
Concessão do Aeroporto de Maricá gera debate em audiência pública | Divulgação/Elsson Campos/Prefeitura de Maricá
“Eu vim do Rio de Janeiro para cá (Maricá) para encontrar paz e encontrei o inferno. Imagina morar num lugar onde você não consegue nem alugar ou vender (o imóvel) porque seu vizinho é um helicóptero.”
O desabafo é do servidor do Ministério Público, Vinícius Zanata, que mora ao Aeroporto de Maricá, durante audiência pública na Câmara Municipal na última sexta-feira (3).
A concessão do terminal avança sob forte polêmica e embate jurídico com o Ministério Público Federal (MPF). Decorrente da Consulta Pública nº 01/2026, a sessão discutiu a transferência da gestão para a iniciativa privada e apresentou estudos de impacto projetados até 2050. Impulsionado pelo mercado offshore, o boom logístico do aeroporto acendeu o sinal de alerta nas comunidades vizinhas.
Moradores exigem desapropriação e criticam barreiras
Zanata, autor de ações populares e representações na ANAC, defende que a única saída é a desapropriação das famílias afetadas.
“Nenhuma das intervenções resolverá o problema, inclusive essa barreira acústica de 80%, que é um delírio. Helicópteros vêm de cima”, criticou.
O professor de física Renan Martins também expôs a gravidade da proximidade com a área de manobras:
“Estamos a menos de 30 metros das aeronaves do pátio 3. São 13 aeronaves coladas à sua casa, às 6h da manhã, de domingo a domingo, gerando barulhos que excedem 100 decibéis no meu quintal. O aeroporto será concedido mantendo todos esses problemas sem resolução?”, questionou ele.
Terminal é alvo de Ação Civil Pública do MPF
Alvo recente de uma Ação Civil Pública do MPF, o aeroporto é questionado por moradores e órgãos de fiscalização que cobram a regularização urbanística e alertam para os riscos ecológicos ao complexo lagunar da região.
Presidida pelo vereador Igor Corrêa (ANL), a audiência contou com a participação de Luís Carlos de Avelar Júnior, coordenador técnico da modelagem da concessão, e Gabriel Siston Santos, diretor de Governança em Licitações e Contratações da Codemar.
Os três pilares centrais do edital debatidos foram:
• Modelo de Gestão: Transferência integral da operação e manutenção para o setor privado.
• Logística Offshore: Consolidação do terminal como polo estratégico de apoio às plataformas de petróleo.
• Segurança Operacional: Diretrizes para a aviação civil integradas ao Plano Diretor da cidade.
O que dizem as autoridades e a Codemar?
A coordenação técnica garantiu que os impactos estão mapeados. Luís Carlos de Avelar Júnior afirmou que o ruído aeronáutico é prioridade na transição:
“Temos consciência de que o ruído é uma questão importante. O problema será levantado para que as soluções sejam implementadas”.
Gabriel Siston Santos, defendeu as ações da atual gestão e destacou a obra da barreira acústica:
“O Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) já busca mitigar o problema. A Codemar licitou uma barreira acústica que visa diminuir em até 80% o ruído das aeronaves. Por ser uma obra grande, demanda planejamento. Nosso compromisso é que a futura concessionária se dedique a melhorar a qualidade de vida dos moradores.”
O edital definitivo deve incorporar as contribuições da população antes do leilão oficial na Bolsa de Valores.
“Vimos maravilhas projetadas para 2050, mas o problema é hoje, no meu ouvido todo dia”, encerrou Zanata.







