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União de Maricá é campeã da Série Ouro e sobe para o Grupo Especial

Mais do que Especial: Maricá vence disputa na Série Ouro e passa a fazer parte da elite do Carnaval | Riotur

Campeã da Série Ouro 2027: União de Maricá vence e sobe para o Grupo Especial | Riotur

Por André Freitas e Diego Machado, do RIO DE JANEIRO — O samba do Leste Fluminense segue em festa, pois a União de Maricá é a grande campeã do Carnaval 2026 da Série Ouro. A apuração das notas aconteceu nesta quinta-feira (19), em um hotel, no Santo Cristo, no Rio de Janeiro. Como resultado, a vermelho e branco sobe para o Grupo Especial na vaga da Acadêmicos de Niterói, rebaixada ontem (quarta, 18).

Zé Paulo Sierra, intérprete da campeã da Série Ouro União de Maricá, vence o Carnaval 2026 e sobe para o Grupo Especial | Riotur

Zé Paulo Sierra, intérprete da campeã da Série Ouro União de Maricá, vence o Carnaval 2026 e sobe para o Grupo Especial | Riotur

O Império Serrano ficou em segundo lugar, com 269,1 pontos. Em seguida, a bicho-papão Unidos de Padre Miguel (269), vencedora do Estandarte de Ouro. Na sequência, União da Ilha (4ª colocada, 268,8); Em Cima da Hora (5ª, 268,7).

 

Veja momento da entrega do troféu, registrada pelo repórter Diego Machado, do Folha do Leste

Largou em penúltimo e chegou em primeiro

Mesmo começando a apuração punida em dois décimos, em decorrência de ter ultrapassado o tempo regulamentar de desfile em dois minutos, a União de Maricá superou a Unidos de Padre Miguel, que vinha liderando a apuração nas notas. Principalmente, nos quesitos Bateria, Evolução, Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Enredo e Samba-Enredo.

A perda desses pontos ainda teve o agravante de um acidente sobre a linha final de desfile, envolvendo o último carro alegórico.  Quatro pessoas ficaram feridas, uma delas em estado grave, o do colaborador Itamar de Oliveira.

Ao final da apuração, a União de Maricá somou 269,4 pontos. A agremiação perdeu pontos em Evolução (-0,1) e Alegorias e Adereços (-0,3).

Segunda alegoria da União de Maricá, “Ogum e a Forja do Metal”, fez menção ao imaginário do orixá dentro da simbologia da joia de tradição afro-brasileira | Riotur

Desfile arrebatador

Sexta escola a desfilar na noite de sábado, a agremiação apresentou o enredo “Berenguendéns e Balangandãs”, do Carnavalesco Leandro Vieira. A agremiação chegou à Série Ouro em 2024 e chega ao Especial após três desfiles.

O desfile reconstruiu a Bahia oitocentista como uma “Roma negra”, marcada pela presença decisiva da cultura africana na formação de sua identidade.

Nas ruas que ligam o cais à cidade alta, mulheres negras comerciantes circulam com seus tabuleiros e, sobretudo, com seus balangandãs — joias de ouro e prata que tilintam como chocalhos e carregam memórias de reinos africanos, divindades e saberes metalúrgicos trazidos na diáspora.

Esses adornos, ligados ao culto aos orixás e à ancestralidade, funcionavam como amuletos, símbolos de status e também reservas de valor. Elas transformaram esse luxo em estratégia de emancipação. Assim, deixaram como legado uma história de poder, identidade e conquista gravada em ouro e prata.

Em meio a uma sociedade escravocrata, as joias tornaram-se instrumento de resistência e ascensão social. Principalmente em razão de muitas dessas mulheres, chamadas “sinhás pretas”, acumularem riqueza suficiente para comprar a própria liberdade e a de seus descendentes.

André Freitas
André Freitas é diretor-executivo e repórter do Folha do Leste e da Brasil 21 Comunicação. Jornalista e radialista desde a década de 1990, é narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, com 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Possui ampla experiência na cobertura da editoria de política, em razão de funções exercidas nos poderes Legislativo e Executivo, com atuação nas Câmaras Municipais de Niterói, São Gonçalo e Campos dos Goytacazes, além da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e da Prefeitura de Niterói. Dirigiu por 15 anos a Rádio Absoluta, onde apresentou programas noticiosos diários e conduziu coberturas esportivas, incluindo mais de uma década acompanhando a seleção brasileira de futebol. Nesse período, esteve presente em duas Copas do Mundo e em uma edição dos Jogos Olímpicos. Trabalhou também nas rádios Campos Difusora (Campos/RJ) e Litorânea (ES). Exerceu o cargo de editor-chefe nos jornais Olho Vivo (Niterói/RJ) e A Tribuna (Niterói/RJ), além de atuar como colunista do jornal O Diário (Campos dos Goytacazes/RJ).

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