Sapucaí para Todos: O brilho da inclusão no Carnaval 2026

Sapucaí para Todos: O brilho da inclusão no Carnaval 2026 | Divulgação
O maior espetáculo da Terra está mais inclusivo e democrático. Enquanto os fogos anunciavam a entrada da última escola, no Sábado das Campeãs, uma vitória silenciosa, mas estrondosa, ecoava em cada metro quadrado da Passarela do Samba: a vitória do acesso. Em 2026, o Carnaval do Rio não apenas desfilou cores e ritmos, mas consolidou a ideia de que a folia só é completa quando todos, sem exceção, podem senti-la.
O Coração Pulsante do Setor 13
No Setor 13, tradicional pela acessibilidade, a experiência em 2026 atingiu um patamar sensorial inédito, comparado aos anos anteriores. Mais do que uma área reservada, o espaço se transformou em um laboratório para a tecnologia assistiva.
Vibração que se ouve: Surdos e pessoas com deficiência auditiva puderam sentir a pulsação da bateria através de coletes sensoriais que transformam as frequências sonoras em vibrações táteis.
Olhos que narram: Através de fones de ouvido, o serviço de audiodescrição ao vivo detalhou cada movimento da Comissão de Frente e cada adereço dos carros alegóricos para cegos e pessoas com baixa visão.
Conforto Sensorial: Para foliões autistas ou com TDAH, foram disponibilizados abafadores de ruído e óculos com filtros para fotossensibilidade, mitigando o impacto das luzes e do som, sem retirar a pessoa da festa.
“A gente estuda os sambas meses antes para traduzir não apenas as palavras, mas as metáforas e a alma do enredo em Libras”, explica uma das intérpretes que atuou no setor. Ao longo da Marquês de Sapucaí em imensas telas de led via-se um intérprete de LIBRAS em momento real.

Sapucaí para Todos: O brilho da inclusão no Carnaval 2026 | Divulgação
Esse acolhimento do setor 13 foi o resultado do empenho dos profissionais da SMPD (Secretaria Municipal das Pessoas com Deficiência) do Rio de Janeiro.
Ainda assim, nas redes sociais, foliões PCD e acompanhantes que prestigiaram a festa da folia salientaram que ainda é preciso melhorias na questão dos atendimentos preferenciais e maior disponibilidade de cadeiras no setor 13, para os próximos anos. Cresce o acolhimento chegam os novos desafios.
O Padrão Ouro da Hospitalidade nos Camarotes
A inclusão também está quebrando a barreira dos degraus — ou melhor, as rampas e elevadores ganharam sua real importância no contexto. Nos camarotes, que são os espaços conhecidos pelo luxo, a acessibilidade foi a protagonista da temporada.
Espaços como o Camarote VerdeRosa se destacaram pela infraestrutura adaptada, embora o Procon-RJ tenha mantido uma fiscalização rigorosa, autuando estabelecimentos que ainda apresentavam falhas estruturais, reforçando que o direito ao lazer não admite degraus.
Embaixadores da Alegria
A Abertura do desfile das seis primeiras escolas, no sábado das Campeãs, teve como ápice a passagem de um bloco. Antes das grandes vitoriosas do Grupo Especial pisarem na avenida, o asfalto foi “benzido” pelo desfile do bloco Embaixadores da Alegria.
O bloco abriu a noite com mais de 1.500 componentes.

Sapucaí para Todos: O brilho da inclusão no Carnaval 2026 | Divulgação
Pela primeira vez, utilizou exoesqueletos leves para permitir que alguns componentes com paralisia física pudessem realizar o trajeto de 700 metros, caminhando, emocionando o público, nos setores 3 e 11.
Fundado com a missão específica de incluir PCD no coração do samba, o bloco reuniu centenas de foliões em cadeiras de rodas, com próteses, cegos e pessoas com deficiência intelectual. O desfile não foi apenas uma exibição, mas um manifesto de que o corpo que samba é, acima de tudo, um corpo feliz.
Escolas de Samba e as Alas Inclusivas
Ao longo de todos os dias de desfile do Grupo Especial, a cena das alas dedicadas ou integradas por PCD tornou-se a regra, não a exceção. Escolas tradicionais investiram em fantasias leves e adaptadas, o que tem relevância como requisito para os jurados avaliarem a pontuação das fantasias apresentadas como um todo. Percebe-se que um novo olhar está garantindo aos foliões que o tempo de desfile e a evolução não possam ser barreiras para os componentes, sem ou com deficiência.
Inclusão progressiva é conquista permanente
O Carnaval 2026 deixa um legado: a acessibilidade não é um “extra”, ou um favor. Acessibilidade e inclusão são engrenagens vitais para a indústria cultural carioca. Na passarela do samba de 2026, a maior nota dez foi para o respeito.
Recursos de Acessibilidade 2026
Alguns recursos fizeram toda a diferença para incluir todos à festa: coletes sensoriais que permitem que surdos “sintam” o bumbo da bateria., audiodescrição que é a narração, em tempo real, de fantasias e alegorias, intérpretes de LIBRAS que trata-se da tradução poética e rítmica dos sambas-enredo por meio de gesticulação das mãos e expressão facial.
Ingressos Gratuitos
Foi por meio da distribuição de 300 convites/dia via CIAD. O Carnaval 2026 deixa um legado: a acessibilidade não é um “extra” ou um favor, mas uma engrenagem vital da indústria cultural carioca. Na passarela de 2026, o maior nota dez foi para o respeito.
Consolidou-se o que vinha sendo ensaiado nos últimos anos: a inclusão deixou de ser um “momento isolado” para se tornar parte da estrutura narrativa das agremiações. No Grupo Especial, diversas escolas adaptaram suas alas para que componentes com deficiência não apenas estivessem presentes, mas brilhassem em posições de destaque.
Alguns destaques das agremiações que lideraram esse movimento na Avenida:
Mangueira: A Ancestralidade em Libras
A Estação Primeira de Mangueira trouxe uma ala inteira composta por passistas surdos. Em 2026, a escola inovou ao integrar a Língua Brasileira de Sinais (Libras) à própria coreografia da ala, fazendo com que as mãos dos componentes contassem o enredo visualmente enquanto o corpo mantinha o samba no pé, guiado pela vibração do surdo de primeira da bateria.
Portela: Tecnologia e Mobilidade
A “Majestade do Samba” apresentou uma ala de cadeirantes com fantasias acopladas às cadeiras de rodas, transformando-as em pequenas esculturas móveis que remetiam à navegação e aos rios, tema central da escola. O uso de rodas iluminadas por LED, que mudavam de cor conforme o setor da arquibancada, simularam um efeito visual de ondas.
Vila Isabel: O Legado de Noel para Todos
A Vila Isabel se destacou pela Ala da Diversidade Cognitiva. Em parceria com o Instituto Olga Kos, a escola levou para o Sambódromo jovens e adultos com Síndrome de Down e autismo. A escola criou “Zonas de Silêncio” internas na concentração para evitar crises sensoriais antes da entrada da agremiação garantindo que o desfile fosse prazeroso do início ao fim.
Salgueiro: A Força da Superação
O Acadêmicos do Salgueiro trouxe, logo após o primeiro casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, uma sub-ala de pessoas com deficiência visual. Eles desfilaram com guias discretos e figurinos que utilizavam texturas variadas (veludo, lantejoulas, bordados em relevo), permitindo que os próprios componentes “lessem” suas fantasias pelo tato.










































