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GUERRA: Kiev sofre ataque com 41 mísseis, causando caos na cidade

Bombeiros trabalham em prédio atingido durante ataque com mísseis contra Kiev, que deixou um morto e 16 feridos

GUERRA: Kiev sofre ataque com 41 mísseis, causando caos na cidade | RFI

Um ataque com mísseis contra Kiev deixou pelo menos uma pessoa morta e 16 feridas na madrugada deste domingo (19). A Rússia lançou 41 mísseis de diferentes tipos e 125 drones contra a Ucrânia, concentrando grande parte da ofensiva na capital.

O balanço de vítimas subiu ao longo do dia. Inicialmente, autoridades municipais haviam confirmado sete feridos, mas informações posteriores elevaram o número para 16.

Durante aproximadamente cinco horas, moradores ouviram explosões em diferentes regiões de Kiev. O bombardeio provocou incêndios, destruiu estruturas e mobilizou equipes de emergência em vários pontos da cidade.

Ataque com mísseis contra Kiev dura cinco horas

A ofensiva foi considerada uma das maiores ações com mísseis balísticos contra Kiev desde o início da invasão russa em larga escala.

Segundo a Força Aérea da Ucrânia, a Rússia utilizou 41 mísseis, além de uma grande quantidade de drones. Entre os armamentos empregados estavam modelos Iskander-M e mísseis hipersônicos Zircon.

As defesas ucranianas interceptaram 18 mísseis e 108 dos 125 drones lançados durante a ofensiva. Entretanto, parte dos projéteis atravessou o sistema de proteção e atingiu diferentes áreas urbanas.

Explosões estremeceram edifícios e acordaram moradores durante a madrugada. Além disso, alertas permaneceram ativos por várias horas enquanto novos projéteis se aproximavam da capital.

Prédios residenciais e alojamento são atingidos

Os ataques provocaram danos em prédios residenciais, escritórios, depósitos, um supermercado e um alojamento.

Equipes de emergência trabalharam na retirada de moradores e no combate aos incêndios. Em um edifício de três andares, socorristas procuraram pessoas sob os escombros.

As autoridades confirmaram uma morte durante esse atendimento. Contudo, as operações de busca e avaliação dos imóveis continuaram ao longo do domingo.

Destroços e focos de incêndio foram encontrados em pelo menos cinco distritos de Kiev. Nove feridos precisaram permanecer hospitalizados, segundo informações divulgadas durante a manhã.

Explosão danifica estação de metrô em Kiev

A ofensiva também atingiu a região da estação Lukyanivska, uma das estruturas utilizadas pelos moradores como abrigo durante os bombardeios.

Uma explosão danificou o acesso à estação e derrubou parte da estrutura do saguão. Por isso, o local precisou ser temporariamente fechado.

Registros posteriores apontaram que uma passagem subterrânea próxima à estação sofreu um impacto direto. As autoridades avaliaram os danos antes de liberar novamente a circulação.

O metrô de Kiev desempenha um papel essencial durante os ataques. Além de transportar passageiros, suas estações profundas funcionam como abrigos contra mísseis e drones.

Klitschko confirma vítimas na capital

O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, confirmou os atendimentos aos feridos e informou que hospitais municipais receberam vítimas do bombardeio.

Já a administração militar da cidade lamentou a morte e afirmou que equipes continuavam avaliando os locais atingidos.

O número de feridos foi atualizado durante o dia. Portanto, novos balanços ainda poderão alterar a quantidade de vítimas e de imóveis danificados.

Além de Kiev, ataques russos atingiram outras regiões ucranianas. Próximo a Kharkiv, um bombardeio contra uma instalação postal matou pelo menos quatro pessoas e feriu outras 19, conforme o balanço divulgado pela Reuters.

Ucrânia enfrenta falta de interceptadores Patriot

O novo ataque ocorre em meio à escassez de sistemas capazes de interceptar mísseis balísticos e hipersônicos.

A Ucrânia depende principalmente dos interceptadores PAC-3, utilizados nos sistemas norte-americanos Patriot, para enfrentar projéteis de alta velocidade.

Entretanto, os estoques ucranianos estão reduzidos. Como resultado, a defesa aérea encontra dificuldades para proteger simultaneamente Kiev, outras cidades e instalações estratégicas.

O presidente Volodymyr Zelensky voltou a pedir aos aliados ocidentais mais interceptadores e sistemas de defesa. Segundo ele, o fortalecimento da proteção aérea permanece entre as principais necessidades do país.

Ataque ocorre em meio a crise no governo ucraniano

A ofensiva russa também aconteceu durante um período de tensão política interna na Ucrânia.

A recente saída do ministro da Defesa Mykhailo Fedorov provocou protestos e críticas ao governo de Zelensky. Manifestantes defenderam a permanência do ex-ministro e questionaram a condução militar do comandante-chefe das Forças Armadas, Oleksandr Syrskyi.

Fedorov ganhou popularidade por incentivar a modernização tecnológica das forças ucranianas, principalmente no uso de drones e na digitalização da logística militar.

Após a mudança, o major-general Yevhen Khmara assumiu interinamente a pasta. Entretanto, a nomeação definitiva ainda depende da aprovação do Parlamento ucraniano.

Ucrânia ataca centros logísticos na Rússia

Antes do bombardeio contra Kiev, a Ucrânia realizou ataques com drones nas regiões russas de Moscou e Tambov.

Em Kotovsk, na região de Tambov, um drone atingiu um depósito da rede varejista Wildberries. O ataque matou sete trabalhadores e feriu 25 pessoas, segundo autoridades russas.

Já em Elektrostal, próximo a Moscou, outro depósito da empresa foi atingido. Pelo menos 24 pessoas ficaram feridas. Um ataque separado provocou um incêndio em um depósito de petróleo em Noginsk.

Zelensky afirmou que as instalações atingidas integravam a logística usada no fornecimento de componentes para drones e equipamentos de navegação russos.

“Em resposta aos ataques russos contra nossa infraestrutura civil, nossas cidades e comunidades, dois importantes centros logísticos foram atingidos nas regiões de Moscou e Tambov”, declarou o presidente ucraniano.

A alegação de uso militar dos depósitos foi apresentada pela Ucrânia. As autoridades russas, porém, classificaram os locais como instalações comerciais e confirmaram vítimas entre os trabalhadores.

Guerra aérea ganha nova escalada

Os ataques dos dois lados representam uma nova escalada da guerra aérea.

A Rússia ampliou o emprego de mísseis balísticos, armamentos hipersônicos e enxames de drones contra cidades ucranianas. Por outro lado, a Ucrânia intensificou ações de longo alcance contra depósitos, refinarias e estruturas logísticas em território russo.

Moscou afirma que suas ofensivas miram instalações militares e industriais. Contudo, bombardeios russos atingem repetidamente residências, estabelecimentos comerciais e outros locais civis.

Kiev também afirma atacar alvos relacionados ao esforço militar russo. Entretanto, as ofensivas ucranianas mais recentes provocaram mortes e ferimentos em trabalhadores de instalações comerciais.

Enquanto isso, as negociações para encerrar a guerra permanecem paralisadas, e os dois países aumentam a frequência dos ataques distantes da linha de frente.

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Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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