
Rodoviários suspendem greve até segunda, mas mantêm ameaça de nova paralisação | Fernando Frazão/Agência Brasil
Depois de três dias de paralisação, os rodoviários do Rio decidiram liberar a circulação de ônibus até a próxima segunda-feira (06). A categoria, porém, não encerrou o conflito: manteve o estado de greve e condicionou a continuidade da trégua a uma nova proposta do Rio Ônibus.
A decisão saiu de uma assembleia com cerca de 1,5 mil trabalhadores, realizada nesta quarta-feira (1º), em Rocha Miranda, na Zona Norte. Antes disso, representantes dos motoristas e das empresas participaram de uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ).
A suspensão atende a um pedido do Ministério Público. Ainda assim, os rodoviários deixaram claro que podem interromper novamente o serviço caso a negociação marcada para segunda-feira não avance.
Trégua não encerra a greve
O sindicato aceitou interromper temporariamente o movimento, mas preservou a possibilidade de uma nova paralisação. A categoria considera insuficiente a proposta apresentada pelas empresas.
“Caso não seja apresentada uma proposta decente, os trabalhadores voltam a cruzar os braços na próxima semana”, afirmou o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José.
Segundo ele, a assembleia teve clima de insatisfação. Os trabalhadores reclamam do salário, da rotina de trabalho e das condições oferecidas pelas empresas.
Assim, a audiência de segunda-feira passa a ser o ponto decisivo do impasse.
Empresas oferecem 4,39% e evitam desconto dos dias parados
Na reunião desta quarta, o Rio Ônibus manteve a proposta de 4,39% de reajuste salarial. O mesmo percentual deverá incidir sobre o valor da cesta básica.
Além disso, as empresas concordaram em não descontar os dias de greve na folha de pagamento dos trabalhadores.
Apesar disso, o sindicato sustenta que a oferta não responde às reivindicações aprovadas pela categoria. Os rodoviários defendem aumento maior e mudanças estruturais nos contratos e na jornada.
Categoria mantém pauta por salários, CLT e benefícios
Os trabalhadores afirmam que não abrirão mão das propostas encaminhadas ao Rio Ônibus. Entre os principais pontos estão:
- salário de R$ 5 mil para motoristas de ônibus articulados;
- salário de R$ 4 mil para os demais motoristas;
- mudança da data-base para 1º de março;
- fim de contratos temporários;
- contratação pela CLT dos profissionais do BRT;
- tíquete-alimentação de R$ 1 mil;
- escala de trabalho 5×2;
- manutenção do passe livre;
- indenização pelos 30 minutos de intervalo de almoço;
- plano de saúde e odontológico.
“Queremos apenas o que nos é de direito. Em todos esses anos como sindicalista, não lembro de algo parecido ter ocorrido”, disse Sebastião.
Sindicato condena atos que bloquearam ônibus no Centro
Durante a assembleia, dirigentes sindicais também criticaram os episódios de vandalismo registrados na terça-feira (30), quando manifestantes pararam ônibus, retiraram chaves de ignição e bloquearam vias no Centro.
Segundo a entidade, pessoas que não pertencem à categoria se infiltraram nos atos. O sindicato afirma que não apoia violência nem ataques contra motoristas, veículos ou passageiros.
Os episódios influenciaram a decisão judicial que elevou de 50% para 80% a frota mínima exigida durante a greve.
Agora, com os ônibus liberados até segunda-feira, a disputa sai das ruas e volta para a mesa de negociação. Contudo, o estado de greve mantém aberta a possibilidade de uma nova paralisação caso as empresas não ampliem a proposta.







