
Quem é Willer Tomaz, advogado que teve até R$ 6 bilhões em bens bloqueados pelo STF | Edilson Rodrigues/Agência Senado
O advogado e empresário Willer Tomaz de Souza, investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeitas de lavagem de dinheiro, tornou-se alvo de um bloqueio patrimonial de até R$ 6 bilhões, determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão, anunciada na sexta-feira (23), também estabeleceu a quebra de sigilos financeiros, restrições aos passaportes e a suspensão de atividades empresariais vinculadas ao investigado.
Com atuação profissional em Brasília, Willer aparece em investigações relacionadas a operações financeiras com plataformas de apostas e ao esquema de descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Além disso, mantém uma relação de amizade com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também investigado em um procedimento sobre suspeitas de lavagem de dinheiro.
O bloqueio determinado por Moraes abrange bens móveis, imóveis, aeronaves, embarcações e valores financeiros. Entretanto, o limite de R$ 6 bilhões não representa uma quantia já apreendida ou a comprovação de patrimônio desse valor. A medida possui natureza cautelar, enquanto as autoridades prosseguem com as investigações.
Quem é Willer Tomaz de Souza?
Willer Tomaz de Souza é advogado e empresário com atuação em Brasília e registros profissionais em diferentes unidades da Federação. Documentos públicos do STF identificam sua inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal (OAB-DF), sob o número 32.023.
Além da atividade jurídica, o advogado mantém relações empresariais examinadas em investigações sobre movimentações financeiras, bens patrimoniais e plataformas de apostas.
Uma das empresas mencionadas nas apurações é a Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira, em Portugal. Segundo a Agência Brasil, a empresa integra o conjunto de informações financeiras que a Justiça pretende examinar.
O nome de Willer também aparece em procedimentos judiciais anteriores. Em 2017, o Ministério Público Federal apresentou denúncia contra o advogado por suspeitas de corrupção ativa, violação de sigilo e obstrução de investigação.
Entretanto, o oferecimento de denúncia não equivale a uma condenação. O resultado definitivo daquele procedimento não foi confirmado nas fontes consultadas para esta reportagem.
Por que Moraes determinou bloqueio de até R$ 6 bilhões?
Na sexta-feira (23), o ministro Alexandre de Moraes determinou o bloqueio de bens e valores vinculados a Willer Tomaz, até o limite de R$ 6 bilhões.
A decisão ocorreu após a Polícia Federal identificar uma viagem do advogado para Miami, nos Estados Unidos. O deslocamento aconteceu depois de uma operação de busca e apreensão realizada em agosto.
Segundo a Agência Brasil, a investigação envolve suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a negócios com plataformas de apostas.
Além do bloqueio patrimonial, o ministro determinou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial do investigado.
A ordem também estabeleceu restrições aos passaportes e a paralisação das atividades econômicas, financeiras e empresariais de suas empresas.
Para executar as determinações, o STF comunicará as instituições responsáveis pela fiscalização e pelo controle das operações financeiras.
Entre elas estão o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Bloqueio de R$ 6 bilhões não significa apreensão desse valor
O montante citado na decisão judicial exige uma distinção entre bloqueio patrimonial, apreensão de bens e confisco definitivo.
O bloqueio cautelar restringe a disponibilidade de determinados ativos enquanto a Justiça examina os fatos. A medida pode atingir valores financeiros e outros bens, conforme os limites e as condições da decisão.
Já a apreensão envolve a retirada ou a custódia de bens ou objetos, nos termos da legislação e das ordens judiciais aplicáveis.
Por sua vez, o confisco definitivo depende de fundamentos jurídicos próprios e não decorre automaticamente de uma decisão cautelar.
Portanto, não é correto afirmar que Willer Tomaz possuía R$ 6 bilhões em contas bancárias ou que toda essa quantia já tenha sido apreendida.
O balanço divulgado não informa o valor efetivamente encontrado ou indisponibilizado pelas instituições financeiras. Também não apresenta uma relação patrimonial completa dos bens atingidos.
Operação Sem Desconto também investiga Willer Tomaz
O nome do advogado aparece em outra frente de investigação: a Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal para apurar fraudes envolvendo descontos em aposentadorias e pensões do INSS.
Em 4 de agosto de 2026, a corporação deflagrou uma nova fase da operação para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro.
Na ocasião, policiais cumpriram 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão, mediante autorização judicial do Supremo Tribunal Federal.
Segundo a PF, as investigações identificaram indícios de movimentações financeiras e patrimoniais por meio de pessoas físicas, empresas e contas bancárias de terceiros.
Os investigadores também examinam operações com dinheiro em espécie, além da possível ocultação da origem e do destino de recursos.
Essa etapa da investigação tramita sob a relatoria do ministro André Mendonça, na Petição 16435.
Portanto, a Operação Sem Desconto possui objeto e procedimentos próprios, que não devem ser automaticamente confundidos com a investigação sobre operações financeiras envolvendo apostas.
STF aponta suspeita de atuação em estrutura financeira ligada a Weverton Rocha
Na Operação Sem Desconto, a Polícia Federal investiga suspeitas de operações financeiras que teriam beneficiado o senador Weverton Rocha (PDT-MA).
Conforme nota oficial do Supremo Tribunal Federal, os investigadores atribuem a Willer Tomaz uma possível função de sustentação financeira, patrimonial e logística da estrutura investigada.
A apuração menciona relações com empresas, imóveis, aeronaves, pilotos, operadores financeiros e interlocutores políticos.
Segundo o STF, a Polícia Federal pretende esclarecer se pessoas físicas e jurídicas ligadas aos investigados movimentaram ou ocultaram recursos provenientes de eventuais irregularidades previdenciárias.
Além disso, a investigação examina transações relacionadas a empresas contratadas por prefeituras do Maranhão, empreendimentos da construção civil e agentes políticos locais.
Entretanto, essas informações representam hipóteses investigativas apresentadas pela Polícia Federal. A individualização das condutas e a eventual responsabilização criminal dependem das conclusões das autoridades competentes.
Investigação alcançou escritórios e registros financeiros do advogado
O ministro André Mendonça autorizou diligências envolvendo escritórios de advocacia vinculados a Willer Tomaz durante a Operação Sem Desconto.
Entretanto, o magistrado estabeleceu limites para a busca de documentos. As diligências deveriam se concentrar nos registros relacionados aos fatos investigados.
Entre os materiais de interesse estavam contratos, comprovantes financeiros, documentos societários e administrativos, além de informações patrimoniais pertinentes.
A decisão também autorizou o acesso restrito a dados de localização telefônica, conforme o período indicado pela Polícia Federal.
O objetivo era verificar informações relevantes para a execução das diligências, diante da possibilidade de deslocamento rápido do investigado.
Por outro lado, o ministro preservou os limites relacionados ao exercício profissional da advocacia. A decisão não autorizou acesso indiscriminado às informações de clientes ou de outros integrantes dos escritórios.
Assim, as medidas buscaram obter registros relacionados à investigação, respeitando as garantias legais da atividade profissional.
Qual é a relação de Willer Tomaz com Flávio Bolsonaro?
A relação entre Willer Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro ganhou destaque durante a campanha presidencial de 2026.
O parlamentar reconheceu publicamente que mantém uma relação de amizade com o advogado. Entretanto, negou a existência de relações comerciais entre ambos.
Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, a Polícia Federal também investiga suspeitas de movimentações financeiras relacionadas à Alcazar Holdings, empresa vinculada a Willer Tomaz.
A companhia passou a integrar as discussões eleitorais sobre a divulgação voluntária dos sigilos bancários, fiscais e telefônicos dos candidatos à Presidência.
Na quinta-feira (22), representantes das campanhas de Lula e Flávio apresentaram ao Tribunal Superior Eleitoral um acordo sobre a disponibilização dessas informações.
O compromisso incluiu a Alcazar Holdings entre as empresas cujos dados seriam abrangidos pelas condições negociadas.
Entretanto, a inclusão da empresa no acordo eleitoral não representa reconhecimento de participação societária de Flávio Bolsonaro, nem comprova irregularidades financeiras.
O Folha do Leste acompanhou o caso na reportagem sobre a decisão do TSE que dispensou sua mediação para a abertura voluntária dos sigilos dos candidatos.
O procedimento eleitoral também não se confunde com as investigações criminais em andamento no Supremo Tribunal Federal.
Decisão judicial também proibiu contato entre Flávio e Willer
Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes determinou que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes à Polícia Federal.
Além disso, proibiu o senador de deixar o Brasil e de manter contato com Willer Tomaz.
As determinações integram um processo que investiga ambos por suspeitas de lavagem de dinheiro.
Entretanto, a íntegra da decisão permanece sob segredo de Justiça. Por isso, as condições específicas de todas as restrições não estão integralmente disponíveis para consulta pública.
Na terça-feira (27), a Polícia Federal cancelou os passaportes do senador após o descumprimento do prazo judicial de entrega.
Essa medida, entretanto, foi dirigida a Flávio Bolsonaro e não deve ser confundida com as determinações patrimoniais anteriormente impostas a Willer Tomaz.
Defesa e situação das investigações
As investigações envolvendo Willer Tomaz continuam em andamento. Até a publicação da reportagem da Agência Brasil de 23 de outubro, a agência buscava manifestação da defesa do advogado sobre as novas medidas judiciais.
Já Flávio Bolsonaro reconheceu a amizade com Willer, mas negou manter negócios com ele ou participar de irregularidades.
A atuação da Polícia Federal envolve a análise de documentos, movimentações patrimoniais e eventuais relações financeiras entre os investigados.
Além disso, as autoridades deverão examinar os dados obtidos com a quebra de sigilos e as demais diligências autorizadas judicialmente.
As decisões cautelares não representam condenação criminal. A responsabilização de qualquer investigado depende da comprovação dos fatos e dos procedimentos previstos na legislação.
Até o momento, as informações oficiais permitem confirmar as investigações, as diligências realizadas e as medidas determinadas pelos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.
Entretanto, não há demonstração pública de que todo o patrimônio abrangido pelo limite de R$ 6 bilhões tenha sido efetivamente bloqueado. A apuração também não permite tratar as suspeitas investigadas como fatos criminosos definitivamente comprovados.








