Governo brasileiro reafirma soberania digital diante de big techs e mobilizará deputados e senadores no Congresso Nacional para acelerar votação do Marco Civil da Internet, bem como da regulação da Inteligência Artificial e da taxação das empresas no país

Governo brasileiro reafirma soberania digital diante de big techs e mobilizará deputados e senadores no Congresso Nacional para acelerar votação do Marco Civil da Internet, bem como da regulação da Inteligência Artificial e da taxação das empresas no país | Reprodução

A decisão da Meta, controladora do Facebook, Instagram, Threads e WhatsApp, de encerrar a checagem de fatos nos Estados Unidos pode desencadear um efeito dominó, preocupando o governo brasileiro. Em resposta, o Planalto já articula medidas para proteger a soberania nacional e assegurar um ambiente digital regulamentado, reforçando que o Brasil não tolerará retrocessos no combate à desinformação.

Ao interromper a verificação de conteúdos, a Meta sugere um alinhamento com discursos que relativizam a verdade e priorizam a liberdade irrestrita nas redes, algo que já gera tensão em governos ao redor do mundo. Em Brasília, a leitura é clara: se as big techs desejam impor suas próprias regras, encontrarão no Brasil resistência firme.

“Não compactuaremos com a barbárie nas redes sociais”, declarou Jorge Messias, advogado-geral da União, após reunião com o presidente Lula.

Para o governo, a regulamentação do setor é mais do que uma prioridade — é uma questão de soberania nacional.

Respostas ampliadas e articuladas

O governo aposta em uma combinação de ações judiciais, legislativas e administrativas para enfrentar as práticas das grandes empresas de tecnologia. No Supremo Tribunal Federal (STF), está em análise um ponto do Marco Civil da Internet que define a responsabilidade das plataformas digitais. O julgamento é um marco na luta pela responsabilização dessas empresas.

No Congresso, o governo prepara novos projetos de lei para regular o setor. Um deles tratará da taxação das big techs, enquanto outro revisará as regras de defesa da concorrência, colocando o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no centro do monitoramento econômico dessas corporações. O projeto de regulamentação da Inteligência Artificial, já aprovado no Senado, também ganhará prioridade.

A postura do Brasil não é isolada. A proposta de taxação acompanha debates em andamento na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), demonstrando alinhamento com esforços globais para controlar os gigantes da tecnologia.

Precedentes e determinação

O episódio envolvendo o X, antigo Twitter, é um exemplo de que as redes sociais não estão acima das leis brasileiras. Após resistências iniciais, a empresa de Elon Musk teve de ceder às exigências do STF e ajustar sua conduta para atender às regras locais. Assim sendo, esse precedente reforça a posição de Brasília: qualquer plataforma que opere no Brasil estará sujeita ao mesmo rigor.

A Meta, liderada por Mark Zuckerberg, terá de aprender a fazer discursos conforme a legislação de cada país. Sobretudo, para não incorrer no mesmo erro do X no Brasil. Afinal, seus interesses comerciais não podem prevalecer sobre os valores democráticos de um país.

“O Brasil não aceitará ser refém de decisões unilaterais que afetam nossa sociedade e nossas eleições”, afirmou Rui Costa, ministro da Casa Civil.

Impactos eleitorais e monitoramento

Com as eleições de 2026 no horizonte, o governo também reforça o monitoramento de temas sensíveis relacionados à desinformação. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estará sob a presidência do Ministro Nunes Marques – indicado ao STF por Jair Bolsonaro. Apesar de expectativas de uma postura mais permissiva do novo presidente da Corte, o governo segue atento e determinado a impedir qualquer interferência indevida no processo eleitoral.

A mensagem do Brasil às big techs é inequívoca: não só haverá regras assim como a exigência coercitiva de seu cumprimento. Em outras palavras, se as empresas esperam uma batalha, terão pela frente uma guerra pela verdade e pela soberania digital.

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André Freitas
Diretor-Executivo e repórter do Folha do Leste e da Brasil 21 Comunicação. Radialista e Jornalista desde a década de 1990. Narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, com 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Tem vasta experiência na cobertura da editoria de política em razão dos cargos públicos que exerceu nos poderes Legislativo e Executivo: Câmaras Municipais de Niterói, São Gonçalo, Campos dos Goytacazes, além da Alerj e ainda na Prefeitura de Niterói. Dirigiu a Rádio Absoluta por 15 anos, onde apresentou programas noticiosos diários. Pela emissora, cobriu por mais de uma década a seleção brasileira de futebol e esteve em duas Copas do Mundo e uma Olimpíada. Narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, tem 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Trabalhou, também, nas rádios Campos Difusora (Campos/RJ) e (Litorânea/ES). Exerceu cargo de editor-chefe em Olho Vivo (Niterói/RJ) e A Tribuna (Niterói/RJ). Colunista do jornal O Diário (Campos dos Goytacazes/RJ).

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