Comprar uma placa de vídeo apenas pelo nome da GPU pode deixar um detalhe importante passar despercebido: a quantidade de VRAM.
Em um guia atualizado para 2026, a ASUS estabeleceu referências para quem joga em 1080p, 1440p e 4K.
Segundo a fabricante, 8 GB ainda atendem bem ao 1080p, principalmente em jogos competitivos e multiplayer. Para 1440p, porém, a recomendação sobe para 12 GB a 16 GB.
Já no 4K, a empresa considera 16 GB o ponto de partida para uma experiência mais confortável em jogos atuais.
Isso não significa que uma placa com mais VRAM seja automaticamente mais rápida.
E essa diferença importa bastante.
Afinal, o que a VRAM faz?
A VRAM funciona como uma memória dedicada da placa de vídeo.
Ela armazena dados que a GPU precisa acessar rapidamente durante a renderização.
Entram nessa conta:
texturas, modelos 3D, informações de iluminação, buffers e outros elementos gráficos.
Quanto maiores a resolução e a qualidade dos assets, maior tende a ser o consumo.
O problema aparece quando o jogo precisa de mais memória do que a placa oferece.
Nesse caso, parte desses dados pode acabar sendo movimentada para a memória do sistema, muito mais distante da GPU.
O resultado pode aparecer como travamentos, stuttering, texturas carregando atrasadas ou quedas de desempenho.
8 GB ainda servem para jogar em 2026?
Servem.
Mas depende do jogo e, principalmente, da resolução.
A ASUS considera 8 GB uma base adequada para 1080p em 2026.
Esse cenário faz mais sentido para quem joga títulos competitivos, multiplayer e games que não usam pacotes enormes de texturas.
Jogos de e-sports também costumam priorizar desempenho em uma variedade maior de computadores.
Por isso, uma GPU de 8 GB não virou sucata de uma hora para outra.
Entretanto, a situação muda quando entram jogos AAA recentes, texturas no máximo e resoluções maiores.
1440p já pede mais espaço
Para jogar em 2560 × 1440 pixels, a ASUS coloca 12 GB como um ponto mais confortável.
Além disso, a fabricante considera a faixa entre 12 GB e 16 GB mais adequada para quem quer manter a placa por vários anos.
Uma GPU de 8 GB ainda pode rodar jogos em 1440p.
Porém, em determinados títulos, o jogador pode precisar reduzir a qualidade das texturas ou outras configurações para evitar o limite da memória.
Aqui aparece uma diferença importante.
A placa pode ter potência suficiente para renderizar o jogo, mas faltar VRAM para manter todos os assets carregados na configuração escolhida.
Para 4K, ASUS recomenda começar em 16 GB
No 4K, o salto fica maior.
Segundo a ASUS, 16 GB de VRAM representam o ponto de partida recomendado para esse tipo de jogo em 2026.
A resolução de 3840 × 2160 pixels trabalha com quatro vezes a quantidade de pixels do Full HD.
Além disso, quem compra uma GPU para 4K normalmente também pretende usar texturas de alta resolução e outros recursos gráficos avançados.
Por esse motivo, a pressão sobre a memória cresce.
Isso não significa que todo jogo em 4K obrigatoriamente consuma 16 GB.
A recomendação funciona como uma margem para títulos mais exigentes e para o uso da placa por mais tempo.
Mais VRAM não significa mais FPS
Esse é o ponto que mais merece atenção.
Uma placa de 16 GB não será necessariamente mais rápida do que outra de 8 GB apenas porque possui o dobro de memória.
A quantidade de VRAM representa apenas uma parte da GPU.
Arquitetura, quantidade de unidades de processamento, clocks, largura de banda da memória e outros fatores também influenciam o desempenho.
A própria ASUS ressalta que ter VRAM suficiente evita perdas de desempenho, mas adicionar memória além do necessário não aumenta automaticamente o FPS médio.
Em outras palavras: VRAM insuficiente pode atrapalhar.
VRAM sobrando não cria desempenho do nada.
DLSS e FSR mudam a conta
Tecnologias de upscaling também complicam uma comparação direta.
Recursos como Nvidia DLSS e AMD FSR permitem que o jogo renderize internamente em uma resolução menor e reconstrua a imagem para a resolução escolhida.
Isso pode reduzir tanto a carga sobre a GPU quanto o consumo de VRAM em determinados cenários.
Assim, alguém com monitor 4K pode não precisar executar o jogo internamente em 4K nativo o tempo inteiro.
Por outro lado, recursos gráficos mais pesados também podem aumentar o uso da memória.
Por isso, não existe um único número válido para todos os jogos.
8 GB fazem mais sentido em Full HD
A ASUS cita placas de 8 GB como opções adequadas para jogadores focados em Full HD.
Entre os exemplos aparecem a GeForce RTX 5060 e a Radeon RX 9060 XT de 8 GB.
Aqui vale uma ressalva importante.
Essas são recomendações da própria fabricante, que também comercializa placas baseadas nessas GPUs.
Portanto, os modelos servem como exemplos de categoria e não como uma classificação independente de custo-benefício.
1440p abre espaço para 12 GB e 16 GB
Para 1440p, a fabricante cita placas como:
- GeForce RTX 5060 Ti 16 GB,
- GeForce RTX 5070,
- e Radeon RX 9070.
A lógica é simples.
À medida que o jogador aumenta resolução, texturas e complexidade gráfica, manter uma margem maior de memória reduz a chance de encontrar limitações relacionadas à VRAM.
Entretanto, a quantidade de memória não deve ser usada sozinha para comparar duas GPUs.
Uma placa com mais VRAM ainda pode entregar menos desempenho bruto do que outra com menos memória.
E para quem usa inteligência artificial?
A mesma discussão ganhou outro componente em 2026.
Modelos de IA executados localmente também podem consumir muita memória de vídeo.
Segundo a ASUS, 8 GB já permitem algumas aplicações locais, enquanto 16 GB ampliam bastante as possibilidades.
Projetos maiores podem ultrapassar esse limite rapidamente.
Nesse tipo de uso, a quantidade de VRAM influencia inclusive o tamanho do modelo que consegue permanecer carregado na GPU.
Por isso, uma placa pensada para gaming + IA pode exigir uma escolha diferente daquela destinada apenas a jogos.
Quem edita vídeo também precisa olhar para VRAM
O mesmo vale para criação de conteúdo.
Projetos com vídeos em alta resolução, efeitos e assets grandes podem ocupar muita memória gráfica.
Se a VRAM acaba, o software precisa buscar dados em outras áreas da memória do computador.
Isso aumenta a latência e pode deixar tarefas como navegar pela timeline menos fluidas.
Portanto, quem monta uma máquina profissional precisa considerar o programa usado e o tamanho habitual dos projetos.
Quanto de VRAM escolher em 2026?
Como referência apresentada pela ASUS:
1080p: 8 GB continuam sendo uma base razoável.
1440p: 12 GB aparecem como ponto mais confortável; 12 GB a 16 GB oferecem margem maior.
4K: 16 GB passam a ser a referência inicial para configurações mais exigentes.
Mas nenhum desses números funciona isoladamente.
Um jogador competitivo em 1080p possui necessidades diferentes de alguém tentando rodar um AAA em 4K com tudo no máximo.
Por isso, antes de escolher a placa, vale olhar primeiro para quais jogos serão usados, qual a resolução do monitor e por quanto tempo a GPU deverá permanecer no computador.
VRAM virou parte da escolha, não a escolha inteira
Durante muito tempo, era comum comparar placas olhando quase exclusivamente para o modelo da GPU.
Hoje isso já não basta.
A quantidade de VRAM pode determinar até onde uma placa consegue manter determinadas configurações sem esbarrar na memória.
Ao mesmo tempo, comprar memória que o jogo nunca usará também não transforma uma GPU intermediária em uma topo de linha.
A melhor escolha continua sendo equilibrar GPU, VRAM, resolução e tipo de jogo.
Em 2026, porém, ignorar completamente a memória da placa ficou cada vez mais difícil.









