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Plano da NASA para buscar vida fora da Terra avança em agosto

NASA prepara telescópio Roman para avançar na busca por vida fora da Terra

Plano da NASA para buscar vida fora da Terra avança em agosto | Reprodução/titoOnz/iStock

A busca da NASA por vida fora da Terra entra em uma nova etapa neste mês. A agência prepara para 30 de agosto o lançamento do Nancy Grace Roman Space Telescope, observatório que terá papel importante na descoberta e no estudo de planetas distantes.

O lançamento está previsto para ocorrer a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. Para levar o telescópio ao espaço, a NASA utilizará um foguete Falcon Heavy, da SpaceX.

Entretanto, o Roman não foi criado para encontrar seres extraterrestres diretamente.

Na verdade, ele representa uma etapa de um projeto científico muito maior. Além de procurar exoplanetas, o telescópio testará tecnologias necessárias para futuras missões capazes de estudar mundos parecidos com a Terra.

Assim, o lançamento previsto para agosto pode ajudar a responder uma das perguntas mais antigas da humanidade: existe vida em outros lugares do Universo?

Roman vai ampliar busca por planetas fora do Sistema Solar

O Nancy Grace Roman Space Telescope será um dos principais observatórios espaciais da NASA nos próximos anos.

Seu campo de visão será pelo menos 100 vezes maior que o do Hubble. Dessa forma, o telescópio poderá observar enormes regiões do céu em um período muito menor.

A missão investigará diferentes mistérios do Universo.

Entre eles estão a energia escura, a matéria escura e os exoplanetas, como são chamados os mundos que orbitam estrelas além do Sol.

Além disso, a NASA espera que o Roman revele milhares de novos planetas durante suas pesquisas. Os dados permitirão entender melhor como diferentes sistemas planetários se formam e evoluem.

Porém, encontrar esses mundos é apenas uma parte do desafio.

O passo seguinte consiste em enxergá-los com detalhes suficientes para estudar suas características.

Como enxergar um planeta ao lado de uma estrela

Observar diretamente um exoplaneta é extremamente difícil.

Isso acontece porque uma estrela pode ser milhões de vezes mais brilhante que os planetas que giram ao seu redor. Como resultado, seu brilho praticamente esconde esses mundos.

Para enfrentar esse problema, o Roman levará ao espaço o Coronagraph Instrument.

O equipamento utiliza máscaras, filtros, detectores e espelhos especiais para bloquear a luz das estrelas. Assim, objetos muito mais fracos ao redor delas podem se tornar visíveis.

Na prática, funciona como colocar um obstáculo diante de uma fonte muito forte de luz para conseguir enxergar algo que estava escondido atrás do brilho.

Entretanto, fazer isso a distâncias interestelares exige uma precisão extraordinária.

Coronógrafo será testado no espaço

O coronógrafo do Roman será, principalmente, uma demonstração tecnológica.

Ou seja, seu objetivo não é apenas produzir descobertas científicas. A NASA também quer provar que novas técnicas de observação direta funcionam nas condições reais do espaço.

O instrumento foi projetado para detectar planetas até 100 milhões de vezes mais fracos que suas estrelas. Esse desempenho representa um avanço significativo diante dos coronógrafos espaciais anteriores.

Inicialmente, porém, o equipamento deverá observar principalmente mundos gigantes.

Entre os possíveis alvos estão planetas com características semelhantes às de Júpiter, orbitando estrelas parecidas com o Sol.

Ainda assim, o objetivo tecnológico vai muito além desses primeiros mundos.

As técnicas testadas pelo Roman deverão ajudar a preparar instrumentos capazes de fotografar planetas menores e muito mais parecidos com a Terra.

Próximo objetivo é encontrar outras Terras

É justamente nesse ponto que o Roman se conecta ao Habitable Worlds Observatory, conhecido pela sigla HWO.

A NASA desenvolve o conceito como sua próxima grande missão de astrofísica depois do Roman.

Seu principal objetivo será identificar e fotografar diretamente pelo menos 25 mundos potencialmente habitáveis ao redor de outras estrelas.

Esses planetas deverão ser estudados de maneira muito mais detalhada.

Entre os principais alvos estarão mundos rochosos que orbitam estrelas semelhantes ao Sol.

Além disso, os cientistas buscarão aqueles localizados nas chamadas zonas habitáveis.

Essas regiões ficam a uma distância da estrela onde as condições podem permitir a existência de água líquida na superfície.

Entretanto, estar na zona habitável não significa que um planeta tenha vida.

Por isso, encontrar esses mundos será apenas o começo da investigação.

NASA pretende analisar atmosferas de outros planetas

Depois de localizar um planeta promissor, os cientistas precisarão descobrir do que sua atmosfera é formada.

Para isso, o futuro observatório utilizará uma técnica chamada espectroscopia.

Basicamente, os instrumentos analisam como diferentes comprimentos de onda aparecem na luz que chega do planeta.

Cada substância química deixa uma espécie de assinatura nessa luz.

Assim, os pesquisadores podem procurar elementos e moléculas existentes na atmosfera sem precisar chegar fisicamente ao planeta.

Entre os gases de interesse estão oxigênio e metano. Dependendo das circunstâncias, eles podem fornecer pistas sobre possíveis processos biológicos.

Essas pistas são chamadas de bioassinaturas.

Encontrar oxigênio não significará descobrir vida

Mesmo assim, uma possível bioassinatura não será suficiente para anunciar a descoberta de vida extraterrestre.

Isso porque processos naturais também podem produzir determinadas substâncias.

Um planeta pode, por exemplo, apresentar oxigênio sem possuir organismos vivos.

Por isso, os cientistas precisarão analisar diferentes gases ao mesmo tempo. Além disso, terão de estudar a estrela, a temperatura e outras características daquele mundo.

Somente depois será possível avaliar se existe uma explicação biológica convincente para os sinais encontrados.

Portanto, uma eventual descoberta deverá passar por diferentes etapas de confirmação.

Roman prepara tecnologia para futuro observatório

A ligação entre as duas missões é direta.

Segundo a própria NASA, o futuro coronógrafo do Habitable Worlds Observatory deverá aproveitar avanços desenvolvidos para o Roman.

Porém, o equipamento futuro precisará alcançar desempenho ainda maior.

O objetivo será bloquear a luz de uma estrela com precisão suficiente para revelar um planeta aproximadamente do tamanho da Terra.

Depois disso, o observatório precisará separar a fraca luz refletida por esse mundo.

É justamente essa luz que poderá carregar informações sobre oceanos, nuvens e gases atmosféricos.

Dessa maneira, o Roman funciona como um laboratório espacial para tecnologias que serão necessárias nessa próxima geração.

Roman também investigará origem e evolução do Universo

Apesar da conexão com a busca por mundos habitáveis, o Roman terá objetivos científicos muito mais amplos.

O observatório também vai estudar a expansão do Universo e tentar compreender melhor a energia escura.

Além disso, deverá investigar a distribuição da matéria e observar bilhões de objetos celestes.

Seu grande campo de visão permitirá criar mapas gigantescos do espaço. Ao mesmo tempo, a resolução será comparável à obtida pelo Hubble em determinadas observações.

Por isso, a NASA espera gerar uma quantidade enorme de dados durante a missão.

Essas informações ficarão disponíveis para pesquisadores de diferentes partes do mundo.

Telescópio já está na Flórida

Os preparativos finais para o lançamento avançaram nas últimas semanas.

O Roman chegou ao Centro Espacial Kennedy em 21 de junho. Desde então, engenheiros realizam inspeções, testes e procedimentos necessários antes da viagem ao espaço.

Em julho, as equipes também concluíram o abastecimento do observatório.

Agora, os técnicos trabalham nas últimas etapas de integração com o sistema que será conectado ao foguete.

NASA e SpaceX trabalham com a previsão de lançamento não antes de 30 de agosto.

Como ocorre em missões espaciais, porém, a data ainda pode mudar por razões técnicas ou meteorológicas.

Roman ficará a 1,5 milhão de quilômetros da Terra

Depois do lançamento, o telescópio seguirá para uma região conhecida como ponto de Lagrange L2.

O local fica a aproximadamente 1,5 milhão de quilômetros da Terra, na direção oposta ao Sol.

O James Webb Space Telescope também opera nessa região.

Ali, o Roman poderá manter condições estáveis para realizar suas observações durante anos.

A missão principal terá duração prevista de cerca de cinco anos. Entretanto, a NASA trabalha com a possibilidade de chegar a uma década de operações.

Busca por vida ainda levará anos

Por isso, o lançamento do Roman não significa que a NASA estará prestes a anunciar a existência de vida em outro planeta.

O processo será muito mais longo.

Primeiro, os cientistas precisam ampliar o conhecimento sobre os sistemas planetários da nossa galáxia.

Em seguida, será necessário aperfeiçoar a capacidade de fotografar diretamente mundos muito pequenos próximos de estrelas extremamente brilhantes.

Depois, uma nova geração de telescópios precisará identificar planetas potencialmente habitáveis.

Somente então suas atmosferas poderão ser examinadas em busca de possíveis sinais biológicos.

Ainda assim, o Roman representa um passo concreto nessa direção.

Ao colocar no espaço tecnologias que poderão servir de base ao Habitable Worlds Observatory, a NASA começa a testar ferramentas capazes de aproximar a ciência de uma resposta.

Talvez essa resposta ainda demore anos ou décadas.

Porém, a partir deste mês, uma nova peça dessa busca estará deixando a Terra.

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Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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