Leste FluminenseNiterói

Lagoa de Piratininga recebe água do mar durante obras no Túnel do Tibau

Sistema provisório de bombeamento com tubulações para transportar água do mar até a Lagoa de Piratininga, em Niterói.

Lagoa de Piratininga recebe água do mar durante obras no Túnel do Tibau | Divulgação/Lucas Benevides/Prefeitura de Niterói

A Lagoa de Piratininga, em Niterói, começou a receber água do mar por meio de um sistema provisório de bombeamento. A operação busca manter a renovação da água e reduzir o risco de mortandade de peixes durante as obras de recuperação do Túnel do Tibau, na Região Oceânica. A intervenção prevê R$ 38 milhões em investimentos e prazo de execução de 12 meses.

Com as bombas em funcionamento, mangueiras e tubulações submersas transportam a água captada no mar até a lagoa. Assim, a Prefeitura pretende compensar temporariamente as limitações da ligação natural entre os dois ambientes.

O sistema também permitirá que as equipes fechem a comporta do túnel e isolem suas extremidades para executar os reparos. Entretanto, o bombeamento não representa a recuperação definitiva da estrutura. Essa etapa ainda depende da conclusão das intervenções previstas.

Desmoronamentos prejudicaram a renovação da água da lagoa

O Túnel do Tibau estabelece a ligação hidráulica entre o mar e a Lagoa de Piratininga. Contudo, desmoronamentos registrados entre 2018 e 2019 comprometeram sua estrutura e reduziram a circulação da água.

A menor renovação representa um problema para o equilíbrio ambiental da lagoa. Afinal, alterações na temperatura e na concentração de oxigênio dissolvido podem afetar os peixes e outros organismos aquáticos.

Para enfrentar esse risco durante a obra, o município instalou o sistema provisório. A medida permitirá controlar a entrada de água do mar enquanto as equipes trabalham no interior do túnel.

A Prefeitura também mantém uma estação de monitoramento para acompanhar as condições ambientais. Segundo o subsecretário municipal de Infraestrutura e Fiscalização, Vicente Temperini, as equipes analisam semanalmente os indicadores em conjunto com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea).

“Temos uma estação de monitoramento que vê a quantidade de oxigênio, o nível da água da lagoa e a qualidade da água. Toda semana analisamos esses parâmetros,
junto com o INEA, para determinar se os índices estão suficientes. Assim, conseguimos determinar a quantidade de água que precisa entrar na lagoa para evitar um colapso por falta de renovação de água. Se ela aquece demais, por exemplo, a qualidade da água, o oxigênio diminui. Então a gente vai garantir que essa troca funcione de forma estratégica durante o período da obra no Tibau”, explica o subsecretário municipal de Infraestrutura e Fiscalização, Vicente Temperini.

Portanto, a quantidade de água bombeada deverá considerar as condições observadas na lagoa. O material divulgado, porém, não informa a vazão inicial das bombas nem apresenta resultados de análises realizadas após a ativação do sistema.

Recuperação do Túnel do Tibau prevê retirada de rochas e concreto

Com o bombeamento provisório, as equipes poderão fechar a comporta, isolar as extremidades e esvaziar o interior do túnel. Esse procedimento abrirá caminho para a inspeção e a recuperação dos trechos comprometidos.

Os trabalhos incluem a retirada do revestimento original de concreto e de fragmentos soltos de rocha. Para isso, a obra utilizará retroescavadeira e rompedor hidráulico.

Além disso, os profissionais removerão pedras e materiais acumulados em consequência dos desmoronamentos de 2018 e 2019. A limpeza permitirá examinar as condições internas da passagem e identificar pontos que necessitam de reforço.

Somente após essa avaliação, as equipes poderão executar os tratamentos estruturais necessários. O objetivo é restabelecer a circulação de água entre o mar e a lagoa sem depender permanentemente do bombeamento.

De acordo com a previsão apresentada pela Prefeitura, a vazão após a recuperação deverá mais do que triplicar, ultrapassando mil litros por segundo. Entretanto, esse volume corresponde à capacidade projetada para a estrutura recuperada, e não à vazão atualmente registrada.

Pescadores acompanham intervenção na Região Oceânica

A ativação das bombas reuniu representantes da Prefeitura, pescadores e moradores da Região Oceânica. A vice-prefeita Isabel Swan participou do acionamento do sistema, acompanhada pelo presidente da Empresa de Infraestrutura e Obras de Niterói (ION), Antonio Lourosa, e pelo subsecretário Vicente Temperini.

Para os pescadores, a renovação da água tem importância direta. Afinal, a manutenção das condições ambientais da lagoa influencia a preservação dos peixes e a atividade pesqueira local.

Durante a cerimônia, Isabel Swan relacionou o início do bombeamento à recuperação ambiental da lagoa.

“Esse é o pontapé inicial para um futuro próspero da Lagoa de Piratininga. A retomada dessa ligação com o mar, através da bomba, vai efetivamente melhorar a qualidade da água e gerar um impacto muito positivo principalmente para os pescadores. Niterói tem responsabilidade ecológica e ambiental e os projetos que temos para preservar o nosso território são provas disso”, celebrou a vice-prefeita, Isabel Swan

Apesar da expectativa apresentada pela administração municipal, a melhoria efetiva da qualidade da água dependerá dos resultados do monitoramento ambiental. O acionamento das bombas, isoladamente, não comprova a recuperação do ecossistema.

Obras terão prazo previsto de 12 meses e investimento de R$ 38 milhões

A recuperação do Túnel do Tibau integra uma intervenção com investimento anunciado de R$ 38 milhões e prazo previsto de 12 meses. Segundo as informações divulgadas, os trabalhos começaram no dia 21, antes da ativação do sistema de bombeamento.

Durante esse período, a Prefeitura pretende utilizar as bombas para manter a entrada de água do mar. Paralelamente, as equipes deverão recuperar os trechos danificados e preparar a estrutura para a retomada do fluxo hidráulico.

Entretanto, o material apresentado não detalha o cronograma de cada fase, o custo específico do bombeamento provisório nem os critérios ambientais para seu desligamento.

O principal resultado esperado é restabelecer a ligação entre o mar e a Lagoa de Piratininga. Até lá, a continuidade do bombeamento e o acompanhamento dos níveis de oxigênio, temperatura e qualidade da água serão essenciais para avaliar os efeitos da intervenção.

Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

Leave a reply