A Marcopolo (POMO4) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 271,2 milhões. O resultado representa uma queda de 15,5% em relação ao mesmo período de 2025, apesar do crescimento da receita da fabricante de carrocerias de ônibus.
Entre abril e junho, a receita operacional líquida alcançou R$ 2,373 bilhões. Dessa forma, o faturamento avançou 3% na comparação anual.
O desempenho, entretanto, não se repetiu nos indicadores de rentabilidade.
O Ebitda caiu 15%, para R$ 338,6 milhões. Além disso, a margem Ebitda terminou o trimestre em 14,3%, queda de três pontos percentuais frente ao segundo trimestre do ano passado.
POMO4 tem receita maior, mas lucro recua
Os números mostram um trimestre de crescimento de vendas acompanhado por pressão sobre as margens. Enquanto a receita líquida avançou 3%, o lucro líquido caiu 15,5%.
Ao mesmo tempo, o Ebitda recuou em ritmo semelhante, com retração de 15% na comparação anual.
A margem Ebitda, que mostra a parcela da receita convertida em resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, perdeu três pontos percentuais.
Assim, o avanço do faturamento não foi suficiente para preservar o nível de rentabilidade registrado um ano antes.
Mercado brasileiro impulsiona receita da Marcopolo
O desempenho das operações brasileiras ajudou a sustentar o crescimento da receita.
As vendas no mercado interno somaram R$ 1,462 bilhão durante o segundo trimestre. O valor representa avanço de 11,3% em relação ao mesmo período de 2025.
Além disso, as exportações realizadas a partir do Brasil cresceram ainda mais. Nesse segmento, a receita atingiu R$ 289,9 milhões, alta anual de 16,2%.
Portanto, tanto as vendas domésticas quanto as exportações das fábricas brasileiras contribuíram positivamente para o faturamento consolidado.
Receita das operações no exterior cai 16,3%
Por outro lado, as operações internacionais tiveram desempenho mais fraco. A receita obtida diretamente no exterior ficou em R$ 621,3 milhões. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, houve queda de 16,3%.
Esse recuo ajudou a limitar o crescimento consolidado da Marcopolo, mesmo diante do avanço de dois dígitos das operações brasileiras.
Dessa maneira, o balanço mostrou comportamentos diferentes entre os mercados atendidos pela companhia.
Resultado financeiro permanece positivo
A Marcopolo também encerrou o trimestre com resultado financeiro líquido positivo. O saldo ficou em R$ 29,1 milhões.
Um ano antes, entretanto, o resultado financeiro havia sido ainda maior, alcançando R$ 42,7 milhões.
Entre os fatores que influenciaram o período está a movimentação do câmbio.
Segundo a companhia, o segundo trimestre apresentou uma variação cambial positiva relacionada à valorização do real diante do dólar sobre a carteira de pedidos denominada na moeda norte-americana.
Como o câmbio afeta os resultados da Marcopolo
A Marcopolo utiliza instrumentos de proteção cambial nas exportações.
O chamado hedge é realizado quando os pedidos de venda são confirmados. Com isso, a empresa procura proteger a margem prevista para aquela operação contra oscilações posteriores do dólar.
Entretanto, os efeitos contábeis aparecem ao longo das etapas seguintes.
Conforme os ônibus são produzidos, entregues e faturados, a valorização ou desvalorização do real pode afetar tanto as margens operacionais quanto o resultado financeiro.
No segundo trimestre, esse mecanismo gerou impacto cambial positivo no resultado financeiro.
Lucro cresce em relação ao primeiro trimestre
Apesar da queda anual, o lucro líquido apresentou uma pequena melhora na comparação com os três primeiros meses de 2026.
No primeiro trimestre, a Marcopolo havia contabilizado lucro líquido de aproximadamente R$ 265 milhões.
Além disso, o Ebitda daquele período havia alcançado R$ 304,8 milhões.
Assim, na comparação sequencial, tanto lucro quanto resultado operacional apresentaram avanço.
A comparação anual, porém, continua mostrando deterioração da rentabilidade.
Marcopolo vinha de resultado acima das expectativas
No primeiro trimestre, o resultado da companhia havia superado as projeções médias do mercado.
Naquela ocasião, a Marcopolo apresentou crescimento de quase 10% no lucro líquido e avanço de 16% no Ebitda em relação ao primeiro trimestre de 2025.
Além disso, os números ficaram acima das estimativas compiladas antes da divulgação.
Agora, o balanço do segundo trimestre apresenta um cenário diferente.
Embora o faturamento continue crescendo, a comparação anual mostra redução do lucro e da margem operacional.
O que observar nos resultados de POMO4
Para quem acompanha POMO4, alguns indicadores do balanço ganham maior importância.
O primeiro é justamente a evolução das margens.
A receita cresceu, mas o Ebitda recuou. Portanto, será importante acompanhar se essa diferença representa uma pressão temporária ou uma mudança mais persistente na rentabilidade.
Outro ponto está na distribuição geográfica das vendas.
O mercado brasileiro e as exportações cresceram em ritmo de dois dígitos. Em contrapartida, as operações no exterior apresentaram forte retração.
Além disso, o câmbio continua relevante para uma companhia com participação significativa nas exportações.
Marcopolo apresenta balanço ao mercado nesta quarta
Os resultados do segundo trimestre foram divulgados pela Marcopolo após o fechamento do pregão de segunda-feira (3).
A companhia programou para esta quarta-feira (5) uma reunião com investidores e analistas para detalhar o desempenho do período.
Assim, além dos números já divulgados, o mercado deve buscar informações sobre perspectivas para produção, demanda, margens e desempenho das operações internacionais.
O balanço de POMO4 deixa uma mensagem dupla: a Marcopolo conseguiu aumentar o faturamento, impulsionada pelo mercado brasileiro e pelas exportações, mas terminou o trimestre com menor lucro e rentabilidade em relação ao mesmo período de 2025.








