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Ciro Nogueira avalia irmão investigado pela PF

Ciro Nogueira avalia irmão Neto Nogueira como suplente ao Senado

Ciro Nogueira avalia irmão investigado pela PF | Edilson Rodrigues/Agência Senado

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) avalia lançar o próprio irmão como primeiro suplente na chapa pela qual disputará a reeleição ao Senado Federal. O empresário Raimundo Neto e Silva Nogueira, conhecido como Neto Nogueira, também é investigado pela Polícia Federal no Caso Master.

O nome do empresário foi mencionado por aliados durante a convenção que oficializou a candidatura de Ciro. Além disso, segundo apuração do Metrópoles, o próprio senador citou o irmão durante o evento.

A convenção ocorreu no último sábado (1º), no Piauí. Entretanto, a indicação de Neto Nogueira como primeiro suplente ainda não foi oficialmente confirmada.

Por outro lado, o segundo nome da chapa já está definido. Ciro anunciou o pastor Ricardo Braz, ligado às Assembleias de Deus, como segundo suplente.

Ciro Nogueira pode ter irmão como primeiro suplente

A eventual escolha chama atenção porque os dois irmãos são investigados no mesmo inquérito relacionado ao Banco Master.

Em 7 de maio, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra Ciro Nogueira e Neto Nogueira. A ação integrou a quinta fase da Operação Compliance Zero.

A investigação apura um suposto esquema envolvendo interesses do empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.

Segundo a PF, existem indícios de que Ciro teria atuado politicamente em benefício de interesses privados do banqueiro. Em contrapartida, o parlamentar teria recebido vantagens econômicas indevidas.

O senador nega qualquer irregularidade.

Em manifestação pública feita após a operação, Ciro afirmou que nunca recebeu valor ilícito e negou ter praticado atos irregulares relacionados ao banco.

Qual é a suspeita envolvendo Neto Nogueira

Neto Nogueira aparece na investigação por sua atuação na CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda.

Segundo a Polícia Federal, ele exercia a administração formal da empresa. A CNLF teria sido utilizada dentro de uma estrutura empresarial investigada por supostamente beneficiar Ciro Nogueira.

Um dos negócios analisados pela PF envolve a compra de uma participação na Green Investimentos S.A.

A CNLF adquiriu 30% da empresa por R$ 1 milhão. Entretanto, investigadores sustentam que essa participação tinha valor de mercado próximo de R$ 13 milhões.

A diferença entre os valores despertou a atenção da investigação.

De acordo com a PF, a operação poderia representar uma forma dissimulada de transferir vantagem econômica ao núcleo ligado ao senador.

A Green Investimentos era presidida por Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro.

As suspeitas, contudo, ainda estão sob investigação. Portanto, os fatos narrados pela Polícia Federal não representam condenação dos envolvidos.

Irmão de Ciro chegou a usar tornozeleira

Quando autorizou a operação de maio, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, também impôs medidas cautelares a Neto Nogueira.

Entre elas estava o uso de tornozeleira eletrônica.

Além disso, o empresário ficou proibido de manter contato com outros investigados e testemunhas. A restrição incluía o próprio irmão, Ciro Nogueira.

O ministro também determinou o recolhimento do passaporte.

Naquele momento, Neto ainda ficou impedido de deixar a cidade onde residia sem autorização judicial.

As medidas, porém, foram revistas no mês seguinte.

André Mendonça retirou tornozeleira em junho

Em 3 de junho, André Mendonça determinou a retirada da tornozeleira eletrônica de Neto Nogueira.

Além disso, o ministro voltou a permitir o contato entre os irmãos.

Segundo informações divulgadas sobre a decisão, Mendonça entendeu que não havia elementos indicando risco de fuga ou tentativa de interferência na investigação.

A retirada das cautelares, contudo, não encerrou a investigação contra o empresário.

Assim, Neto permanece relacionado às apurações conduzidas pela Polícia Federal no Caso Master.

Ciro também é investigado no Caso Master

A investigação alcançou Ciro Nogueira diretamente em maio.

Segundo o STF, a nova etapa da Operação Compliance Zero passou a investigar uma possível atuação do senador em favor de interesses de Daniel Vorcaro.

A Polícia Federal também apura a apresentação de uma emenda parlamentar que poderia ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

De acordo com os investigadores, o texto teria sido preparado por pessoas ligadas ao Banco Master e posteriormente apresentado por Ciro no Senado.

O senador, porém, rejeita a interpretação da PF.

Além de negar o recebimento de vantagens ilícitas, Ciro afirmou que as acusações envolvendo negócios de suas empresas seriam infundadas.

Portanto, o parlamentar não foi condenado pelos fatos investigados.

Ricardo Braz será segundo suplente

Enquanto o primeiro suplente permanece indefinido publicamente, Ricardo Braz já foi anunciado para a segunda vaga.

O pastor é uma liderança ligada às Assembleias de Deus no Piauí.

Ciro anunciou a escolha no sábado, durante o período da convenção partidária. Segundo o senador, a indicação busca ampliar a representação evangélica na chapa.

Já sobre Neto Nogueira, ainda não houve anúncio equivalente nas redes sociais do parlamentar.

O Metrópoles informou que procurou a assessoria de Ciro para comentar a possível indicação do irmão. Entretanto, não recebeu resposta até a publicação da apuração.

Dessa forma, Neto Nogueira é, até o momento, um nome cotado para a primeira suplência, e não um candidato oficialmente confirmado na vaga.

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Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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