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Operação no Complexo de Israel fecha vias expressas e afeta escolas e unidades de saúde

Policiais militares participam de operação no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio

Operação no Complexo de Israel fecha vias expressas e afeta escolas e unidades de saúde | Reprodução

Uma operação da Polícia Militar no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio, provocou intenso tiroteio e levou ao fechamento temporário da Avenida Brasil e da Linha Vermelha na madrugada desta segunda-feira (24). As duas vias foram liberadas pouco antes das 3h, mas os reflexos da ação continuaram pela manhã, com quatro escolas municipais sem aulas e unidades de saúde com atendimento afetado.

A ação ocorre nas comunidades de Parada de Lucas e Vigário Geral e marca a segunda etapa de uma ocupação iniciada na sexta-feira (21). Nesta fase, mais de 200 policiais militares atuam na região após a estabilização da Cidade Alta e a retirada de barricadas instaladas por criminosos.

Segundo a Polícia Militar, o objetivo é reduzir a capacidade de atuação de grupos armados, conter disputas territoriais e impedir confrontos que atinjam comunidades vizinhas, como Quitungo, Guaporé, em Brás de Pina, e o Complexo da Penha.

O porta-voz da corporação, major Maicon Pereira, explicou que o fechamento das vias expressas ocorreu preventivamente durante o início da operação.

“No início da ação houve o fechamento preventivo das principais vias expressas, um protocolo de segurança adotado pela Polícia Militar para preservar a integridade física de toda a população e também dos policiais militares envolvidos na ação.”

Avenida Brasil e Linha Vermelha chegaram a fechar

O início da operação provocou reflexos imediatos em dois dos principais corredores viários do Rio.

Por causa dos confrontos, a PM adotou o fechamento preventivo da Avenida Brasil e da Linha Vermelha durante a madrugada.

As vias, entretanto, foram reabertas pouco antes das 3h.

A medida buscou evitar que motoristas, passageiros e trabalhadores atravessassem áreas próximas aos confrontos durante o avanço das equipes policiais.

Mesmo depois da liberação do trânsito, porém, a operação continuou dentro das comunidades.

Quatro escolas suspendem aulas

A ação também alterou a rotina da rede municipal nesta segunda-feira.

Quatro escolas municipais suspenderam as aulas pela manhã em razão das condições de segurança na região.

Além disso, duas unidades de Atenção Primária interromperam o funcionamento e avaliam a possibilidade de reabrir ao longo do dia.

Outras três unidades de saúde mantiveram o atendimento interno. Entretanto, suspenderam temporariamente atividades realizadas fora das unidades, como visitas domiciliares e ações de equipes no território.

Assim, mesmo com a reabertura das vias expressas, moradores continuam enfrentando impactos da operação em serviços públicos essenciais.

Mais de 200 policiais participam da operação

A segunda fase mobiliza uma estrutura de grande porte.

Segundo a Polícia Militar, mais de 200 agentes atuam no Complexo de Israel.

Participam equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Batalhão de Ações com Cães, Batalhão Tático de Motociclistas, Batalhão de Polícia de Choque, Grupamento Aeromóvel e Núcleo de Apoio a Operações Especiais.

Também trabalham na região policiais do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas e das Rondas Especiais e Controle de Multidão.

A estrutura inclui ainda 40 viaturas leves, 15 motocicletas, cinco veículos blindados de transporte de pessoal e uma ambulância do Bope.

Além disso, a operação utiliza aeronaves, drones e equipamentos de engenharia.

Entre os recursos mobilizados estão retroescavadeira, caminhão-caçamba e caminhão-prancha, usados principalmente para remover obstáculos e estruturas instaladas nas vias internas.

Bope e cães fazem buscas por armas, drogas e explosivos

Enquanto parte das equipes avança pelas comunidades, policiais realizam buscas por materiais escondidos pelos grupos criminosos.

“Neste momento, o Batalhão de Ações com Cães faz toda uma varredura nas comunidades em busca de armas, drogas e explosivos que estejam escondidos por criminosos, além do Batalhão de Operações Policiais Especiais que atua na região”, afirmou o major Maicon Pereira.

A PM também considera estratégica a ocupação da Cidade Alta.

Segundo a corporação, a posição elevada da comunidade favorecia observação e controle territorial por grupos armados, inclusive durante confrontos contra forças policiais e facções rivais.

Com a estabilização dessa área, as equipes avançaram agora sobre Parada de Lucas e Vigário Geral.

PM tenta conter disputa entre TCP e Comando Vermelho

Um dos principais objetivos da ocupação é conter as disputas territoriais entre o Terceiro Comando Puro (TCP) e o Comando Vermelho (CV).

Segundo a Polícia Militar, confrontos entre os grupos afetam não apenas o interior das comunidades, mas também bairros e grandes corredores viários no entorno.

A corporação pretende ainda combater quadrilhas que utilizam essas localidades como bases para roubos de veículos e cargas, exploração clandestina de serviços e outras atividades criminosas.

Outra frente da operação envolve denúncias de perseguição e intolerância religiosa impostas por criminosos a moradores das áreas controladas pelo TCP.

A polícia atribui essas determinações a Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, apontado pelas forças de segurança como chefe do tráfico na região.

Primeira fase removeu toneladas de barricadas

A operação começou na sexta-feira (21), quando a Polícia Militar anunciou uma ocupação por tempo indeterminado do Complexo de Israel.

Na primeira fase, as equipes concentraram a atuação principalmente na Cidade Alta, Pica-Pau e Cinco Bocas.

Segundo o major Maicon Pereira, os policiais recuperaram mais de nove veículos e removeram mais de 10 toneladas de barricadas.

As equipes também desobstruíram vias, fecharam valas abertas para impedir a circulação e demoliram estruturas usadas como bloqueios.

Durante o avanço, os agentes encontraram ainda barricadas com explosivos e veículos preparados para possível detonação, segundo a corporação.

Acionadores também estavam entre os materiais localizados.

Motorista de ônibus foi baleado na primeira etapa

A primeira fase da ocupação também deixou um trabalhador ferido.

Um motorista da viação Caprichosa foi baleado no ombro quando chegava para trabalhar em Parada de Lucas.

Outro rodoviário prestou socorro e levou o motorista ao Hospital Getúlio Vargas, na Penha, onde ele passou por cirurgia.

O episódio evidenciou o risco imposto pelos confrontos não apenas aos moradores das comunidades, mas também a trabalhadores e usuários das vias que cortam a região.

Complexo de Israel reúne cinco comunidades

O chamado Complexo de Israel é formado por Cidade Alta, Vigário Geral, Parada de Lucas, Cinco Bocas e Pica-Pau.

A denominação ficou associada ao domínio de Peixão e ao uso recorrente de referências e símbolos israelenses por integrantes do grupo criminoso.

A polícia aponta o traficante como uma das principais lideranças do Terceiro Comando Puro e atribui ao grupo a imposição de regras sobre moradores, inclusive episódios de perseguição religiosa e ataques a locais de culto.

Agora, com a segunda fase da ocupação, a Polícia Militar pretende ampliar permanentemente sua capacidade de patrulhamento na região, retirar obstáculos e reduzir a circulação de grupos armados.

Enquanto a operação prossegue, porém, os efeitos ultrapassam os limites das comunidades: nesta segunda-feira, chegaram às duas principais vias expressas da cidade e alteraram a rotina de escolas, unidades de saúde e milhares de moradores da Zona Norte.

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Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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