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REGINA PERON — A poesia cura?

REGINA PERON — A poesia cura?

REGINA PERON — A poesia cura?

Rabiscos que curam: a poesia como ato de resiliência e reinvenção
Autora: Regina Peron

A poesia, enquanto arte literária libertadora, é o enredo do mundo interno e externo de cada um, embora muitos ainda não a acessem para esse fim. A contemplação da natureza, dos seres inanimados, de vidas alheias, tanto quanto o ensaio da vida real nos permite viver, ver, sentir e estar juntos. Os humanos alimentam conhecimentos, ideias e sentimentos, podendo traduzi-los em palavras, por vezes, denominadas poesias, poemas, rimas, prosas, versos.

As palavras, escrita ou falada, registram e carregam em si a força propulsora de expressar ao mundo o que se quer dizer, como um registro do tempo espaço em que se vive ou sente. Portanto, o conjunto de palavras pode traduzir sensações, paixões, sensibilidades e sofrimentos.

O poeta não cabe em si. Ele transborda.

Naturalmente, a vida não lhe passa despercebida. Atento aos detalhes, movimentos, olhares, sorrisos e lágrimas, consegue ver o invisível e, no ímpeto, eternizá-los. Seria esse o seu maior dom? Ver, sentir, inspirar (de inspiração), respirar, rabiscar e traduzir por meio de elementos e figuras poéticas a catarse do momento? Suave e sutilmente, o poeta volta em si, mas não é o mesmo depois de transcrever o sopro forte, feito labaredas aos ouvidos. Permitiu-se libertar e ser liberto.

Cada palavra rabiscada é sentida e, quando lida, pode ser reconhecida.  A poesia é um ato de coragem de quem expressa os amores e as dores do mundo, ao escrever ou ler. É como a arte de cozinhar, que transforma os ingredientes em um saboroso prato.

A poesia busca traduzir a vida. Ao leitor, é um convite a se introjetar nas palavras e nos poemas soltos, na busca de sentido e significado para a própria existência. É uma viagem a quem busca suavizar o peso do mundo. É buscar leveza na sutileza dos versos que, por vezes, cantam os sentimentos, expelindo-os e absorvendo-os na medida da percepção de quem lê. Permitir-se viajar no universo literário é um ato de ousadia para quem busca se reinventar. É a cura dos medos que temos, além da possibilidade de sermos tantos em um só e, ainda assim, continuar em si, sem ser o mesmo.

A poesia fala, canta, chora, performa e transforma. A travessia é a curiosidade de se reinventar. A poesia viva pode transformar a vida em mais leveza, amorosidade e lirismo.

*Regina Peron é poeta e autora do livro “Travessia”

André Freitas
André Freitas é diretor-executivo e repórter do Folha do Leste e da Brasil 21 Comunicação. Jornalista e radialista desde a década de 1990, é narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, com 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Possui ampla experiência na cobertura da editoria de política, em razão de funções exercidas nos poderes Legislativo e Executivo, com atuação nas Câmaras Municipais de Niterói, São Gonçalo e Campos dos Goytacazes, além da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e da Prefeitura de Niterói. Dirigiu por 15 anos a Rádio Absoluta, onde apresentou programas noticiosos diários e conduziu coberturas esportivas, incluindo mais de uma década acompanhando a seleção brasileira de futebol. Nesse período, esteve presente em duas Copas do Mundo e em uma edição dos Jogos Olímpicos. Trabalhou também nas rádios Campos Difusora (Campos/RJ) e Litorânea (ES). Exerceu o cargo de editor-chefe nos jornais Olho Vivo (Niterói/RJ) e A Tribuna (Niterói/RJ), além de atuar como colunista do jornal O Diário (Campos dos Goytacazes/RJ).

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