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Bambu Lab perde disputa de US$ 27,6 milhões; impressoras seguem à venda

Impressora 3D Bambu Lab A1 com sistema AMS Lite e quatro rolos de filamento.

Bambu Lab perde disputa de US$ 27,6 milhões; impressoras seguem à venda | Divulgação/Bambu Lab

A Bambu Lab sofreu um revés importante em sua disputa de patentes com a Stratasys nos Estados Unidos. Um júri federal considerou que empresas ligadas à fabricante chinesa infringiram quatro patentes e fixou US$ 27,6 milhões em indenizações.

O julgamento aconteceu no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Leste do Texas, em Marshall.

Para quem possui ou pretende comprar uma Bambu, porém, existe uma informação prática importante: as impressoras não foram proibidas de ser vendidas.

O juiz Rodney Gilstrap manteve o valor determinado pelo júri, mas rejeitou o pedido para aumentar a indenização por causa da conclusão de infração intencional. Além disso, o julgamento final não impôs uma ordem de proibição de vendas.

A Bambu Lab discorda da decisão e já anunciou que pretende buscar revisão pós-julgamento e recurso.

Quais patentes estão no processo

O caso envolve quatro patentes da Stratasys relacionadas a tecnologias usadas na impressão 3D por extrusão.

Duas delas tratam de detecção de força, tecnologia ligada a métodos usados durante o nivelamento da mesa.

Outra patente envolve as chamadas purge towers ou prime towers, estruturas usadas para estabilizar o fluxo de material durante determinadas trocas de filamento.

A quarta aborda métodos de construção de objetos por deposição de material em camadas e trajetórias de impressão.

O júri concluiu que as quatro patentes apresentadas no julgamento eram válidas e que a Bambu infringiu as reivindicações analisadas.

As patentes são:

  • US 9,421,713
  • US 7,555,357
  • US 9,168,698
  • US 10,556,381

X1, P1 e A1 aparecem no centro da disputa

As tecnologias discutidas atingem principalmente a primeira geração de impressoras que levou a Bambu Lab ao crescimento global.

Entre os equipamentos associados ao processo aparecem modelos das séries:

X1, P1 e A1.

Isso inclui justamente algumas das máquinas que ajudaram a popularizar recursos automáticos como nivelamento, troca de materiais e impressão multicolorida.

No entanto, a decisão norte-americana não determina recolhimento das impressoras já vendidas.

Também não existe, até agora, uma ordem obrigando proprietários a desativar funções ou instalar alguma atualização específica por causa do processo.

Júri considerou a infração intencional

O julgamento terminou em 17 de setembro.

Depois de uma semana de depoimentos e apresentação de provas, o júri concluiu que a infração ocorreu de forma intencional, classificação conhecida no direito norte-americano como willful infringement.

Essa conclusão poderia abrir espaço para uma indenização maior.

Nos Estados Unidos, a legislação permite que o tribunal aumente danos de patentes em determinadas circunstâncias.

Só que isso não aconteceu neste caso.

No dia seguinte ao veredito, o juiz Rodney Gilstrap recusou aumentar os US$ 27,6 milhões.

Portanto, embora o júri tenha considerado a infração intencional, a indenização não foi multiplicada.

Impressoras continuam à venda

Esse é provavelmente o ponto mais relevante para quem acompanha a Bambu apenas como consumidor.

O julgamento não proibiu as vendas.

A Stratasys havia buscado medidas capazes de impedir a comercialização de produtos envolvidos na disputa.

Porém, o julgamento final rejeitou os pedidos adicionais que não receberam concessão específica.

Na prática, isso significa que X1, P1 e A1 não receberam uma proibição judicial de venda decorrente desta decisão.

Por enquanto, portanto, a disputa afeta diretamente as empresas, e não quem já tem uma impressora em casa.

US$ 27,6 milhões cobrem vendas anteriores

O valor também precisa ser entendido corretamente.

Os US$ 27,6 milhões correspondem a danos relacionados a vendas anteriores, e não a uma multa cobrada de cada comprador.

Segundo a documentação judicial analisada pela imprensa especializada, o valor se divide entre as patentes julgadas.

A maior parcela está ligada à patente sobre purge towers.

Outra parte relevante envolve o método de deposição por extrusão, enquanto as patentes relacionadas à detecção de força respondem por uma parcela menor.

O julgamento também prevê juros e custos legais aplicáveis.

Entretanto, ele não estabelece uma licença geral definitiva para todas as vendas futuras da Bambu.

Esse ponto ainda pode alimentar novas discussões judiciais.

Bambu Lab vai recorrer

A Bambu Lab já deixou claro que não considera o caso encerrado.

Em manifestação enviada à imprensa, a empresa afirmou que respeita o processo judicial, mas discorda do veredito.

A fabricante pretende usar os mecanismos disponíveis para pedir revisão depois do julgamento e, posteriormente, recorrer da decisão.

Isso significa que o resultado atual ainda pode passar por novas etapas.

Processos de patentes nos Estados Unidos também podem chegar ao Tribunal de Apelações do Circuito Federal, responsável por grande parte dos recursos nessa área.

Portanto, os US$ 27,6 milhões representam o resultado atual do processo, e não necessariamente o último capítulo da disputa.

Stratasys quer proteger sua propriedade intelectual

A Stratasys tratou o resultado como uma vitória de sua estratégia de proteção de patentes.

A empresa atua em impressão 3D há décadas e acumulou um amplo portfólio relacionado à fabricação por extrusão.

Depois do julgamento, a companhia afirmou que continuará defendendo a propriedade intelectual ligada às tecnologias que desenvolveu.

A Stratasys nasceu justamente no ambiente que originou a tecnologia FDM, sigla de Fused Deposition Modeling.

Hoje, boa parte do mercado doméstico usa o termo mais genérico FFF, ou fabricação por filamento fundido.

O crescimento das impressoras de mesa aproximou esse mercado de tecnologias que antes apareciam principalmente em equipamentos industriais.

Processo começou em 2024

A disputa não nasceu agora.

A Stratasys entrou com ações contra empresas ligadas à Bambu Lab em 2024, acusando a fabricante de utilizar tecnologias protegidas por seu portfólio de patentes.

No início, a discussão abrangia um número maior de patentes.

Durante o andamento do processo, porém, diferentes reivindicações passaram por decisões judiciais ou análises administrativas.

Assim, apenas quatro chegaram a este primeiro julgamento.

O resultado foi favorável à Stratasys nas quatro.

Ainda existe outro processo

E a disputa está longe de terminar.

Este julgamento corresponde apenas à primeira de duas ações de patentes movidas pela Stratasys contra a Bambu naquele tribunal.

A segunda ainda não possui data de julgamento definida.

Ela envolve outras tecnologias e poderá produzir um resultado completamente independente.

Portanto, mesmo que a Bambu consiga alterar o resultado atual em recurso, ainda haverá outra frente judicial entre as empresas.

Da mesma forma, uma vitória da Stratasys agora não significa automaticamente que ela vencerá o segundo caso.

Europa teve resultado diferente

A disputa também mostra como direitos de patente mudam conforme o país.

Em abril de 2026, a Unified Patent Court, na Europa, rejeitou um pedido de liminar da Stratasys contra a Bambu em outro processo.

A Bambu usa esse resultado como exemplo de decisões favoráveis que conseguiu em outras jurisdições.

No entanto, os dois casos não devem ser tratados como se fossem a mesma decisão.

Patentes possuem proteção territorial, e reivindicações europeias podem ter escopo diferente das patentes norte-americanas.

Assim, uma máquina pode enfrentar uma disputa de patente nos Estados Unidos sem necessariamente receber o mesmo tratamento na Europa.

O que muda para quem tem uma Bambu Lab?

Neste momento, praticamente nada no uso diário da impressora.

Não houve:

  • proibição de venda,
  • recall,
  • ordem para desligar impressoras,
  • bloqueio de software,
  • nem remoção obrigatória de recursos anunciada por causa deste julgamento.

Isso não impede mudanças futuras.

Um recurso pode alterar decisões, um acordo pode criar licenciamento e outros processos ainda podem produzir novos efeitos.

Mas nada disso aconteceu até agora.

Por isso, não há fundamento para afirmar que proprietários de X1, P1 ou A1 precisarão parar de usar suas máquinas.

Bambu continua expandindo a linha

A disputa acontece enquanto a Bambu Lab amplia rapidamente sua presença no mercado de fabricação digital.

Além das séries que aparecem no processo, a empresa lançou novas gerações e expandiu sua atuação para outras categorias.

O Folha do Leste já mostrou os principais lançamentos de impressão 3D de 2026, incluindo novos equipamentos da Bambu.

Mais recentemente, a fabricante entrou também no mercado de corte e gravação com o R1, equipamento baseado em laser CO₂.

Conheça o Bambu Lab R1 e o sistema para trabalhar com projetos de até três metros.

Portanto, o processo chega num momento em que a Bambu não apenas vende impressoras, mas tenta ampliar o ecossistema ao redor da marca.

Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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