A impressão 3D de 2026 está atacando dois gargalos que acompanham makers e farms há anos: o tempo perdido ao trocar materiais e a quantidade de filamento descartada durante o processo.
Creality, Bambu Lab e Prusa avançaram por caminhos diferentes. A Creality K3 prepara um sistema de troca rápida de bicos, enquanto a Bambu Lab A2L suporta projetos maiores e até 19 cores. Já a Prusa começou a entregar o INDX, sistema que equipa a CORE One+ com até oito ferramentas independentes.
A Creality ainda leva a discussão para outro ponto: o que fazer com purgas, suportes e impressões descartadas. O conjunto Shredder R1 + Filament Maker M1 promete triturar parte desse resíduo e transformá-lo novamente em filamento.
Nem todas essas novidades, porém, estão no mesmo estágio. A A2L já está no mercado internacional desde junho, enquanto o INDX começou a ser enviado em agosto. A K3 permanece anunciada para o terceiro trimestre e o sistema de reciclagem da Creality está ligado a uma campanha própria de financiamento coletivo.
Creality K3 quer trocar de bico em cinco segundos
A Creality K3 será a primeira máquina da fabricante equipada com o sistema KliTek.
Em vez de depender apenas da tradicional troca de filamento através de um único caminho, a tecnologia trabalha com múltiplos canais e troca física de bicos. Segundo a Creality, uma substituição pode ocorrer em cerca de cinco segundos, enquanto a mudança entre cores ou materiais leva menos de 15 segundos.
A aplicação mais interessante não está apenas em imprimir um boneco colorido.
O sistema permite combinar materiais diferentes dentro da mesma peça, incluindo TPU com diferentes graus de dureza, além de utilizar bicos de diâmetros distintos no mesmo trabalho. Assim, por exemplo, um bico de 0,4 mm pode cuidar das paredes externas enquanto outro de 0,8 mm acelera o preenchimento.
Isso também mexe diretamente com um dos maiores incômodos das impressões multicoloridas: a purga.
A Creality afirma, com base em seus próprios testes laboratoriais, que a KliTek pode reduzir em até 80% o consumo total de filamento em determinados trabalhos quando comparada a uma solução de bico único. A empresa ainda admite uma pequena torre de preparação, portanto a promessa não significa desperdício literalmente zero em qualquer cenário.
A fabricante mantém a chegada da K3 prevista para o terceiro trimestre de 2026, mas ainda não apresenta na página oficial consultada um preço final para o mercado brasileiro.
Creality também quer transformar descarte em filamento novo
A outra aposta da fabricante começa justamente onde muitas impressões terminam: na caixa de restos.
O Shredder R1 combina trituração e secagem de resíduos. Depois, o material processado pode seguir para o Filament Maker M1, responsável por extrudar os pellets e gerar um novo filamento.
A Creality declara compatibilidade com famílias de materiais como PLA, ABS, PETG, ASA, PA, PC, TPU e PET. O M1 promete produção de até 1 kg por hora, com tolerância de diâmetro anunciada de ±0,05 mm em determinadas condições.
Mas reciclar filamento em casa não significa jogar qualquer plástico no triturador.
A própria documentação faz restrições importantes. Misturas de materiais, resíduos degradados por exposição UV e material velho ou afetado por umidade não são recomendados. A Creality também afirma que uma proporção maior de pellets virgens melhora a precisão e a estabilidade do resultado.
Ou seja: a proposta pode reduzir descarte, mas não transforma todo lixo plástico automaticamente em um novo carretel pronto para imprimir.
Bambu A2L cresce no tamanho e chega a 19 cores
A Bambu Lab A2L segue uma estratégia diferente.
A máquina ganhou volume de construção de 330 × 320 × 325 mm, área que a fabricante calcula como 105% maior que a oferecida por equipamentos da classe tradicional de 256 mm. A ideia é permitir produzir objetos maiores sem dividir o modelo em várias partes para montagem posterior.
Para quem trabalha com múltiplas cores, a Bambu anuncia suporte a até 19 cores, utilizando combinações dos sistemas AMS da própria marca.
A impressora ainda emprega um extrusor com servo PMSM em malha fechada, compensação adaptativa de vibração e sensores destinados a identificar problemas como acúmulo de material no bico, falta de filamento e emaranhamento do carretel.
E a A2L tenta sair um pouco do território tradicional das impressoras 3D.
Bambu A2L também corta e desenha
Um ponto de montagem dedicado permite adicionar um módulo com lâmina de corte e caneta.
Assim, a A2L pode trabalhar com adesivos, tecidos e outros materiais planos, além de funcionar como plotter para desenhos. A Bambu deixa claro, porém, que a estrutura aberta da máquina não permite instalação de módulo laser por razões de segurança.
Portanto, ela se aproxima de uma pequena estação de fabricação digital, mas sem tentar fazer absolutamente tudo.
A A2L foi lançada globalmente pela Bambu Lab em 1º de junho de 2026. No anúncio internacional, o modelo básico partiu de US$ 469 nos Estados Unidos, enquanto o combo com AMS Lite apareceu por US$ 569. Esses valores não representam preço oficial brasileiro.
Prusa INDX coloca até oito bicos para trabalhar
Enquanto a Creality prepara sua troca de bicos, a Prusa já começou a enviar em agosto os primeiros kits comerciais do INDX.
Desenvolvido com a Bondtech, o sistema pode equipar a CORE One+ (Gen 2) com quatro ou oito ferramentas independentes. Cada uma pode permanecer carregada com seu próprio material e utilizar diferentes tamanhos de bico.
Isso permite misturar, por exemplo, um material rígido com outro flexível ou reservar uma ferramenta exclusivamente para suporte solúvel.
A solução também ataca a purga tradicional.
Segundo a Prusa, o INDX prepara o novo bico fora da área da peça e dispensa uma torre de purga convencional. A fabricante informa cerca de 12 segundos entre a última extrusão de um material e a primeira do seguinte diretamente sobre o modelo.
A empresa começou a enviar os primeiros kits em 20 de agosto e também passou a vender a CORE One+ (Gen 2) já equipada com INDX, montada ou em kit.
INDX também chega com uma ressalva nos bicos
Há um detalhe técnico importante para quem pretende imprimir materiais muito abrasivos.
A Prusa informou que os bicos fornecidos atualmente com o INDX são endurecidos superficialmente, e não totalmente endurecidos como previsto originalmente pela Bondtech.
Eles continuam indicados para materiais comuns como PLA, PETG, ABS, ASA, TPU, PC, Nylon, PVA e outros filamentos não abrasivos.
Entretanto, a própria fabricante afirma que o conjunto atual não é a melhor solução para uso frequente com materiais altamente abrasivos, porque a camada endurecida pode se desgastar.
É uma ressalva relevante principalmente para farms e usuários que trabalham rotineiramente com compósitos.
O que realmente está mudando na impressão 3D
As três empresas não estão simplesmente disputando quem coloca mais cores em uma peça.
A tendência comum é reduzir etapas que ainda tornam a impressão multimaterial mais lenta, cara e desperdiçadora.
A Creality tenta diminuir purgas com a KliTek e reaproveitar resíduos com R1 e M1. A Prusa aposta em ferramentas independentes para eliminar boa parte das trocas de filamento. Já a Bambu Lab amplia a escala de produção e conecta impressão, corte e desenho em uma mesma plataforma.
Para o usuário doméstico, isso significa projetos mais complexos com menos intervenção manual. Para print farms, a consequência pode ser ainda mais importante: menos tempo parado e menor consumo de material improdutivo representam impacto direto no custo de cada peça.
Em que estágio está cada novidade?
| Produto | Principal proposta | Situação em setembro de 2026 |
|---|---|---|
| Creality K3 / KliTek | Troca rápida de bicos e multimaterial | Prevista para o 3º trimestre de 2026 |
| Creality R1 + M1 | Triturar resíduos e recriar filamento | Sistema em campanha própria de crowdfunding |
| Bambu Lab A2L | Grande formato, até 19 cores, corte e desenho | Disponível internacionalmente desde 1º de junho |
| Prusa CORE One+ INDX | Até oito ferramentas independentes | Primeiros kits em envio desde 20 de agosto |









