Vivemos um momento em que a sociedade brasileira está perdida, sem saber
ao certo o que é o correto ou o que é o errado, o que é bom ou ruim, onde cada
um olha apenas para o seu próprio umbigo e se volta para a satisfação do seus
próprios desejos, sem se importar com as consequências de suas atitudes que
podem afetar a saúde emocional das pessoas de sua convivência, muito menos
com o bem-estar alheio e o respeito ao próximo.
O desrespeito está presente no dia a dia das pessoas das mais diversas formas:
quando estão velhas, com peso acima ou abaixo do normal, quando apresentam limitações de mobilidade ou intelectual, ao professarem crenças diferentes, se o biotipo é fora do considerado comum ou até entre aquelas que optam por terem um corte de cabelo ou se vestirem fora do comum e usual.
Até parece que ser diferente é errado na sociedade atual! Mas, ninguém se dá conta de que ser desleal com as pessoas, seja na relação conjugal, nas relações sociais ou profissionais, está fora dos padrões mínimos de moral e decência de uma sociedade civilizada. Até parece que ser honesto e justo é errado na sociedade atual!
O desrespeito está presente nas mais diversas formas na relação entre
pedestres, ciclistas, motociclistas e motoristas no trânsito, na turbulência da
convivência entre vizinhos, nas constantes queixas de barulho excessivo de bares e festas pela madrugada afora, na violência desmedida entre torcedores de times distintos de futebol, no avanço da violência doméstica com números alarmantes, no desrespeito constante às leis, no jeitinho brasileiro de resolver problemas, no desrespeito ao professor e às autoridades em geral, entre outros tantos desrespeitos no dia a dia das grandes metrópoles do país, algo que tem se tornado “natural”: nossa sociedade perdeu os parâmetros de civilidade e ouso pensar que está perdendo a humanidade.
Triste é constatar que o desrespeito toma conta das famílias brasileiras, onde
os pais, que deveriam ser os responsáveis por ensinar aos filhos os princípios
éticos e morais que regem a sociedade, como o respeito, a responsabilidade, a
empatia, os limites, entre outros, mostram, através de seus comportamentos e
ações, que o que importa mesmo é se dar bem em quaisquer situações, não se
importando com o próximo e nem mesmo com as consequências que podem
recair sobre eles próprios.
Tomemos como exemplo a notícia da mulher que convence seu marido a
comprar uma nova televisão numa determinada loja, com um vendedor
específico que precisa bater sua meta e que é seu amante. Parece um conto de
Nelson Rodrigues, mas é um fato corriqueiro no cotidiano de muitas famílias hoje em dia.
O que se questiona aqui não é a infidelidade conjugal em si, mas os valores individuais que permeiam essa relação, o desrespeito dessa mulher em relação ao seu marido. Quais seriam os valores dessa mulher? Por que ela não respeita a fidelidade implícita no casamento e, mesmo assim, se mantém casada?
Por que ela manipula seu marido para agradar seu amante? É ético levar
vantagem, agradar o amante enganando seu marido e, ao mesmo tempo, ganhar uma nova televisão? Por outro lado, o que leva o amante a participar desse cenário grotesco? Seria o prazer machista de tirar vantagem sobre o marido dela?
E essa mulher, será que ela não se dá conta de esteja sendo manipulada pelo
amante e de ser apenas um troféu para satisfazer os desejos dele? E o respeito ao marido, onde está?
Lembro aqui, que se a mulher engana o marido, é capaz de enganar qualquer
outra pessoa, até mesmo o amante. E se o amante se sujeita a isso para levar uma vantagem tão volátil, é também capaz de aceitar qualquer coisa por qualquer vantagem, por mais ínfima que esta seja. Pessoas sem valores não são capazes de mensurar seu próprio valor como ser humano.
E você pode se perguntar: o que leva essa mulher a manter um casamento que, aparentemente, é de fachada? Muitos poderão dizer que essa mulher mantém o casamento pelo bem dos filhos ou porque não tem condições de sobreviver sozinha com eles. Mas quais são os valores que essa mãe passa aos seus filhos, se ela é capaz de ter o sangue frio de tomar essa atitude em relação ao marido? Que futuro podemos esperar dessas crianças, convivendo com essa mãe?
Como diz o ditado, “a mentira tem pernas curtas”. Em algum momento, o
marido enganado vai descobrir essa traição. E o que vai acontecer em seguida? É certo que haverá muito sofrimento tanto para ele como para os filhos.
Fato é que o desrespeito está presente em todos os círculos e classes sociais e,
se quisermos seguir adiante como sociedade, é preciso repensar a nossa forma de nos relacionarmos uns com os outros. Fala-se muito em empatia, em se colocar no lugar do outro, mas, para isso, é preciso, antes de tudo, saber respeitar o outro.
OLGA TESSARI
Psicóloga (CRP06/19571), formada pela Universidade de São Paulo (USP), pesquisa e atua com novas abordagens da Psicologia Clínica, em busca de resultados rápidos, efetivos e eficazes, voltados para uma vida plena e feliz. Ama o que faz e segue estudando muito, com várias especializações na área. Consultora empresarial, atua na Gestão da Saúde Emocional para as empresas. Atendimento em emergências e catástrofes. Escritora, autora de 2 livros e coautora de muitos outros. Realiza cursos, palestras e workshops pelo Brasil inteiro e segue atendendo em seu consultório ou online adolescentes, adultos, pais, casais, idosos e famílias inteiras que buscam, junto com ela, caminhos para serem felizes!
SITE: www.olgatessari.com – Redes sociais e Youtube: @olgatessari
[…] A psicóloga Olga Tessari, em artigo no FOLHA DO LESTE, pondera que o desrespeito está presente no … […]