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Eclipse lunar acontece hoje e vai escurecer quase toda a Lua; veja horários

Eclipse lunar de 27 de agosto de 2026 com quase todo o disco da Lua coberto pela sombra da Terra

Eclipse lunar acontece hoje e vai escurecer quase toda a Lua; veja horários | Reprodução/iStock

Quem olhar para o céu na noite desta quinta-feira (27) poderá acompanhar um dos principais fenômenos astronômicos de 2026. Um eclipse lunar parcial de grande magnitude será visível em todo o Brasil e fará com que quase todo o disco da Lua mergulhe na sombra da Terra.

O espetáculo começa de maneira discreta às 22h24, no horário de Brasília. Entretanto, a transformação mais evidente terá início às 23h34, quando a Lua começa a entrar na região mais escura da sombra terrestre.

O momento máximo acontece já na madrugada desta sexta-feira (28), à 1h13. Segundo o Observatório Nacional (ON), 96,2% do disco da Lua estará obscurecido. Apesar disso, a classificação técnica do fenômeno continua sendo de eclipse parcial, e não total.

A fase parcial, mais fácil de perceber a olho nu, terá 3 horas e 18 minutos de duração.

E há uma vantagem importante em comparação com o eclipse solar de 12 de agosto: não será necessário nenhum filtro ou equipamento de proteção.

Basta encontrar a Lua no céu — e torcer para as nuvens colaborarem.

Que horas começa o eclipse lunar hoje?

Para quem estiver no horário de Brasília, incluindo Rio de Janeiro, Niterói e grande parte do país, o cronograma oficial divulgado pelo Observatório Nacional é:

EtapaHorário
Início do eclipse penumbral22h24 de quinta (27)
Início do eclipse parcial23h34 de quinta (27)
Máximo do eclipse1h13 de sexta (28)
Fim do eclipse parcial2h52 de sexta (28)
Fim do eclipse penumbral4h02 de sexta (28)

A fase mais interessante para quem pretende apenas sair de casa e olhar para o céu começa às 23h34.

Antes disso, a Lua já estará atravessando a penumbra da Terra, mas a diminuição de brilho é muito mais sutil. A NASA explica que eclipses penumbrais podem ser difíceis de perceber para quem não sabe exatamente o que procurar.

O que acontece às 23h34?

Esse é o momento em que a Lua começa a entrar na umbra, a região mais escura da sombra projetada pela Terra.

A diferença visual tende a ficar progressivamente evidente.

Uma parte da Lua começa a escurecer como se uma “mordida” avançasse sobre o disco lunar, descrição usada pelo próprio Observatório Nacional para explicar o fenômeno.

A sombra continuará avançando até 1h13.

Nesse momento, restará apenas uma pequena parcela do disco fora da umbra.

É justamente isso que dará ao eclipse uma aparência muito próxima da totalidade.

Se 96,2% da Lua ficará escura, por que o eclipse não é total?

Porque a classificação não depende simplesmente de a Lua parecer quase completamente escura.

Um eclipse lunar total acontece quando todo o disco lunar entra na umbra da Terra.

Neste caso, isso não ocorrerá.

Uma pequena porção da Lua permanecerá fora da região mais escura da sombra mesmo no momento máximo. Por isso, astronomicamente, o eclipse de 27 para 28 de agosto é parcial. A NASA também o registra oficialmente dessa maneira.

A diferença pode parecer pequena visualmente, mas é suficiente para mudar a classificação do fenômeno.

Portanto, expressões como “quase total” descrevem a aparência e a grande magnitude do evento.

Não transformam o eclipse em total.

A Lua vai ficar vermelha?

Parte do disco pode apresentar tons avermelhados ou alaranjados à medida que mergulha profundamente na sombra terrestre.

Isso acontece porque alguma luz solar ainda alcança a Lua depois de atravessar a atmosfera da Terra.

A atmosfera espalha com maior facilidade as ondas mais curtas da luz, como azul e violeta. Vermelho e laranja atravessam esse caminho com maior eficiência e podem chegar à superfície lunar. É o mesmo princípio físico relacionado às cores avermelhadas do nascer e do pôr do sol.

Entretanto, existe uma diferença importante.

Como o eclipse desta noite não chega à totalidade, não haverá um momento em que todo o disco lunar ficará completamente mergulhado na umbra.

Uma pequena parte continuará fortemente iluminada.

Por isso, chamar antecipadamente o fenômeno de “Lua de Sangue total” seria incorreto.

É preciso usar óculos para ver o eclipse?

Não.

Essa é uma das principais diferenças entre eclipses solares e lunares.

Olhar diretamente para um eclipse solar sem a proteção adequada pode provocar danos graves à visão.

No eclipse lunar, não existe esse risco.

O Observatório Nacional esclarece que não é necessário filtro, vidro especial ou qualquer equipamento de proteção. A observação pode ser feita diretamente a olho nu durante todo o fenômeno.

Binóculos ou telescópios podem ampliar detalhes da superfície lunar, mas não são necessários para acompanhar o eclipse.

Dá para ver o eclipse de qualquer lugar do Brasil?

Sim, desde que a Lua esteja visível e o céu permita a observação.

O Observatório Nacional informa que o Brasil poderá acompanhar todas as etapas do fenômeno. A NASA também coloca as Américas entre as regiões de visibilidade do eclipse lunar de 27 para 28 de agosto.

A situação é muito diferente do eclipse solar total de 12 de agosto.

Naquela ocasião, a faixa atingida pela sombra lunar ficou no Hemisfério Norte, e nenhuma região brasileira conseguiu observar o fenômeno diretamente. O Folha do Leste mostrou na época que nem mesmo uma fase parcial seria visível no país.

Agora, a geometria é outra.

Num eclipse lunar, quem estiver no lado noturno da Terra e tiver a Lua acima do horizonte poderá acompanhar o fenômeno.

Mau tempo no Rio pode atrapalhar observação

Existe, porém, um adversário sobre o qual a astronomia não possui controle: as nuvens.

O Observatório Nacional atualizou nesta quinta-feira as informações sobre a transmissão e reconheceu mau tempo no Rio de Janeiro, onde fica sua sede.

Isso pode dificultar a observação direta dependendo das condições locais durante a noite.

Não significa, porém, que a transmissão oficial esteja ameaçada.

O ON montou uma rede com astrônomos amadores, profissionais e instituições em diferentes partes do Brasil, que fornecerão imagens de seus telescópios durante o evento. Entre os participantes estão o Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) e o Clube de Astronomia de Nova Friburgo, além de equipes de Brasília, Teresina, Fortaleza, Sinop, São José dos Campos e outras localidades.

Assim, se uma cidade estiver encoberta, imagens podem chegar de outra região com céu aberto.

Observatório Nacional transmite eclipse ao vivo

Quem não conseguir observar diretamente também poderá acompanhar tudo pela internet.

O Observatório Nacional inicia transmissão ao vivo às 23h desta quinta-feira, dentro do programa “O Céu em sua Casa: observação remota”.

A astrônoma Josina Oliveira do Nascimento comandará a cobertura, acompanhada por uma rede de observadores e instituições. Além das imagens dos telescópios, a equipe responderá perguntas do público durante o fenômeno.

A transmissão começa aproximadamente 34 minutos antes da entrada da Lua na umbra, permitindo acompanhar a aproximação da fase mais visível.

Assistir à transmissão do eclipse no canal do Observatório Nacional

Qual é o melhor horário para ver?

Quem não pretende permanecer acordado durante toda a madrugada pode escolher uma janela menor.

Para perceber claramente o eclipse, vale começar a observar a partir das 23h34.

A sombra aumentará progressivamente.

À meia-noite, uma parcela considerável da Lua já estará mergulhada na umbra.

Quem quiser assistir ao momento de maior cobertura terá de esperar até 1h13.

Esse é o ponto em que 96,2% do disco lunar estará obscurecido. Depois disso, o processo se inverte e a Lua começa lentamente a deixar a sombra mais escura da Terra.

A fase parcial termina às 2h52.

Depois disso permanece apenas a penumbra, com alteração muito mais discreta no brilho, até 4h02.

Por que ocorre um eclipse lunar duas semanas depois do solar?

O calendário chama atenção porque o Brasil acaba de acompanhar, por transmissão, o eclipse solar total de 12 de agosto.

Apenas cerca de duas semanas depois, acontece o eclipse lunar desta noite.

Não é coincidência.

Eclipses costumam ocorrer dentro das chamadas temporadas de eclipses, períodos em que a geometria das órbitas deixa Sol, Terra e Lua próximos do alinhamento necessário.

O eclipse solar acontece na Lua Nova, quando a Lua passa entre a Terra e o Sol.

O lunar ocorre na Lua Cheia, quando a Terra fica entre o Sol e a Lua.

Como aproximadamente duas semanas separam a Lua Nova da Lua Cheia, os dois tipos de eclipse frequentemente aparecem próximos dentro de uma mesma temporada. O Observatório Nacional destacou justamente essa relação ao apresentar o fenômeno desta quinta-feira.

Essa explicação merece, inclusive, uma reportagem própria depois do evento.

Eclipse fecha a temporada iniciada em 12 de agosto

O Folha do Leste acompanhou extensamente o primeiro fenômeno da temporada.

No dia 12, o eclipse solar total em Leão ocorreu sem visibilidade no Brasil. A cobertura também separou o fenômeno astronômico de suas interpretações dentro da astrologia.

A temporada, entretanto, não terminava ali.

O próprio Folha do Leste já havia mostrado, ao explicar quanto tempo duraria o chamado “efeito do eclipse” dentro das diferentes tradições astrológicas, que um segundo evento estava previsto: o eclipse lunar do fim de agosto.

Agora ele chegou.

Desta vez, porém, brasileiros não precisarão depender exclusivamente de câmeras estrangeiras ou transmissões.

O fenômeno estará sobre nossas cabeças.

E o que o eclipse significa na astrologia?

Essa é outra pergunta — e precisa permanecer separada da astronomia.

Fisicamente, o eclipse acontece porque a Lua atravessa a sombra projetada pela Terra.

Seus horários, duração, visibilidade e magnitude podem ser calculados astronomicamente.

Já a associação do evento a Peixes, aos 12 signos ou a temas como encerramentos, percepção e mudanças pertence ao campo interpretativo da astrologia e não representa efeito cientificamente comprovado do eclipse sobre a vida humana.

O Folha do Leste vai tratar essa leitura em uma reportagem própria, justamente para não misturar o fenômeno que poderá ser visto no céu nesta noite com os significados simbólicos atribuídos a ele.

Serviço — eclipse lunar de 27 para 28 de agosto

Onde será visível: todo o Brasil, dependendo das condições do céu.

22h24: começa o eclipse penumbral.

23h: começa a transmissão do Observatório Nacional.

23h34: começa o eclipse parcial e a sombra fica claramente perceptível.

1h13: eclipse chega ao máximo, com 96,2% do disco lunar obscurecido.

2h52: termina a fase parcial.

4h02: eclipse chega completamente ao fim.

Precisa de filtro? Não.

Precisa de telescópio? Não.

É eclipse total? Não. O fenômeno é parcial, embora visualmente fique muito próximo da totalidade.

Pode ser visto a olho nu? Sim.

Principal obstáculo: nebulosidade.

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Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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