Os motoristas de ônibus da cidade do Rio de Janeiro anunciaram uma greve de ônibus no Rio a partir da meia-noite de segunda-feira (29). No entanto, a paralisação ainda precisa ser formalizada em uma assembleia marcada pelo Sindicato dos Rodoviários para domingo (28), às 18h.
Caso a categoria confirme o movimento, passageiros poderão enfrentar dificuldades no sistema de ônibus da capital fluminense já no início da próxima semana.
O impasse envolve a campanha salarial dos rodoviários. Segundo o sindicato, as negociações com o Rio Ônibus se arrastam há cerca de três meses sem uma proposta considerada satisfatória pelos trabalhadores.
Categoria rejeitou reajuste de 4,39%
A última proposta apresentada pelas empresas prevê reajuste de 4,39%, índice equivalente ao IPCA acumulado até abril deste ano.
Com a correção, o salário dos motoristas de ônibus convencionais passaria de R$ 3.420,16 para R$ 3.570,31. Já os condutores de veículos articulados da categoria E teriam os vencimentos reajustados de R$ 4.104,18 para R$ 4.284,35.
O auxílio-alimentação subiria de R$ 660 para R$ 689.
O Sindicato dos Rodoviários rejeitou a oferta e manteve o estado de greve aprovado em 11 de junho.
Rodoviários cobram salários de até R$ 5 mil
A pauta da categoria prevê salário de R$ 5 mil para motoristas de ônibus articulados e do sistema BRT. Para os demais condutores, a reivindicação é de R$ 4 mil.
Os trabalhadores também pedem auxílio-alimentação de R$ 1 mil, além de planos de saúde e odontológico.
O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, criticou a proposta apresentada pelas empresas.
“São mais de trinta anos cedendo aos argumentos do patronal, mas agora essa situação precisa mudar. Estamos falando de trabalhadores que muitas vezes cumprem jornadas superiores a 14 horas por dia, expostos à violência e à insegurança”, afirmou.
Pauta inclui escala 5×2 e contratação via CLT
Além do reajuste salarial, os rodoviários defendem o fim dos contratos temporários e a contratação dos trabalhadores do BRT pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
A categoria também cobra:
- adoção da escala 5×2;
- manutenção do passe livre para rodoviários;
- pagamento de indenização pelo intervalo de almoço;
- melhoria da estrutura nos terminais;
- mudança da data-base da categoria para março.
Segundo o sindicato, muitos terminais não oferecem banheiros nem espaços adequados para descanso e alimentação dos trabalhadores durante a jornada.
Sindicato cita tentativa de mediação no TRT-RJ
A entidade informou que tenta há cerca de dez dias uma mediação junto ao Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro (TRT-RJ). Até agora, porém, não houve avanço nas tratativas.
Em nota, o Rio Ônibus informou que continua negociando com o Sindicato dos Rodoviários em busca de um acordo.
A definição sobre a paralisação deve sair após a assembleia de domingo. Até lá, a orientação para passageiros é acompanhar os comunicados das empresas, do sindicato e dos órgãos públicos de mobilidade.
Entenda o impasse da greve de ônibus no Rio
| Ponto | Proposta das empresas | Reivindicação dos rodoviários |
|---|---|---|
| Motorista convencional | R$ 3.570,31 | R$ 4 mil |
| Motorista articulado/BRT | R$ 4.284,35 | R$ 5 mil |
| Auxílio-alimentação | R$ 689 | R$ 1 mil |
| Escala de trabalho | Sem mudança divulgada | 5×2 |
| Plano de saúde e odontológico | Sem inclusão divulgada | Inclusão na convenção |
| Contratação no BRT | Sem mudança divulgada | Regime CLT |








