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Supernatural volta ao Meta Quest, mas deixa Brasil de fora

Cena de exercício em realidade virtual mostra alvos flutuantes, partículas luminosas e um bastão virtual diante de uma paisagem montanhosa.

Supernatural volta ao Meta Quest, mas deixa Brasil de fora | Divulgação/Meta

Supernatural voltou ao Meta Quest em 21 de outubro de 2026, com exercícios de boxe, atividades rítmicas e milhares de treinos em realidade virtual. Entretanto, a nova versão mantém uma restrição importante: apenas usuários dos Estados Unidos e do Canadá podem acessar oficialmente o serviço. Portanto, quem possui um headset no Brasil continua fora da área de atendimento.

O retorno também representa uma mudança empresarial. Após deixar a estrutura da Meta, o aplicativo passou para as mãos da Supernatural Health, companhia independente formada por integrantes da equipe original. Agora, o grupo tenta reconstruir a plataforma, recuperar conteúdos conhecidos e desenvolver novos recursos com uma estrutura própria.

A estreia aconteceu em acesso antecipado, modalidade que permite utilizar o aplicativo enquanto os desenvolvedores continuam aprimorando suas funcionalidades. Além disso, o serviço exige assinatura, com valores internacionais próximos de US$ 20 mensais ou US$ 200 anuais.

Como funciona o Supernatural no Meta Quest?

O Supernatural transforma exercícios físicos em atividades interativas dentro da realidade virtual. Em vez de acompanhar uma aula convencional pela televisão, o usuário coloca o headset e participa de treinos que combinam movimentos corporais, música e alvos virtuais.

Na modalidade Boxing, por exemplo, o participante executa sequências de socos, esquivas e agachamentos enquanto acompanha o ritmo musical. Já o modo Flow utiliza movimentos amplos dos braços para atingir objetos virtuais que aparecem em diferentes direções.

Durante essas atividades, o aplicativo apresenta cenários naturais e ambientes digitais que cercam o usuário. Dessa maneira, a experiência combina elementos de jogos rítmicos com exercícios orientados por profissionais.

O catálogo também inclui sessões de meditação e alongamento. Assim, o serviço procura atender tanto quem deseja realizar atividades intensas quanto usuários interessados em exercícios mais leves.

Apesar da estrutura semelhante à de um videogame, Supernatural funciona principalmente como uma plataforma de treinamento físico. Seus sistemas de pontuação e progressão ajudam a acompanhar a atividade, mas não substituem as orientações individuais necessárias para determinadas condições de saúde.

Nova versão recupera milhares de treinos e músicas

A Supernatural Health afirma que o aplicativo retorna com milhares de exercícios disponíveis desde o primeiro dia. Além disso, a equipe recuperou parte do catálogo anterior e começou a preparar novas sessões, músicas e ambientes virtuais.

Entre as novidades está a melhoria visual de determinados cenários. Segundo a desenvolvedora, o objetivo é apresentar paisagens com maior definição, embora os resultados possam variar conforme o headset utilizado.

Os treinadores que participavam da versão anterior também retornaram ao projeto. Dessa forma, a empresa pretende manter uma das características mais conhecidas do aplicativo: a orientação por voz durante os movimentos e a interação com os participantes.

Entretanto, nem todos os recursos antigos estão disponíveis nesta primeira etapa. A equipe ainda trabalha na reconstrução de funcionalidades sociais e na integração com outros dispositivos.

O lançamento, portanto, marca o início de uma nova fase, não a conclusão de todas as mudanças anunciadas pela Supernatural Health.

Supernatural deixa a Meta e passa a funcionar de forma independente

A história recente do aplicativo ajuda a explicar o retorno. Depois de assumir o controle da plataforma, a Meta reduziu seu desenvolvimento e interrompeu a chegada regular de novos conteúdos em 2026.

A decisão gerou preocupação entre usuários que mantinham rotinas de exercícios dentro do ambiente virtual. Afinal, o encerramento das atualizações colocava em dúvida a continuidade de um serviço baseado em conteúdo recorrente.

Em junho, integrantes da equipe original anunciaram a criação de uma empresa independente para recuperar o projeto. A nova organização, chamada Supernatural Health, assumiu o desenvolvimento da próxima versão e iniciou os preparativos para seu relançamento.

Essa mudança também altera a relação comercial com os assinantes. Embora o aplicativo continue disponível na loja dos headsets Meta Quest, a empresa responsável pelo novo serviço não pertence à Meta.

Por isso, quem utiliza a versão antiga precisa baixar outro aplicativo e contratar uma nova assinatura. A migração não acontece automaticamente, mesmo quando o usuário já possui uma conta ativa na plataforma anterior.

Assinatura custa quase o dobro da versão anterior

A independência trouxe uma mudança importante no preço. A nova Supernatural Health estabeleceu planos de aproximadamente US$ 20 por mês e US$ 200 por ano, valores destinados aos mercados em que o serviço opera oficialmente.

Na etapa anterior, a assinatura mensal havia caído para cerca de US$ 10. Portanto, a nova tabela praticamente dobra o custo para quem utilizava esse plano.

A equipe justifica a mudança pela necessidade de manter profissionais, licenciar músicas e financiar o desenvolvimento sem depender da estrutura da Meta. Entretanto, essa explicação representa a posição da empresa e não demonstra, isoladamente, que o novo preço oferece melhor custo-benefício.

O download inicial não elimina a cobrança recorrente. Embora existam períodos promocionais de teste, o acesso regular aos exercícios depende da contratação de uma assinatura.

Para o público brasileiro, os preços internacionais servem apenas como referência. Como o serviço permanece indisponível oficialmente no país, não existe uma tabela brasileira de assinatura confirmada.

Brasil continua fora da lista de países atendidos

A restrição geográfica representa o principal obstáculo para jogadores brasileiros interessados na experiência. Na página oficial do Meta Quest, a desenvolvedora informa que Supernatural atende exclusivamente usuários dos Estados Unidos e do Canadá.

Isso significa que possuir um headset compatível não garante acesso ao serviço. Afinal, a disponibilidade depende também da região autorizada pela plataforma.

A restrição não surgiu com o relançamento. O aplicativo já operava em mercados selecionados, e a nova administração manteve essa política na estreia de outubro.

Até o momento, a Supernatural Health não divulgou uma data para disponibilizar oficialmente o aplicativo no Brasil. Portanto, qualquer previsão de lançamento nacional seria especulativa.

O caso também evidencia uma diferença importante no mercado de realidade virtual: compatibilidade de hardware não significa disponibilidade comercial. Um mesmo headset pode funcionar normalmente no Brasil, enquanto determinados aplicativos permanecem sujeitos a limitações regionais.

Quais headsets são compatíveis com Supernatural?

A nova versão oferece suporte aos principais dispositivos autônomos da família Meta Quest. Segundo a ficha oficial, o aplicativo funciona nos seguintes modelos:

  • Meta Quest 2;
  • Meta Quest 3;
  • Meta Quest 3S;
  • Meta Quest Pro.

Além do headset, o aplicativo exige conexão com a internet e utiliza controles de movimento para acompanhar os exercícios. A página da loja também informa que a interface está disponível em inglês.

Consequentemente, o usuário precisa considerar tanto a compatibilidade do equipamento quanto as condições de acesso ao serviço.

Os desenvolvedores também planejam ampliar as possibilidades de interação. Entretanto, os recursos anunciados para versões futuras ainda não devem ser tratados como funcionalidades disponíveis nesta estreia.

Multiplayer e rastreamento das mãos estão nos planos

A Supernatural Health apresentou um cronograma de melhorias que prevê novas atividades e ferramentas até 2027. Entre as prioridades está o retorno do Supernatural Together, recurso que permite realizar exercícios com outras pessoas em tempo real.

Segundo o planejamento oficial, a equipe pretende iniciar testes da modalidade em novembro e ampliar sua disponibilidade em dezembro. Contudo, o cronograma pode sofrer alterações durante o desenvolvimento.

Outro projeto envolve um aplicativo complementar para smartphones, previsto para dezembro. A ferramenta deverá ajudar os usuários a acompanhar atividades e informações relacionadas aos treinos.

Para 2027, a empresa também projeta a introdução de hand tracking, tecnologia que utiliza o rastreamento das mãos como forma de interação. A proposta poderá diminuir a dependência de controles físicos em determinadas atividades.

Essa evolução acompanha mudanças mais amplas no ecossistema da Meta. Conforme o Folha do Leste mostrou na cobertura dos novos Meta VR Glasses, a companhia prepara experiências que priorizam gestos e movimentos naturais em vez de controles tradicionais.

Entretanto, ainda será necessário verificar como o rastreamento das mãos funcionará em exercícios rápidos, especialmente quando os movimentos exigirem precisão e resposta imediata.

Usuários da versão antiga precisam transferir seus dados

A mudança de administração também criou um prazo importante para antigos assinantes. A Meta manterá o aplicativo anterior em funcionamento para membros ativos até 3 de dezembro de 2026, quando encerrará o acesso aos exercícios daquela edição.

Quem deseja preservar o histórico precisa realizar uma transferência manual. Para isso, o usuário deve obter seus dados na plataforma antiga e enviá-los ao novo serviço, seguindo as instruções oficiais.

Entre as informações que podem acompanhar a migração estão pontos acumulados, sequências de atividades, medalhas e registros de exercícios. Entretanto, a empresa alerta que a transferência não ocorre automaticamente.

Além disso, a nova assinatura funciona de maneira independente. Portanto, recuperar o histórico não significa transferir pagamentos ou manter as condições comerciais do contrato anterior.

A própria Meta informa que encerrará as renovações mensais da edição antiga após 3 de novembro. Já os planos anuais que ultrapassarem o encerramento do serviço terão tratamento específico para eventual reembolso proporcional.

O que o retorno do Supernatural significa para o VR?

O retorno do Supernatural demonstra que a realidade virtual continua oferecendo experiências além dos videogames tradicionais. Entretanto, também expõe dificuldades comerciais para serviços que precisam atualizar conteúdos regularmente e manter contratos de licenciamento.

A nova administração aposta em uma comunidade já formada, treinadores conhecidos e exercícios musicais para sustentar a operação independente. Ao mesmo tempo, terá de reconstruir funcionalidades e justificar uma assinatura mais cara.

Para quem acompanha o mercado, a recuperação do aplicativo representa uma experiência relevante de continuidade após uma mudança de controle empresarial. Contudo, o sucesso dessa estratégia dependerá da capacidade de manter conteúdos, assinantes e melhorias técnicas.

Enquanto isso, o público brasileiro permanece sem acesso oficial à nova versão. Embora Supernatural tenha retornado ao Meta Quest em 21 de outubro, sua expansão para outros países ainda depende de decisões comerciais que a desenvolvedora não anunciou.

Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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