Leonardo Jardim encontra situações bem diferentes nas duas laterais do Flamengo. Na direita, o treinador escolhe entre Varela e Emerson Royal de acordo com as características de cada partida. Já na esquerda, a condição física de Alex Sandro influencia diretamente a escalação e aumenta a importância de Ayrton Lucas e do jovem Johnny.
O contraste ficou evidente novamente no empate por 1 a 1 com o Cruzeiro, pelas oitavas da Libertadores. Emerson Royal começou como titular na direita, enquanto Ayrton Lucas ocupou a esquerda. Varela também entrou durante o segundo tempo.
Além disso, Jardim explicou que não enxerga Varela e Royal simplesmente como titular e reserva. Pelo contrário, o português considera as características do adversário e o comportamento que pretende dar ao Flamengo.
Varela e Emerson Royal oferecem opções diferentes
Na lateral direita, Jardim entende que dispõe de dois jogadores com características complementares.
Varela aparece como opção quando o treinador deseja maior participação na construção e controle da posse. Já Emerson Royal ganha força em partidas com mais intensidade física e duelos individuais.
“São dois jogadores de grande qualidade.”
Segundo Jardim, o uruguaio ajuda quando o Flamengo pretende envolver o adversário e manter a bola por mais tempo.
Por outro lado, Royal oferece força física em confrontos mais agressivos. Por isso, o técnico utilizou o brasileiro desde o início contra o Cruzeiro, no Mineirão.
O treinador também deixou claro que aprova as duas alternativas.
“Estou extremamente satisfeito com as duas opções. São dois jogadores muito importantes para mim.”
Dessa forma, a disputa pela posição não depende apenas do rendimento individual. Jardim também considera o tipo de jogo que espera encontrar.
Jardim alterna laterais conforme estratégia
A temporada já apresenta exemplos dessa flexibilidade.
Em março, Emerson Royal começou contra o Remo pelo Brasileirão, enquanto Varela entrou durante o segundo tempo. Depois, em maio, Varela iniciou a vitória sobre o Grêmio, e Royal participou da jogada do gol após entrar no decorrer da partida.
Mais recentemente, entretanto, Royal recebeu a missão de começar o duelo contra o Cruzeiro pela Libertadores.
Assim, Jardim evita estabelecer uma hierarquia rígida.
Na prática, o treinador ganhou duas soluções para a mesma posição. Além disso, consegue alterar características do time sem necessariamente mudar o sistema tático.
Situação muda na lateral esquerda do Flamengo
Na esquerda, porém, o cenário apresenta mais limitações.
Alex Sandro segue como principal referência da posição. Entretanto, problemas físicos já interromperam sua sequência durante a temporada.
O lateral ficou fora da vitória sobre o Vitória e também não participou do empate contra o Cruzeiro. O jogador tratava dores na panturrilha direita relacionadas a uma tendinite.
Com isso, Ayrton Lucas assumiu a posição no Mineirão e permaneceu durante toda a partida. Inclusive, foi dele a cobrança de falta que iniciou a jogada do gol de Lucas Paquetá.
Portanto, diferentemente da direita, Jardim nem sempre escolhe entre dois jogadores plenamente disponíveis. A condição de Alex Sandro interfere diretamente na definição.
Ayrton Lucas ganha espaço quando Alex Sandro fica fora
Ayrton Lucas se tornou a alternativa mais imediata sempre que Alex Sandro não pode atuar.
Porém, o lateral busca maior regularidade para transformar essas oportunidades em uma disputa mais aberta pela posição.
Contra o Cruzeiro, ele teve participação decisiva no empate. Aos 21 minutos do segundo tempo, cobrou a falta que Léo Ortiz cabeceou no travessão. Na sobra, Paquetá marcou o gol rubro-negro.
Ainda assim, Jardim também mantém uma terceira alternativa no elenco.
Johnny, formado na base rubro-negra, aparece cada vez mais no radar da comissão técnica.
Jardim vê futuro em Johnny
Leonardo Jardim não esconde a confiança em Johnny.
O jovem participou da intertemporada realizada em Portugal e recebeu minutos nos amistosos. Contra o Lausanne, por exemplo, começou como lateral-esquerdo e participou da jogada do primeiro gol do Flamengo.
Na ocasião, Johnny recuperou a bola na entrada da área antes da construção que terminou com Lorran balançando a rede.
Por isso, Jardim acredita que o jogador ganhará espaço gradualmente.
“É um jogador em que eu acredito muito.”
Entretanto, o treinador também pretende controlar essa evolução.
Após o duelo com o Cruzeiro, Jardim explicou que a intensidade de uma partida eliminatória da Libertadores pesou contra uma utilização mais ampla do jovem naquele momento.
Jardim evita colocar pressão sobre jovem
A cautela envolve principalmente o momento de lançar Johnny em partidas de maior peso.
Para Jardim, expor um jogador em formação a uma situação extrema pode prejudicar sua evolução. Portanto, o treinador prefere escolher jogos nos quais o lateral encontre melhores condições para ganhar experiência.
“A médio prazo, vai jogar mais jogos pelo Flamengo.”
O técnico também lembrou o desempenho apresentado pelo jogador durante a preparação em Portugal.
Assim, Johnny não aparece apenas como uma solução emergencial. Ele integra o planejamento para o futuro da lateral esquerda.
Flamengo tem equilíbrio maior pela direita
Hoje, portanto, as duas laterais apresentam realidades distintas.
Na direita, Leonardo Jardim dispõe de Varela e Emerson Royal e pode escolher conforme a estratégia. Ambos acumulam experiência e oferecem características diferentes ao time.
Na esquerda, por outro lado, Alex Sandro mantém o status de principal opção, mas precisa administrar questões físicas ao longo da temporada. Consequentemente, Ayrton Lucas recebe mais minutos, enquanto Johnny avança gradualmente na hierarquia.
Essa diferença também interfere no planejamento do treinador durante a sequência de jogos.
Enquanto a direita permite uma escolha predominantemente tática, a esquerda exige que Jardim combine desempenho, condição física e desenvolvimento de um jogador formado na base.








