A Região Central de Niterói já soma 7.730 unidades habitacionais licenciadas desde 2020, em meio à estratégia de repovoamento e revitalização do Centro, São Domingos e São Lourenço. A Prefeitura pretende transformar a área em um novo eixo de crescimento residencial da cidade.
O número chama atenção porque a região concentra 41% dos empregos de Niterói, mas apenas 5% dos domicílios ocupados. Esse desequilíbrio está no centro do programa Reviver Centro.
Além disso, a administração municipal trabalha com a meta de levar o Centro dos atuais 18 mil moradores para 40 mil em dez anos.
Centro concentra 35% dos lançamentos residenciais
Em 2025, 35% de todas as unidades habitacionais lançadas em Niterói estavam no Centro. No mesmo período, a região registrou aumento de 37% nas transações imobiliárias e passou a responder por 15% das negociações de imóveis da cidade.
Na prática, o movimento mostra que a estratégia de trazer moradores de volta ao Centro já começou a alterar o mercado imobiliário local.
Por outro lado, os números de licenciamento não significam que todas essas unidades já estejam prontas ou ocupadas. Parte dos projetos ainda está em fase de construção ou planejamento.
Novo empreendimento terá 210 apartamentos
Um dos projetos mais recentes recebeu licença em setembro.
A Prefeitura autorizou a construção de um empreendimento da RDR Engenharia na Rua Marechal Deodoro, com 210 unidades habitacionais.
Segundo a administração municipal, esse será o terceiro empreendimento da empresa em Niterói.
O projeto também conta com apoio da Caixa Econômica Federal.
Primeiro retrofit privado terá 168 unidades
Outra frente importante envolve o reaproveitamento de prédios antigos.
Em julho, a Prefeitura aprovou o primeiro projeto privado de retrofit do Centro. O edifício da Avenida Amaral Peixoto, nº 35, em frente à Praça Arariboia, será restaurado e transformado em 168 unidades residenciais, entre estúdios e apartamentos de um quarto.
A proposta aproveita um imóvel já existente e muda sua função para uso habitacional.
Esse modelo ganha importância em uma região que ainda possui grandes edifícios subutilizados.
Meta é chegar a 10 mil novas unidades
A Prefeitura trabalha com a meta de alcançar 10 mil unidades habitacionais na Região Central.
Além dos empreendimentos privados, o planejamento inclui habitação de interesse social.
O Reviver Centro prevê 49.492 metros quadrados destinados a novos empreendimentos habitacionais dessa natureza, com perspectiva de lançamento de 913 unidades do Minha Casa Minha Vida.
Mais moradores podem mudar dinâmica do Centro
Se uma parcela significativa dessas unidades realmente chegar à fase de ocupação, o impacto não ficará restrito ao mercado imobiliário.
Mais moradores podem aumentar a demanda por supermercados, escolas, farmácias, restaurantes, serviços e transporte público.
Ao mesmo tempo, o crescimento residencial também pode pressionar infraestrutura urbana, estacionamento, saneamento e mobilidade.
Por isso, o desafio passa a ser não apenas licenciar apartamentos, mas garantir que o aumento populacional acompanhe a capacidade de atendimento da região.
Centro já perdeu mais da metade dos moradores
Hoje, o Centro tem cerca de 18 mil moradores.
Segundo a Prefeitura, a região já chegou a abrigar aproximadamente 40 mil pessoas. A estratégia municipal é voltar a esse patamar ao longo da próxima década.
Assim, o avanço dos novos empreendimentos representa uma tentativa de inverter décadas de esvaziamento residencial.
O tamanho dessa mudança, porém, dependerá de quantos dos imóveis licenciados efetivamente sairão do papel e, depois, conseguirão atrair moradores.









