A Festa Literária do Fumacê iniciou sua segunda edição de 2026 com uma missão clara: aproximar literatura, escola e comunidade em Realengo, na Zona Oeste do Rio. Com o tema “Contação de Histórias”, a FLP abriu uma jornada de intervenções culturais que ocupará territórios populares ao longo do ano.
Idealizada e curada por Bruno Black, a iniciativa reafirma a literatura como ferramenta de transformação social. Além disso, valoriza a oralidade, a memória coletiva e as narrativas produzidas nas periferias.
Literatura chega às escolas da Zona Oeste
A programação começou no dia 11 de maio, na Escola Municipal Lima Barreto, com atividades voltadas para crianças. As intervenções reuniram Joana D’Arc, Silvia Castro e Tatiana Oliveira, que usaram a contação de histórias para estimular imaginação, criatividade e afeto pela leitura.
Já no dia 25 de maio, a FLP chegou ao CIEP Oswaldo Aranha, na comunidade do Curral das Éguas. A atividade, voltada para adolescentes, contou com Mathias Bildhauer, Aier e Luana Mendes.
O encontro criou espaço para escuta, diálogo e reconhecimento das histórias individuais e coletivas dos estudantes.
Contação de histórias vira ponte entre gerações
A escolha da contação de histórias como tema não foi casual. Afinal, a oralidade atravessa a vida comunitária, preserva memórias e fortalece identidades.
Por isso, a FLP trata a palavra falada como território vivo. Cada narrativa aproxima pessoas, desperta lembranças e ajuda crianças e adolescentes a reconhecerem valor em suas próprias trajetórias.
Nesse sentido, a festa literária não se limita ao livro. Ela envolve corpo, voz, presença, escuta e convivência.
Projeto terá ações ao longo do ano
Um dos diferenciais da Festa Literária do Fumacê é sua programação contínua. A cada mês, o projeto desenvolverá uma nova intervenção temática, com linguagens artísticas e experiências literárias diferentes.
Assim, a FLP se transforma em um processo permanente de formação cultural. Mais do que um evento isolado, ela cria circulação de conhecimento dentro dos territórios.
As ações se estendem pelas comunidades do Fumacê e do Curral das Éguas, fortalecendo laços e ampliando o acesso à cultura para públicos de diferentes idades.
Cultura também é transformação social
A Festa Literária do Fumacê aposta no poder da cultura para gerar pertencimento, autoestima e protagonismo. Em um cenário onde muitas periferias ainda enfrentam barreiras de acesso a equipamentos culturais, a iniciativa leva literatura para dentro das escolas e dos espaços comunitários.
Com o lema “Nós nunca estamos SÓS, Favela!”, a FLP reafirma a força da coletividade. A frase resume o espírito do projeto: cultura aproxima, acolhe e cria redes de apoio.
Cada história contada, cada estudante alcançado e cada encontro realizado ampliam a ideia de que a comunidade também escreve seus próprios futuros.
Vozes que fortalecem a FLP
O impacto da FLP também aparece nos relatos dos artistas e mediadores convidados.
Para Luana Mendes, o projeto representou uma oportunidade transformadora. A escritora destaca o incentivo de Bruno Black como parte importante para apresentar sua história, seu livro e seu trabalho a novos públicos.
Já Mathias Bildhauer, participante da ação no CIEP Oswaldo Aranha, ressaltou o poder da arte na formação humana. Durante sua intervenção, compartilhou fragmentos da peça “Eu Sou Outro Você” e conduziu atividades sobre conexão humana e inteligência emocional.
A escritora Silvia Castro definiu sua participação na Escola Municipal Lima Barreto como uma experiência afetiva e inspiradora. Para ela, levar literatura às escolas ajuda a promover reflexões sobre identidade, território e pertencimento.
Agradecimentos às escolas e parceiros
A Festa Literária do Fumacê registrou agradecimento especial a Isa, diretora da Escola Municipal Lima Barreto, e a todo o corpo docente da unidade pelo acolhimento e compromisso com a formação cultural das crianças.
A FLP também agradeceu à professora Stella Mares e ao corpo docente do CIEP Oswaldo Aranha, pela receptividade e dedicação nas atividades com os adolescentes.
Além disso, a organização reconheceu o apoio da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro, da 8ª Coordenadoria Regional de Educação, da Prefeitura do Rio, do Governo do Estado e de todos os profissionais, gestores, educadores, agentes culturais e colaboradores envolvidos.
Mais que evento, movimento
A Festa Literária do Fumacê celebra a vida, a memória e a capacidade das comunidades de contar suas próprias histórias. Ao ocupar escolas, ruas e territórios com arte e literatura, o projeto mostra que transformação social também acontece pela palavra.
Em Realengo, a FLP não pede licença para existir. Ela chega, reúne, escuta e acende caminhos.








