
Hugo Souza relata ataques racistas na Argentina: ‘Parece uma coisa comum’ | Rodrigo Cocoa/Corinthians
Hugo Souza denunciou ter sofrido ataques racistas de torcedores do Rosario Central durante o empate por 0 a 0 com o Corinthians, nesta quinta-feira (13), no Gigante de Arroyito, na Argentina. O goleiro comunicou o caso à arbitragem durante o segundo tempo, enquanto o clube paulista anunciou que cobrará investigação e punição dos responsáveis.
O episódio aconteceu durante o jogo de ida das oitavas de final da Libertadores.
Aos 21 minutos do segundo tempo, Hugo chamou a atenção do árbitro uruguaio Andrés Matonte para os insultos vindos da arquibancada.
Em seguida, Matonte fez com os braços o gesto previsto no protocolo antirracismo adotado pela Conmebol. A partida, porém, prosseguiu.
Ángel Di María também percebeu a situação. Então, o capitão do Rosario Central pediu aos torcedores que interrompessem as ofensas.
Hugo Souza relata ataques racistas
Depois da partida, Hugo Souza falou sobre o episódio e demonstrou indignação.
Segundo o goleiro, os insultos ocorreram repetidamente durante o confronto.
“Infelizmente toda vez que a gente vem aqui é assim, o jogo todo, parece uma coisa comum, que não pode ser.”
Hugo relatou que ouviu expressões racistas em português e espanhol. Além disso, afirmou que situações semelhantes se repetem quando joga na Argentina. A entrevista foi concedida à ESPN após a partida.
O goleiro também explicou que, dentro de campo, sua principal alternativa era informar o árbitro.
“Minha única atitude que posso fazer é comunicar o juiz.”
Mesmo diante dos ataques, Hugo permaneceu na partida e ajudou o Corinthians a sair de Rosário sem sofrer gols.
Corinthians cobra investigação e punição
Pouco depois do fim do confronto, o Corinthians divulgou uma nota oficial e repudiou o episódio.
O clube confirmou que torcedores do Rosario Central dirigiram atos racistas ao goleiro durante a partida. Além disso, informou que buscará responsabilização dos envolvidos.
“O Clube cobrará uma investigação que resulte na identificação e punições apropriadas aos torcedores que cometeram tais atos.”
Na mesma manifestação, o Corinthians classificou como revoltante a repetição de episódios desse tipo no futebol.
Assim, o caso agora poderá gerar desdobramentos disciplinares na Conmebol.
Como funciona o protocolo antirracismo
A Conmebol utiliza desde 2024 o gesto universal de braços cruzados para identificar casos de racismo durante as partidas.
O procedimento faz parte de um protocolo de três etapas adotado em conjunto com a Fifa. Inicialmente, o árbitro pode interromper o jogo diante de um episódio discriminatório.
Caso os atos continuem, o protocolo prevê novas medidas. Em situações extremas, a arbitragem pode até encerrar definitivamente a partida.
Além disso, a Conmebol apresentou nesta semana um novo Manual de Identificação e Prevenção de Condutas Discriminatórias no Futebol Sul-Americano.
A entidade publicou o documento em 10 de agosto, apenas três dias antes do episódio envolvendo Hugo Souza. O material reúne conceitos, exemplos e orientações para combater racismo e outras formas de discriminação.
Rosario Central e Corinthians empataram sem gols
Dentro de campo, Rosario Central e Corinthians terminaram empatados por 0 a 0.
A Conmebol confirma que Andrés Matonte comandou a arbitragem no Gigante de Arroyito. Com o resultado, nenhuma equipe abriu vantagem na disputa pelas quartas de final.
Agora, a classificação será definida em São Paulo.
Corinthians e Rosario Central voltam a se enfrentar na próxima quinta-feira (20), às 21h30, na Neo Química Arena.
Quem vencer avança diretamente. Por outro lado, um novo empate levará a decisão da vaga para os pênaltis.








