
Botafogo tem seis contratos no fim; Júnior Santos vira principal decisão para 2027 | Vitor Silva/Botafogo
O Botafogo entrou nos últimos três meses de 2026 com seis jogadores do elenco profissional vinculados somente até dezembro. A lista mistura veteranos, um jovem com poucas oportunidades e, principalmente, Júnior Santos, que voltou por empréstimo do Atlético-MG e se tornou o caso esportivamente mais relevante para o planejamento da próxima temporada.
Além do atacante de 31 anos, estão em reta final de vínculo Tiquinho Soares, Allan, Edenilson, Marçal e Kadu. Quatro dos seis têm 35 anos ou mais, justamente enquanto a SAF tenta equilibrar experiência, redução de custos e renovação do elenco.
A situação não significa que os seis deixarão o clube. Cada contrato possui uma circunstância diferente. Entretanto, outubro coloca o Botafogo diante de decisões que ajudam a desenhar o grupo que Tite, contratado até 2028, terá à disposição no próximo ano.
Entre todos, Júnior Santos reúne um diferencial: o Botafogo precisa decidir se investirá para transformá-lo novamente em jogador definitivo do clube.
Júnior Santos é o mais utilizado entre os pendentes
Júnior Santos voltou ao Botafogo em março, emprestado pelo Atlético-MG até dezembro de 2026.
Desde então, disputou 22 partidas, começou 13 como titular e marcou dois gols. Portanto, iniciou aproximadamente 59% dos jogos em que participou.
Nenhum outro jogador da lista de contratos próximos do fim recebeu utilização semelhante neste momento.
O acordo permite ao Botafogo exercer uma opção de compra ao término do empréstimo. Assim, diferentemente de uma simples renovação, a permanência exige uma decisão também sobre investimento e direitos econômicos.
Quando o atacante retornou ao Rio, o Folha do Leste mostrou que Júnior Santos começava sua terceira passagem pelo Botafogo após sair para o Atlético-MG.
Agora, sete meses depois, o contexto mudou. A discussão já não envolve a volta de um jogador identificado com o clube, mas quanto sua participação atual justifica um novo investimento para 2027.
Tiquinho precisa transformar retorno em sequência
O segundo atacante da lista vive uma realidade completamente diferente.
Tiquinho Soares, de 35 anos, retornou ao Botafogo apenas no fim de agosto. Livre no mercado, assinou contrato curto até dezembro e aceitou condições financeiras inferiores às disponíveis em outras propostas.
Entretanto, o centroavante ainda teve pouco tempo para produzir uma avaliação esportiva mais ampla.
Tiquinho entrou contra Red Bull Bragantino e Grêmio e ainda não marcou desde o retorno. Além disso, chegou depois de um período prolongado sem partidas e precisou cumprir trabalho específico de recondicionamento.
Por isso, as últimas rodadas do Brasileirão podem ganhar um peso maior para o futuro do camisa 9.
O Botafogo não precisa avaliar somente aquilo que Tiquinho representa historicamente. Precisa medir quanto o atacante de 35 anos ainda pode entregar dentro do modelo de Tite em 2027.
Allan tenta recuperar espaço depois de longa lesão
Allan, também com 35 anos, atravessou grande parte da temporada afastado.
O volante ficou mais de três meses fora após uma lesão muscular importante. Em agosto, voltou a integrar o elenco justamente antes da partida contra o Vitória.
Desde a recuperação, porém, disputou apenas duas partidas.
Começou como titular contra o Athletico-PR e entrou nos minutos finais da vitória sobre o Grêmio.
Dessa forma, o problema de Allan é diferente daquele enfrentado por Júnior Santos. Não existe uma decisão de compra, mas há uma questão de disponibilidade e espaço esportivo.
A reta final mostrará se o volante consegue voltar a fazer parte efetiva das opções do meio-campo.
Edenilson termina contrato durante recuperação
O caso de Edenilson, de 36 anos, acrescenta outra variável.
O meio-campista disputou 36 partidas em 2026, mas sofreu uma lesão muscular na coxa direita durante a derrota para o Mirassol, justamente na estreia de Tite.
O Botafogo estabeleceu prazo de quatro a seis semanas para a recuperação.
Assim, no cenário mais conservador, Edenilson voltará apenas no fim de outubro. Isso reduzirá significativamente o período disponível para jogar antes do término do vínculo.
Quando chegou ao clube em fevereiro, o jogador afirmou que escolheu o Botafogo pelo projeto esportivo. O Folha do Leste acompanhou a chegada do volante e sua rápida integração ao elenco.
Agora, oito meses depois, desempenho, idade e recuperação física entrarão juntos na avaliação para 2027.
Marçal já deixou claro que quer permanecer
Entre os veteranos, Marçal apresenta a posição pessoal mais clara.
Aos 37 anos, o lateral já disse publicamente que não pretende encerrar a carreira ao término desta temporada e manifestou vontade de continuar no Botafogo.
Em julho, ele chegou a brincar com uma campanha pela própria permanência. O Folha do Leste mostrou quando Marçal pediu renovação e descartou aposentadoria.
Desde então, o jogador continuou recebendo oportunidades.
Marçal começou como titular recentemente contra Flamengo e Palmeiras. Contra o Grêmio, entrou no segundo tempo e ajudou o Botafogo a terminar a partida com uma linha defensiva de cinco jogadores.
Entretanto, a lateral esquerda também possui Alex Telles e Paulinho.
Alex Telles, que inicialmente integrava o grupo de jogadores com vínculo curto, resolveu sua situação em agosto. O capitão renovou até dezembro de 2028.
Além disso, Paulinho assinou também até 2028 e tenta ampliar sua participação. Como mostrou o Folha do Leste, ele disputa espaço justamente com Alex Telles em uma posição bastante concorrida.
Portanto, a vontade de Marçal permanecer existe. A decisão do clube dependerá também da configuração que pretende manter para a posição.
Kadu representa o extremo oposto da lista
Se Marçal é o mais velho, Kadu é disparadamente o mais jovem.
O lateral-direito tem 21 anos e pertence ao Remo. Seu empréstimo inicialmente terminaria no meio do ano, mas o Botafogo pagou uma compensação financeira para estender o vínculo até dezembro.
O clube não exerceu a opção de compra naquele momento.
Kadu teve oportunidades principalmente no início do Campeonato Carioca, quando o Botafogo utilizou muitos jogadores da base e atletas que buscavam espaço.
Depois, praticamente desapareceu do time principal.
Curiosamente, ganhou um pequeno sinal com a chegada de Tite. Na primeira relação do treinador, Kadu apareceu como alternativa para a lateral direita, enquanto Mateo Ponte ficou fora por opção técnica.
Diferentemente dos veteranos, portanto, a discussão sobre Kadu envolve desenvolvimento e potencial, não longevidade.
Contratos colocam experiência e renovação frente a frente
A composição dos seis casos ilustra uma das questões centrais do novo Botafogo.
Tiquinho tem 35 anos. Allan, 35. Edenilson, 36. Marçal, 37.
Júnior Santos, aos 31, aparece no meio do caminho. Kadu, com 21, representa a juventude.
A própria SAF estabeleceu como diretriz equilibrar jogadores experientes com atletas mais jovens e construir um elenco sustentável. Ao mesmo tempo, a segunda janela de 2026 trouxe uma reformulação profunda, com numerosas saídas e redução de despesas.
Essa transformação ocorreu durante a reorganização societária do clube. O Folha do Leste mostrou recentemente como a SAF aprovou uma operação de capital enquanto avança nas discussões relacionadas à GDA Luma.
No campo, também existe uma referência nova para as decisões.
Tite tem contrato até dezembro de 2028. Portanto, o treinador não trabalha apenas para terminar o atual Brasileirão: participa de um ciclo que atravessa as próximas duas temporadas.
Agora, a montagem do primeiro elenco integralmente pensado dentro desse ciclo começa a ganhar forma.
Clássico com Vasco abre reta final de avaliação
O Botafogo volta a campo na próxima quarta-feira, 7 de outubro, às 20h30, contra o Vasco, no Nilton Santos, pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro.
A equipe ocupa a 12ª colocação, com 35 pontos.
Além da necessidade de melhorar sua posição na tabela, as dez rodadas finais darão a Tite oportunidade para aprofundar avaliações individuais.
Para alguns jogadores, elas poderão pesar diretamente na permanência.
Júnior Santos precisa justificar uma eventual compra. Tiquinho busca sequência. Allan tenta recuperar espaço. Edenilson precisa voltar de lesão. Marçal já manifestou desejo de continuar. Kadu procura mostrar potencial.
São seis contratos terminando na mesma data, mas seis decisões completamente diferentes para o Botafogo de 2027.








