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Crise nos ônibus: Prefeitura e empresários duelam na justiça; rodoviários podem parar

Crise nos ônibus: Prefeitura e empresários duelam na justiça; rodoviários podem parar

A Prefeitura apresentou uma proposta de reajuste da tarifa de ônibus, mas os empresários pedem mais. Nesse ínterim, os rodoviários ameaçam greve | Créditos: André Freitas/Folha do Leste

No embate entre a Prefeitura de Niterói e o Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários (Setrerj), a crise nos ônibus ganha um novo capítulo na cidade. Durante a audiência de conciliação realizada na última semana, o poder público apresentou uma proposta provisória de reajuste da tarifa técnica de ônibus. A princípio, a passagem iria de R$ 4,45 para R$ 5,15 a partir de 1º de janeiro de 2024.

Porém, a entidade representativa dos empresários e do grupo dos consórcios defende um mínimo de R$ 6,13 para a recuperação do serviço de transporte público na cidade. Na audiência, a Procuradoria-Geral do Município (PGM), destacou que a proposta apresentada inclui a fixação da tarifa técnica. Isso, com base em um estudo elaborado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) no decorrer deste ano.

O presidente do Setrerj, Márcio Barbosa, em recente entrevista ao FOLHA DO LESTE, defendia que a tarifa se baseasse em um estudo técnico.

Crise nos ônibus: Prefeitura e empresários duelam na justiça; rodoviários podem parar

Márcio Barbosa, presidente do Setrerj | Linkedin

Na nossa avaliação, a tarifa ideal é a tarifa técnica, conceito que várias cidades tem utilizado para remunerar o sistema de transporte. O passageiro não pode ser o único responsável por manter o sistema em operação. Dessa forma, o valor para o passageiro poderá ser até reduzido”, disse, na época.

Todavia, não há, por parte do Setrerj, plena concordância sobre o valor apresentado. A entidade defende, ainda, que as tarifas sejam subsidiadas pelo município. Márcio Barbosa entende que o passageiro não pode ser o único responsável por manter o sistema em operação.

“Esse subsídio tem que caber no bolso da Prefeitura. A gente sabe que não custa muito porque não é para a empresa, mas sim para o passageiro, disse Márcio Barbosa, em 20/9.

Mais 30 dias

Apesar da apresentação do acordo parcial, o Ministério Público solicitou acesso a toda a documentação relacionada ao estudo em até dez dias úteis. A discordância entre as partes, inclusive o Ministério Público, em relação às conclusões apresentadas, fez com que a Prefeitura de Niterói solicitasse uma perícia judicial contábil.

Além disso, as partes envolvidas terão um prazo adicional de 30 dias após o recebimento do documento para se manifestarem sobre a proposta. Nesse meio tempo, a queda-de-braço entre as partes completa um ano.

Subsídio

Atualmente, tramita na Câmara um projeto de lei que autoriza a Prefeitura  a subsidiar as tarifas de ônibus em até 30% do seu valor. Caso seja aprovado, a prefeitura deverá estabelecer, por Decreto, a regulamentação do valor a ser pago pelo passageiro, com a tarifa podendo chegar a menos de R$ 4.

Tendência de greve

Diante desse cenário tumultuado, a incerteza paira sobre o transporte público na cidade de Niterói. Desse modo, há, ainda tendência de greve dos rodoviários, cuja data-base se dá no mês de novembro. Segundo Rubens Oliveira, presidente da entidade, os trabalhadores estão insatisfeitos com a falta da reposição das perdas salariais ocorridas nos últimos anos.

Os rodoviários reivindicam que em todas as políticas públicas do setor, ocorra, por força de lei, a fixação da reposição inflacionária, em seus salários, dos últimos 12 meses anteriores à data-base. Eles devem enviar às empresas de ônibus, essa semana,  uma pauta de reivindicações. Nela, eles pedem um reajuste salarial de 15% e uma cesta básica no valor de R$ 700, com um desconto de 10% no pagamento.

Usuários

Crise nos ônibus: Prefeitura e empresários duelam na justiça; rodoviários podem parar

Créditos: André Freitas/Folha do Leste

Nesse ínterim, a população fica à mercê dessa disputa que afeta diretamente a vida dos usuários. E, ainda, coloca em xeque o funcionamento do sistema de transporte.

Kátia Mendes, que utilizava as linhas 43-1 e 43-2, que estão entre as mais afetadas pela medida, reclamou da falta de coletivos.
A pandemia foi a desculpa perfeita pra retirar linhas de circulação. O 43-1 da Ingá, que faz o trajeto Icaraí – Fonseca  – Centro, foi extinto. A linha 43-2, que circula no sentido contrário, só tem dois horários pela manhã e três no final da tarde. Ou seja quem trabalha ou estuda de noite não tem condução. A questão é a mesma de sempre: os empresários só visam o lucro. Niterói tem a passagem municipal bem cara. Deveria oferecer pelo menos um serviço de qualidade”, esbravejou.
André Freitas
Diretor-Executivo e repórter do Folha do Leste e da Brasil 21 Comunicação. Radialista e Jornalista desde a década de 1990. Narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, com 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Tem vasta experiência na cobertura da editoria de política em razão dos cargos públicos que exerceu nos poderes Legislativo e Executivo: Câmaras Municipais de Niterói, São Gonçalo, Campos dos Goytacazes, além da Alerj e ainda na Prefeitura de Niterói. Dirigiu a Rádio Absoluta por 15 anos, onde apresentou programas noticiosos diários. Pela emissora, cobriu por mais de uma década a seleção brasileira de futebol e esteve em duas Copas do Mundo e uma Olimpíada. Narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, tem 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Trabalhou, também, nas rádios Campos Difusora (Campos/RJ) e (Litorânea/ES). Exerceu cargo de editor-chefe em Olho Vivo (Niterói/RJ) e A Tribuna (Niterói/RJ). Colunista do jornal O Diário (Campos dos Goytacazes/RJ).

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