O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a soltura do ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, Márcio Canella. A decisão foi tomada nesta sexta-feira (10) e impõe o cumprimento de medidas cautelares.
Canella havia sido preso em flagrante na terça-feira (7), durante a 6ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal no Rio de Janeiro.
Com a decisão, ele poderá responder em liberdade. No entanto, terá de usar tornozeleira eletrônica, entregar o passaporte e ficar com o porte de arma suspenso.
Fuzil foi encontrado em carro ligado ao político
Durante a operação, agentes da Polícia Federal encontraram um fuzil calibre 5.56 em um carro de Canella, localizado em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio.
Além disso, a PF apreendeu outras armas, munições e relógios de luxo na residência.
Inicialmente, o ex-prefeito havia sido levado para a Superintendência da PF, na Zona Portuária, para prestar depoimento. Porém, após a localização do armamento, ele acabou detido em flagrante.
Seppen foi notificada sobre soltura
A Secretaria de Estado de Polícia Penal do Rio de Janeiro (Seppen) informou que foi notificada oficialmente sobre a liberação.
Segundo a pasta, ainda seriam necessários trâmites internos para o cumprimento da decisão, incluindo a instalação da tornozeleira eletrônica.
Depois da prisão, Canella passou pelo Presídio José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte. Em seguida, foi encaminhado à Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, conhecida como Bangu 8.
Investigação mira lavagem em postos de combustíveis
Canella é apontado nas investigações como braço político de um grupo suspeito de usar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio para lavagem de dinheiro.
Segundo a Polícia Federal, o esquema teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviado à investigação.
A PF também afirma que há suspeita de participação de agentes públicos no esquema.
Operação cumpriu mandados em cinco cidades
A 6ª fase da Operação Unha e Carne cumpriu 19 mandados de busca e apreensão.
As ações ocorreram em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital fluminense.
Assim, além das buscas, a Justiça determinou medidas de sequestro de bens e valores e de suspensão de atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado.
Crimes investigados
De acordo com a Polícia Federal, os investigados poderão responder, inicialmente, por organização criminosa, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro.
Entretanto, outros crimes ainda poderão ser apontados no decorrer das investigações.
Até o momento, as apurações seguem em andamento. Portanto, os investigados ainda não foram julgados pelo caso.
O que acontece agora
Com a decisão de Moraes, Canella deixa a prisão, mas segue submetido a medidas cautelares.
A investigação da Operação Unha e Carne continua. Assim, a PF ainda apura a participação de agentes públicos, a origem dos valores movimentados e a ligação entre empresas, postos de combustíveis e os demais investigados.








