não funciona apenas como um local onde estudantes realizam provas.
Ela é uma unidade técnica vinculada à Subsecretaria de Planejamento, Avaliação e Inovação da Secretaria Municipal de Educação. Além de coordenar o SAEN, organiza avaliações, produz indicadores e prepara análises para gestores e escolas.
A estrutura também cruza informações internas com bases como o Censo Escolar e o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Dessa forma, a rede pode observar aprendizagem, fluxo e permanência por perspectivas diferentes.
Isso não transforma, contudo, a Casa da Avaliação em um balcão para responsáveis consultarem notas individuais. O município não informa, em sua apresentação institucional, um serviço de acesso familiar aos resultados do Avaliar para Conhecer.
Avaliar para Conhecer, Saeb e Ideb medem coisas diferentes
O Avaliar para Conhecer pertence à própria rede municipal. Já o Saeb integra o sistema nacional de avaliação coordenado pelo Inep.
O Ideb, por sua vez, não corresponde a uma nova prova. O índice combina o desempenho obtido no Saeb com informações sobre aprovação escolar extraídas do Censo Escolar.
Por isso, melhorar a taxa de aprovação não comprova, isoladamente, avanço na aprendizagem. Da mesma forma, não se pode atribuir uma mudança no Ideb a uma edição específica do Avaliar para Conhecer sem evidência causal.
Ideb de Niterói subiu 0,5 e 0,4 ponto
Os dados de 2025 ajudam a dimensionar o cenário no qual ocorre a nova avaliação.
Nos anos iniciais, o Ideb da rede municipal passou de 5,0 em 2023 para 5,5 em 2025. Isso representa aumento de 0,5 ponto, equivalente a 10%.
Já nos anos finais, a nota subiu de 3,9 para 4,3. O acréscimo foi de 0,4 ponto, equivalente a aproximadamente 10,3% — e não exatamente 10%.
Os dados municipais podem ser conferidos nas bases do Ideb disponibilizadas pelo Inep para municípios e escolas.
Ainda assim, as notas de Niterói permaneceram abaixo dos resultados agregados das redes públicas no Estado do Rio. Em 2025, o indicador estadual chegou a 5,8 nos anos iniciais e 4,7 nos finais. No conjunto das redes públicas brasileiras, os índices ficaram em 6,1 e 5,0, respectivamente.
Veja a análise do Folha do Leste sobre o Ideb 2025 de Niterói
5º e 8º lugares não representam ranking das maiores notas
Outro cuidado envolve o ranking citado pela Prefeitura.
O município informa que, num recorte de capitais e cidades com mais de 500 mil habitantes, Niterói ficou em 8º lugar nos anos iniciais e 5º nos anos finais entre as cidades que mais avançaram de 2023 para 2025.
Portanto, não se trata de 5º e 8º maiores Idebs do país. A classificação considera crescimento no período.
Além disso, esse ranking não aparece apresentado pelo Inep como uma classificação oficial própria. Trata-se de um recorte divulgado pelo município a partir dos dados educacionais.
Niterói entra atualmente no grupo acima de 500 mil habitantes porque o IBGE estima 516.787 moradores em 2025.
Ainda assim, a divulgação municipal não apresenta a lista completa dos municípios incluídos nem todo o procedimento usado para ordenar o ranking. Por isso, essa classificação exige atribuição à Prefeitura.
Aprovação chegou a 93,5%, mas indicador não mede sozinho aprendizagem
Outro conjunto de números refere-se ao rendimento escolar.
Em 2025, a rede municipal registrou 93,5% de aprovação, 5,9% de reprovação e 0,6% de abandono. Os três percentuais somam 100%. O município atribui os dados ao Inep.
Na comparação com 2011, a aprovação subiu de 84,8% para 93,5%. Ao mesmo tempo, a reprovação caiu de 13,7% para 5,9% e o abandono recuou de 1,5% para 0,6%.
A Prefeitura classifica 2025 como o melhor rendimento da série histórica quando exclui os anos da pandemia, período em que vigoraram regras excepcionais de aprovação.
Essa melhora tem importância para o fluxo escolar. Porém, aprovação e aprendizagem não são sinônimos. É justamente por isso que a leitura deve combinar rendimento, avaliações de aprendizagem e indicadores como o Ideb.
Folha do Leste analisou a evolução da aprovação e do abandono em Niterói
Avaliação integra política mais ampla de acompanhamento
O município reúne o Avaliar para Conhecer dentro da Jornada do Conhecimento, estratégia que inclui diagnóstico, acompanhamento pedagógico, formação continuada e políticas de permanência escolar.
Já o Tamo Junto na Escola atua em outra frente. O programa trabalha busca ativa e permanência, inclusive com articulação entre Educação, Saúde e Assistência Social. Portanto, sua finalidade não deve ser confundida com a medição da aprendizagem.
A conexão entre essas políticas ocorre quando informações diferentes ajudam a escola a identificar problemas distintos: aprender, permanecer, avançar de ano e concluir a trajetória escolar não são o mesmo indicador.
Como funciona a avaliação
Avaliar para Conhecer — aplicação de setembro de 2026
Público: estudantes do 2º ao 9º ano do Ensino Fundamental
Abrangência: oito anos escolares
Período: nesta semana; a Secretaria não publicou calendário específico por ano
Número de escolas: não divulgado na chamada atual
Número de estudantes: não divulgado
Áreas da política de avaliação: Língua Portuguesa e Matemática, conforme o escopo da contratação vigente de avaliação educacional
Número de questões: não divulgado para a aplicação atual
Duração: não divulgada para a aplicação atual
Vale nota?: o instrumento é definido oficialmente como avaliação diagnóstica, mas a Secretaria não informou se o resultado integra boletim ou média escolar nesta edição
Resultado: sem data de divulgação informada
Acesso das famílias: não detalhado
Segunda chamada: não informada
Adaptações para estudantes com deficiência: o comunicado atual não detalha os recursos; em 2025, a rede informou adaptação conforme a necessidade de cada estudante
Finalidade: identificar evidências de aprendizagem e fornecer informações para o replanejamento pedagógico.
O que acontece depois
O fluxo institucional documentado pela rede aponta para esta sequência:
- Aplicação da avaliação aos anos definidos pela Secretaria.
- Processamento dos resultados e organização dos dados.
- Produção de indicadores sobre aprendizagem.
- Elaboração de relatórios e devolutivas para gestores e unidades escolares.
- Interpretação pedagógica dos resultados pelas equipes.
- Identificação das habilidades que apresentam melhores e piores resultados.
- Replanejamento das práticas pedagógicas conforme as necessidades encontradas.
- Acompanhamento posterior para verificar o desenvolvimento das ações e fazer novos ajustes.
A rede possui histórico de produzir diagnósticos por escola, turma e estudante e de relacionar esses resultados a materiais pedagógicos. Isso, entretanto, não autoriza a exposição pública do desempenho individual dos alunos.
Indicadores da rede
Rendimento escolar em 2025
Aprovação: 93,5%
Reprovação: 5,9%
Abandono: 0,6%
Fonte informada pelo município: Inep/Censo Escolar.
Evolução do Ideb
| Etapa | 2023 | 2025 | Diferença | Variação |
|---|---|---|---|---|
| Anos iniciais | 5,0 | 5,5 | +0,5 ponto | +10% |
| Anos finais | 3,9 | 4,3 | +0,4 ponto | +10,3% |
Os resultados municipais integram a base oficial do Ideb 2025 publicada pelo Inep.
Contexto
| Rede em 2025 | Anos iniciais | Anos finais |
|---|---|---|
| Niterói — rede municipal | 5,5 | 4,3 |
| Rio de Janeiro — redes públicas | 5,8 | 4,7 |
| Brasil — redes públicas | 6,1 | 5,0 |
Portanto, Niterói avançou nas duas etapas, mas ainda permaneceu abaixo dos indicadores agregados das redes públicas estadual e nacional.
Entenda a diferença entre avaliação municipal, Saeb e Ideb
Avaliar para Conhecer: avaliação da própria rede de Niterói. Busca identificar evidências sobre habilidades dos estudantes e orientar o planejamento pedagógico. Integra o SAEN.
Saeb: sistema nacional de avaliação coordenado pelo Inep. Mede desempenho em avaliações padronizadas e fornece dados usados na análise da educação básica.
Ideb: índice de zero a dez que combina desempenho no Saeb com fluxo escolar, especialmente as taxas de aprovação obtidas no Censo Escolar.
Assim, Avaliar para Conhecer, Saeb e Ideb não são três versões da mesma prova. Eles têm abrangências, metodologias e finalidades diferentes.








